Segunda, 15 de outubro de 2012 - parte 2

HAROLDO DE SOUZA DESABAFA!!

No FB.
Na íntegra:

PELOS CAMINHOS DO VOTO DE CONFIANÇA...

1.947 homens, mulheres, sendo jovens e idosos e os de meia de idade. Sumiram da urna os votos que me deram 3 mandatos como vereador de Porto Alegre; uns 4 mil e alguma coisa. Cheguei a câmara em 2.000 com 6 mil 934 votos; em 2.004 sofri uma pequena queda- 6 mil 522 votos e em 2.008 de novo fiquei girando nos seis mil...Exatos 6.375 votos. Não se sabe onde foram parar os meus fiéis eleitores e as causas desse fato começam a ser apuradas, para a nossa economia interna de gabinete. Sobre o meu gabinete de 12 anos eu vou falar logo ali na frente.

Quando se entra numa disputa que esperamos sejam sempre dentro das regras normais estabelecidas, se entra para vencer. E nem sempre conseguimos alcançar o objetivo traçado. Faz parte do jogo e isso se assimila com o tempo e pra mim não precisa tanto tempo assim. Por ter saído da Rádio Guaíba, uma potência do rádio esportivo brasileiro, casa que deixei por livre e espontânea vontade, talvez aí um significativo número de perda de votos dos famosos guaibeiros, pode ser. Ao ser pego em blitz com 0,34 quando o limite era 0,33, mais alguns votos; por ser defensor e jogar o relaxante bingo,e não escondendo isso de ninguém, mais alguns votos que se foram. A ausência de um comitê por falta de condições financeiras; sem um carro de som, opção exclusivamente minha por entender nessa prática uma terrível poluição sonora e a falta de dinheiro para colocar a campanha na rua, também foram marcantes na derrota eleitoral. Imaginem os amigos, que o Ney, meu cabo de guerra recebeu condições para colocar nas ruas cinco cavaletes. É isso daí; cinco cavaletes. Parece mentira né. Com um total de 15 pessoas e os chamados banners, botei meu bloco na rua e ao final junto ao Tribunal Regional Eleitoral registramos uma das mais econômicas, para não dizer pobre campanha de todos os candidatos, mais de 500 que brigaram pelas 36 cadeiras no legislativo da câmara municipal da capital gaúcha. Aos poucos vou fornecer por aqui os números exatos da nossa campanha. Mas acho que não cheguei a 50 mil reais de doações de amigos. E não quero nem saber quanto gastou beltrano ou ciclano; e o fulano muito menos. A todos o que eu desejo é sorte para os próximos 4 anos na câmara municipal. Que todos estejam com a consciência tranquila e sem comprometimento como está a minha.

Mas o temporal que se abateu sobre a minha cabeça por volta das sete e meia da noite de domingo, na casa da minha chefe de gabinete e de campanha, a Patrícia Torres, era pouco para o que me estava reservado nas próximas horas. Choramos todos naquela hora daquele domingo 7 de outubro desse ano da graça de Deus; Paty, Eu, Aline, Carla, Roberta, Carina, Dani, Re, Ana, Paulo, Ney, Diego e a Silvinha...e dali fui me embora fugindo ao temporal que desabava; era uma chuvinha fina que caia na cidade, mas na minha cabeça um vendaval. E o pior pra mim estava por vir.

Na segunda feira por volta das 9 horas da manhã o preparo para a volta a normalidade. Co m a ressaca eleitoral, o telefone toca e vinha da Rádio Bandeirantes na figura do Sr. Ribeiro Neto perguntando se eu iria na rádio aquele dia. E eu respondi; ao meio dia e meia, estaria na rádio. E o Sr. Ribeiro respondeu, que precisava que eu fosse lá urgente. Senti. Senti que o temporal que ainda estava na minha cabeça pela perda da eleição, mas já sendo mais leve, se transformaria num tsunami.

