FERIADÃO FARROUPILHA





Jamais troquei de lado.
Por quê? Eu não tenho lado.
Ou melhor, o meu lado sou eu







15 ANOS!!
Atualizado diariamente
até o meio-dia





Escreva apenas para

Ou







SIRVAM NOSSAS FAÇANHAS...
HAHAHAHA!!!!









especial


Neste feriadão,
PAULO MOTTA
CLOVIS HEBERLE
MILTON GERSON
RUY GESSINGER



Paulo Motta é jornalista e escritor.
De São Borja.














COISAS FARROUPILHAS





Certa feita, Demêncio Ventana, meu tio em pó - foi torrado e cremado - estava no bolicho do Olinto, na beira dos trilhos, em Conde Porto Alegre, distrito de São Borja, golpeando um trago de canha num anoitecer gelado de junho, contando e ouvindo causos de assombração com o Olinto e compadre Corvinho, já falecido, também.
Lá pelas tantas lhe roncou nas tripas, montou no zaino velho e se foram pras casas, seguidos pelo guaipeca.
Já noite fechada, quando chegou na primeira porteira, o gaudério ouviu do cachorro:
- Mas que tal esse frio, hein, Demêncio?
Assustado, deu patas ao cavalo, até a próxima porteira uns duzentos metros dali, quando o cavalo virou o pescoço e disse:
- Mas que cagaço esse cachorro fiadaputa nos deu, Demêncio velho!
Conseguiu chegar borrado, no rancho do compadre Rogaciano - légua e meia das casas - e apeou pra limpar as bombachas.
Compadre Rogaciano dormia, borracho, num catre, no galpão.
Tio Demêncio se lavou, botou as bombachas cagadas no Rogaciano, vestiu as bombachas limpas dele e se foi, se foi, se foi.
Na tardinha do outro dia, voltou pra dar explicação pro compadre Rogaciano, mas só encontrou comadre Arminda, mateando, solita, na frente do rancho.
- Buenas, comadre, e o Rogaciano?
- Mas o senhor não sabe? O Rogaciano está no hospital de doente da cabeça, lá na cidade!
- Mas o que se passou com o vivente?
- O homem velho acordou de uma borracheira, madrugada passada, com as bombachas cagadas e as cuecas limpas e enlouqueceu, criatura de Deus!

Buenas pras prendas e pra peonada, seus lasquiados!


...


AMARGOR




Hoje, contarei uma história politicamente incorreta, o que não é do meu feitio, mas contá-la-ei, pois estamos dentro da Semana Farroupilha, que requer lembranças de gaudérios e tauras.

Muitos e muitos anos atrás, em Conde de Porto Alegre, interior de São Borja, pouco antes de chegar na Encruzilhada, ao lado de um grande capão de eucaliptos, num agrupado de ranchinhos, moravam os paraguaios.

Agregados, viviam de changas* e de alguma qualquer coisa que ganhassem pelas fazendas ao redor.

O João Grosso e a Chiquinha eram os patrões daquela indiada serena que só mateava e assava, de vez em quando, um chibo* ganhado de alguém. E tomavam canha, isso não podia faltar.

João Grosso, um xirú taludo, feições indiáticas de raízes orientais, sempre de chapéu tapeado, em mangas de camisa e uma bombacha enroscada até o joelho, bem disposto, se precisassem dele.

A Chiquinha parecia sua irmã, embora casados. Aliás, todos tinham as mesmas feições, se tentassem aprofundar as árvores genealógicas não teriam terminado até hoje, tamanha a confusão de parentescos entre os bugrinhos.

Meu padrasto, era muito amigo deles e, volta e meia, passávamos na aldeia paraguaia pra prosear e levar algum pedaço de rês pra piazada se lambuzar.

Numa feita, eu estava mateando ao lado do Astério, um bugre velho que mal e mal se fazia entender. Era um emaranhado de guarani, castelhano e português que o resultado final era uma coisa estranha, mas eu entendia.