Peguei o Jabuti e subi o morro Santo Antonio. Ali está a sede da Band – RS. E ao chegar diante do Sr. Ribeiro, este por ordem do sr. Leonardo Menegheti pediu que assinasse ciente da dispensa dos meus trabalhos a equipe de esportes da Rádio Bandeirantes de Porto Alegre. Foi um choque. Era o tsunami que chegava, sacudindo com minhas entranhas. O coração começou a bater mais forte e uma profunda tristeza e revolta se apoderou de todo esse corpo que me carrega a poucos dias de completar 68 anos de existência. E foi a primeira vez, numa carreira radiofônica de 47 anos, que eu estava sendo dispensado do emprego, do trabalho que amo, daquilo que faço aqui há 38 anos, passando por poucos prefixos, mas todos eles de histórias lindas do rádio esportivo brasileiro.

A minha carreira foi iniciada de forma profissional em l.969. Aprendi em escolas interioranas do Paraná. Rádio Castro de Castro; Difusora e Santana de Ponta Grossa; Cultura de Maringá, Cultura de Paranavaí e Rádio Alvorada de Londrina. Verdadeiramente em resumo - trabalhei de 69 a 74 na Rádio Itatiaia de Belo Horizonte, emissora líder no seguimento nas Alterosas. Não fui dispensado. Pedi para sair, para atender um convite do Nelson Sirotski da RBS - vim o para a Radio Gaúcha onde fiquei por 17 anos;não fui dispensado, saindo da Gaúcha por livre e espontânea vontade, para pedir emprego na poderosa Rádio Guaíba, onde fiquei por 19 anos. Também ali na Guaíba, formando uma inesquecível dupla com o Louis Carlos Reche, não fui dispensado. Sai para atender um convite do Sr. Pedro Paulo Zachia, então chefe geral da operação departamento esportivo da Radio bandeirantes. Mas os senhores Leonardo Menegueti e Ribeiro Neto se incumbiram de mancharem o meu currículo de locutor esportivo de 11 copas do mundo e narrador de todos os principais títulos conquistados pelo futebol gaúcho, na representatividade desses dois gigantes que formam o mundo GreNal. Orgulho dos gaúchos, orgulho meu. Fui ferido de morte por volta das 10 da manhã do dia 8, segunda feira passada, com o temporal surgido no domingo por volta das 7 horas, se transformando num verdadeiro e destruidor tsunami. Após 2 anos de Rádio Bandeirantes, Ribeiro Neto e Leonardo Menegueti entraram para a minha história de vida e carreira esportiva como dois homens superiores aos demais que me comandaram até aqui nessa carreira de 47 anos. Entre eles o saudoso Osvaldo Faria da Rádio Itatiaia, meu chefe, com quem abrimos para o rádio de Minas, os caminhos de todos os continentes...Nelson Sirótski, Mendes Ribeiro (um dos grandes narradores que depois foi meu comentarista - chefe na Rádio gaúcha,o Carlos Bastos e o Ruy Carlos Ostermam, com esse inaugurando o canal livre internacional e os 100kilowats da Radio gaúcha no mundial da Argentina em l.978; fui chefiado na Rádio Guaíba pelo Paulo Sergio Pinto, o Wianey Carlet e o Luis Carlos Reche ainda garoto, mas com quem formei uma dupla que durou 19 anos. Todos profissionais do mais alto gabarito. Mas eu entendo os profissionais Ribeiro Neto e Leonardo Menegueti - eles não se mandam, eles não decidem, e se um é marionete do outro, os dois devem ser a mesma coisa dos paulistas da Band-SP. Não poderia mesmo dar certo comigo. Minha vida, minha transparência em tudo que faço, não combina com esse tipo de profissionais que devem ter suas fortes razões para viverem desse jeito em meio a esse mundo fantástico e emocionante, que é o mundo do rádio. E como não sou homem de guardar mágoas, já estou em outra na vida. Desempregado, mas numa boa, com a consciência tranqüila, exatamente como vou sair no dia 31 de dezembro próximo da minha casa política, onde residi por 12 anos.

Eu precisava fazer esse depoimento aqui no meu blog, esperando ser alcançado pela maioria das pessoas que me acompanham no Rio Grande do Sul ao longo desses 38 anos. 