Todos bebiam, incrível, desde a mais tenra idade bebiam. Vi, um dia, um bebê no colo da Francelina, irmã do Astério, estender as mãozinhas, desesperado, quando alguém passou na frente deles com uma garrafa de cachaça, gritando: "Catata, catata, catata!".


Voltando ao mate com o Astério, ali estávamos e ele amanunciando* um cachorro zaino* meio lanudo ao seu lado. Volta e meia meia volta, despacito, o Astério enfiava dois dedos numa caneca de lata e dava pro cachorro lamber. E o cusco muito animado, lambia e ficava no aguardo de mais dedos embebidos não sei em quê.

Dali a pouco, se veio do rancho um piá agarrado numa chuspa*, e derrubou a caneca do Astério, que bradou: "Mas oigalê piá maleva, derrubou a canha do Amargor, esse ventana!".

Naquele momento descobri duas coisas: O nome do cachorro e o conteúdo da caneca de lata.

Mas o paraguaio estava ensinando o cachorro a beber cachaça, senhores ouvintes! E até sairmos, o Amargor estava troteando de lado de tão bêbado, o animalzinho. E parecia se divertir com isso, dava uns ganidos estranhos entre um tombo e outro!

Até onde eu saiba, o Astério e seu cachorro bebum Amargor, morreram de velhos ali mesmo, naquele pontal de eucaliptos do que hoje, só resta a lembrança.

Mas que tal?

Bueno, vamos nos aprochegar pro lado da bóia que hoje é cabeça de ovelha ensopada com sucrilhos!

Até diacapouco, indiada feroz mas alegre.

...

*Changa - Tarefa eventual com alguma recompensa
*Chibo - Ovelha
*Amanunciando - Domar o animal passando a mão no lombo e conversando
*Zaino - Marrom-escuro
*Chuspa - Balão feito de bexiga de ovelha, porco ou gado.



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Clovis Heberle é jornalista 
e tem como principal atividade
viajar pelo Brasil e mundo.
Escreve no
https://clovisheberle.blogspot.com/














DOM PEDRO II PARA PRESIDENTE


"O problema do Brasil não é a República nem a Monarquia. É a oligarquia absoluta"
Machado de Assis





O perfil ideal para presidente da República é o de Dom Pedro II: preparado para exercer o poder, austero nos gastos pessoais e públicos, tolerante com os adversários e com a imprensa, excelente administrador, culto, viajante incansável, curioso insaciável , avesso aos cerimoniais e um homem que colocou a paixão pelo Brasil e os brasileiros acima de tudo - até do seu trono. Esta é a imagem que fica do imperador do Brasil de 1840 até 1889 depois da leitura da biografia escrita por José Murilo de Carvalho e editada pela Companhia das Letras.
Para um país traumatizado por uma sucessão de governantes que colocaram seus interesses pessoais e político-partidários acima dos da nação, Pedro de Alcântara representou uma rara exceção. Só Getúlio Vargas conseguiu alcançar a mesma dimensão como estadista.
Aclamado imperador aos cinco anos de idade, após a abdicação de seu pai, que voltou para Portugal, Pedro II passou os dez anos seguintes aos cuidados de tutores que o educaram. Órfão de mãe com um ano de idade e de pai com nove, dedicou-se aos estudos e ao assumir o trono, aos 15 anos, já demonstrava surpreendente habilidade política ao montar um ministério em que mesclava a experiencia com a juventude, a prudência com a ousadia.
O país que herdara enfrentava rebeliões separatistas e problemas políticos, sociais e econômicos agravados por uma década de governos provisórios.
Em poucos anos, o jovem imperador pacificou a nação e organizou o governo. Sua forma de administrar é um exemplo para empresas que se dizem modernas mas que, no fundo, usam, quase sem exceção, a velha técnica do "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Como chefe de governo, reunia o ministério diariamente, ouvia os relatos dos ministros, trocava idéias com eles e, muitas vezes, acatava o ponto de vista da maioria. Definia as prioridades e deixava a execução dos projetos a cargo de cada ministro. Visitava obras, escolas e hospitais para conferir se suas diretrizes estavam sendo cumpridas.
Avesso a festas e beija-mãos, reduziu a um mínimo o seu quadro de servidores, e aplicava boa parte dos seus rendimentos em obras sociais. Sustentava cientistas e artistas com bolsas de estudos no país e no Exterior. Suas viagens aos Estados Unidos e à Europa foram custeadas com empréstimos bancários pessoais. A imprensa tinha total liberdade - para ele, os jornais eram as janelas por onde vislumbrava a realidade do país - mesmo quando o atacavam, e à sua família, da forma mais torpe. Era respeitado nos Estados Unidos e na Europa como estadista e como sábio.
Apeado do poder e expulso do país por um golpe liderado por militares, viveu modestamente, em hotéis europeus de segunda classe, até falecer, em 4 de dezembro de 1891, em Paris, aos 66 anos. Duzentas mil pessoas acompanharam o cortejo da igreja da Madeleine até a estação de trem. O corpo seguiu para Portugal, onde foi enterrado. No Brasil, manifestações espontâneas de pesar tomaram as ruas, apesar da hostilidade do governo republicano, que se recusou a decretar luto oficial e nem ao menos mandou representantes ao enterro.
Mas o livro não tem apenas os aspectos positivos da biografia de Dom Pedro II. Revela suas fraquezas, seus amores fora do casamento, a paixão pela condessa de Barral (que durou toda a vida), a condescendência para com a escravidão - à qual se opunha, mas não teve apoio político e coragem de extinguir -, e a sua postura impiedosa na guerra contra o Paraguai. Foi dele a decisão de massacrar o povo paraguaio até o quase extermínio, mesmo depois de Solano Lopez estar militarmente vencido.
Seus acertos, no entanto, superaram em muito os erros. E os governos que o sucederam, marcados pela politicagem, as ambições pessoais e a falta de patriotismo comprovaram a importância que os quase 49 anos do segundo reinado tiveram para o Brasil.


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Milton Gerson é jornalista e assessora o vereador de Porto Alegre, Mauro Zacher.
Está a mil, porque Mauro é candidato a
deputado estadual (PDT - 12180)


















O VOTO


Na política o voto tem um poder inominável, ainda não percebido pela maioria da população.

Infelizmente muita gente ainda vota errado e escolhe equivocadamente os seus representantes e, por consequência, a população fica submetida há quatro anos de aprisionamento quando as coisas não vão bem, como é o caso de Porto Alegre com o governo Marchezan. Mas ainda é pelo voto que podemos, de forma consciente, mudar e extirpar a má política, como expressa o poema “O voto e o Pão”, do ex-governador Alceu Collares: “O voto é tua única arma, põe o teu voto na mão”.
Mas a verdade é que a realidade é bem diferente. Por falta de educação eleitoral isso ainda não acontece e – é triste reconhecer isso - deve demorar ainda um bom tempo para que se materialize na jovem democracia brasileira.

Mas se por um lado o eleitor não reconhece o poder de um único voto, o político profissional jamais deixa de pensar em um. Ao contrário, faz contabilidade diária de perdas e ganhos, porque é deles que garante o “feijão com arroz”.

Para que os leitores tenham a dimensão da importância do voto vou relembrar um “causo” verídico ocorrido em Porto Alegre com um ex-vereador, que desde a sua primeira eleição só ampliava a sua base eleitoral, pipocando votos em todos os cantos da cidade. E era assim porque não dispensava nenhum.