E vou publicar nos jornais da cidade o seguinte anuncio nos classificados;

“Locutor esportivo de larga experiência, com um curriculum de 11 copas do mundo ao vivo, narrador de todos os principais títulos da vida de Grêmio, Internacional, e seleção brasileira, se oferece para trabalhar no ramo. Interessados entrar em contato com 93.13.27.14.”

E com mais tempo e aos poucos vamos conversando por aqui a respeito de nossas vidas, porque ela continua, e depois do tsunami, certamente haverá o brilho do sol. Abraço forte a todos e obrigado pela atenção.



2 comentários:

  1. Querido Prévidi,

    Boa tarde. Fiquei para lá de impressionado com o que o Haroldo de Souza divulgou.
    Em que pese eu ter tido raras oportunidades de conversar com ele, lembro dele sempre destilar atenção comigo e até mesmo me fornecer algumas dicas. Por isso, quando os editores do jornal Pit Stop me pediram a coluna que sairá na vindoura edição de Novembro, não pude deixar de aproveitar o ocorrido e inserir a situação por ele protagonizada. Até porque, minha coluna está repleta de indignações sobre o mundo, como um todo.
    Antecipo agradecimento se você quiser publicar. Idem se você tiver como ‘localizar’ o Haroldo e falar para ele à respeito da citação sobre ele.
    Atenciosamente,

    Paulo McCoy

    PS: Minha coluna segue abaixo:

    FILE: JORNAL PIT STOP
    PAUTA: Coluna McCoy

    Minhas (justas) indignações

    By Paulo “McCoy” Lava

    Quando assisto escandalosas notícias envolvendo vereadores que vão para destinos turísticos com suas famílias e amigos, sob a ‘desculpa’ de fazerem cursos, fico me perguntando o quê, afinal, estou fazendo neste país.
    Quando sabe-se que um colega jornalista, de renomada e alentada folha corrida (Haroldo Souza) foi dispensado de seu trabalho, e que os responsáveis pela atitude – até o momento em que escrevo esta –, não divulgam nota oficial para ao menos ‘justificar’ a causa da demissão, sinto ganas de pedir asilo político (mas... aonde?).
    Quando descobre-se que algumas montadoras de automóveis recusam-se a resgatar a história delas no automobilismo, gostaria de saber por que diabos permaneço aqui neste planeta.
    Quando fico ouço dirigentes do automobilismo manifestar pouco caso para com similar situação descrita acima, tenho vontade de tomar um expresso para outra galáxia.
    Quando vêm à tona que diversas pessoas envolvidas com o automobilismo recusam-se a pagar o preço justo para profissionais honestos e de comprovada atuação no esporte, confesso, me sinto péssimo – quase doente.
    Quando uma autoridade opta em multar meu pai – que trafegava em baixa velocidade, à bordo de um humilde veículo, sem causar transtorno – e permita que cidadãos que possuem veículos caros em velocidade elevada sigam seu caminho sem nada sofrer, fico me perguntando, cheio de razão, quanto ela levou.
    Quando leio notícias que candidatos detentores de considerável renda, ao invés de usufruir dos bens adquiridos (imóveis e veículos caros), insistem em permanecer num setor no qual sempre serão alvo de desconfiança e críticas, é óbvio perceber que algo está errado.
    E quando tenho certeza de que isso tudo não vai dar em nada, entendo por que gosto de escrever sobre Automobilismo. É um jeito de neutralizar minha raiva para com situações que não posso consertar. Falando nisso, nos próximos dias, o ‘antídoto’ para amenizar minha indignação, será assistir vídeos com os melhores momentos da NASCAR. Categoria que, vocês sabem, faz muito sucesso nos Estados Unidos da América. Por sinal, país no qual o automobilismo é valorizado, as montadoras realmente preocupam-se com a história do esporte – sem falar que os profissionais são devidamente remunerados (principalmente os de comprovada atuação no Jornalismo esportivo). E nem preciso comentar que por lá, a leis funcionam. Algo que, convenhamos , seria bom vermos com freqüência por aqui...

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