Quando morria um eleitor ele já maquinava uma forma de substituir o voto por outro, as vezes investindo na mesma família do falecido cujos eleitores aumentavam pela maioridade eleitoral ou pelo acréscimo de agregados. Perder votos era para ele uma sensação semelhante à de um filme de terror, daqueles de perder o sono. E ele realmente perdia quando imaginava essa possibilidade.
Mas eis que certa feita o edil, em campanha eleitoral, circulava de carro, com o assessor motorista, pelas ruas de um bairro central famoso. De longe, no meio do burburinho do trânsito viu um sujeito conhecido parado entre dois veículos estacionados, a espera de uma chance para atravessar a via. Naquele momento, rapidamente como um gavião de olho na presa, focou o alvo e gritou para o assessor: “para, para, quero falar com aquele cara ali”...e com um santinho na mão já foi abrindo o vidro do carona para lhe entregar a propaganda eleitoral.

O resultado foi que o motorista, forçado pelo fluxo, encostou um pouco mais do que devia em direção aos veículos estacionados ese aproximou tanto que quase atropelou o eleitor, que já estava um passo à frente para a travessia. Surpreso com aquele carro em sua direção, o cidadão se jogou para trás a fim de salvar o couro e eis que então, para a surpresa de todos, eleitor e quem passava próximo, o vereador se dirige ao assessor com um grito estridente, em tom de xingamento: “vá pra #@$%! Tu tá maluco? Tá querendo esmagar o meu voto???

...

Este texto do Milton Gerson foi publicado originalmente no livro DezMiolados2 da editora Farol 3, lançado em abril desse ano, com crônicas de figuras conhecidas do cotidiano de Porto Alegre.
Para adquirir um exemplar, basta acessar a página da editora no link: https://farol3.com.br/produto/dezmiolados-volume-2/

















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Ruy Gessinger é desembargador, pecuarista, escritor e bon vivant. Mora em Porto Alegre e Xangri-Lá. Tem o ruygessinger.blogspot.com/. De Santa Cruz do Sul















DESFILE GAUCHESCO EM UNISTALDA:
ISSO SIM É AUTÊNTICO



Muito falam em Alegrete ou Livramento com maior número de cavaleiros. Para mim quero ver se acham um povo mais gaúcho do que o da Unistalda campeira. E mais! quero ver se encontram um Município em que os assistentes ao desfile são em número quase menor do que os que desfilam. Só não participa do desfile quem está doente ou quem ainda não nasceu.









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PIADINHA


Do https://www.facebook.com/Tapejara-o-%C3%9Altimo-Guasca-141101619390399/?hc_ref=ARTa0VdABD2d3REET5b0MbQHNULgGQBNcxbX2tiRex90zmaVLweqxDigU3obWfhuwik&fref=nf&__tn__=kCH-R


(clica em cima que amplia)





Um comentário:

  1. Caro Prévidi,

    Fiz um estudo, deu-me muito trabalho mas muito em prazer, da família Fontoura, centrado em meu saudoso 'velho' Salis Fontoura, e eis que me deparo com um parentesco ilustre, o Chiquinho da vovó, o Fontoura que cometeu a letra do Hino do nosso estado, uma ode à modéstia - '... sigam nossas façanha de modelo a toda a terra...'

    No meu estudo eu listo os 10 Fontoura mais representativo na história gaúcha, no qual incluo o Hélio Ricardo Carneiro da Fontoura , o teu amigo 'Fontourinha' da Assembleia Legislativa, o eterno secretário do grande Leonel de Moura Brizola.

    7)Francisco Pinto da Fontoura, Rio Pardo, 1816 – 1858, o famoso ‘Chiquinho da vovó’, famoso por ter sido o autor da letra do Hino Rio-grandense, aquele do ‘Sigam nossas façanhas de modelo a toda terra’. Era neto do Brigadeiro Antônio Pinto da Fontoura; morreu com apenas 41 anos, assassinado (sina dos Fontouras) em Livramento, em 1858. Toda vez que num evento ouvirmos o Hino do nosso Rio Grande, inflemos ainda mais nossos peitos, pois há um Fontoura sendo lembrado!

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