Sexta, 20 de março de 2026

 

NESSA SEXTA
a cesta do João Paulo






JOÃO PAULO DA FONTOURA é de Taquari-RS. É escritor e historiador diletante, membro da ALIVAT – Academia Literária do Vale do Taquari, titular da cadeira nº 26.





PORTO ALEGRE

253 ANOS DE FUNDAÇÃO

Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém Porto Alegre me tem
Não leve a mal
A saudade é demais
É lá que eu vivo em paz
Porto Alegre é demais.

(Inserto da letra da música Porto Alegre é Demais,
de autoria do músico e político José Fogaça, um porto-alegrense nativo)




Nesta próxima quinta-feira, 26 de março, Porto Alegre, a capital de todos os gaúchos, completa exatos 254 anos da sua fundação por 60 casais açorianos, ocorrida lá no distante ano de 1772, e com o pomposo e extenso nome de Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais.


Já no ano seguinte, 1773, a freguesia torna-se a capital do Continente de São Pedro do Rio Grande. O título de Capitania, só em 1807, pela carta-patente de 19 de setembro.


Essa questão de datas festivas sempre gera confusões, a tal ponto de o prefeito José Loureiro da Silva (1893-1961), que foi prefeito em duas gestões, ter, na sua primeira passagem pelo Paço Municipal, de 1937 a 1941, festejado o bicentenário da cidade em 1940.

A questão é que ele e seus assessores, inclusive historiadores de nomeada, usaram como referência uma interpretação histórica de que a cidade teria surgido em 5 de novembro de 1740. É que, nessa data, Jerônimo de Ornellas recebeu de Portugal uma sesmaria no Morro de Santana. Então, a data foi oficialmente considerada como o ‘marco histórico da fundação’.

Depois, foi revisada a partir das reclamações de outros historiadores.


Eu, particularmente, não acho que tenha havido erro, pois a mim é uma questão de critério. A minha Taquari, por exemplo, resolveu fixar a data do município em 04 de julho de 1849, quando foi elevada à condição de Vila (município), mas na realidade, como povoado, Taquari foi fundada em 1764, oito anos antes que Porto Alegre. Viamão, ao qual a área onde hoje situa-se a Porto Alegre estava abrangida, foi fundada como povoado em 1741.  

Voltando, em 1772, Porto Alegre foi fundada como ‘freguesia’. (A ordem era; marco, feitoria, arraial, povoado, freguesia, vila, e cidade.)

Sua elevação à condição de vila só ocorre 37 anos depois, em 1809, a partir da Provisão Real de 07 de outubro desse mesmo ano.

É com esse status de vila que o Porto dos Casais adquire o direito de ter: câmara municipal, cobrar impostos, possuir cadeia, pelourinho, etc.

Coincidente à elevação do Porto dos Casais, mais três povoados também o são: Rio Grande, Rio Pardo e Santo Antônio da Patrulha.


Com essas quatro vilas, o ex-continente de São Pedro do Rio Grande do Sul torna-se independente, administrativa e judicialmente, agora com o título de Capitania de São Pedro, sendo o seu primeiro governador e capitão-general o Brigadeiro D. Diego de Souza, empossado em nove de outubro de 1809.

Esses 60 casais açorianos, e muitos outros, tinham vindo em 1752, da vizinha Santa Catarina, com o objetivo de ser ‘o nobre sangue lusitano’ que iria povoar as terras das Missões Jesuíticas, trocadas com os espanhóis, e que ficaram com a posse da Colônia de Sacramento, um ‘estorvo’ português às margens do Rio da Prata, isso em decorrência do Tratado de Madri, de 1750.

Em decorrência da Guerra Guaranítica e da invasão de Ceballos em 1763, houve atraso nas distribuições das datas de terra aos ilhéus colonos, os quais ficaram arranchados provisoriamente às margens dos lagos Guaíba e Patos e de alguns rios da região, o que provocou insatisfações, rebeliões e, triste, a mão pesada das autoridades portuguesas.

Os ilhéus tinham todas as razões para se rebelarem, pois tinham vindo das distantes ilhas com gordas promessas das autoridades reinóis de receberem datas de terra, ajuda de custo, ferramentas, sementes, animais, etc., e estavam deixados, passados quase 20 anos, ao mais abjeto léu.

Frequentemente sou questionado por estudantes e amantes da história da formação do nosso estado em relação aos legados deixados pelos açorianos. Não é uma resposta fácil.

Afinal, são mais de 250 anos. As brumas do tempo são severas, como sabemos!

Mas sempre é possível dizer-se alguma coisa, vamos lá então:

O principal pra mim, e o mais visível, é o fato de grande parte da nossa população ter um pezinho firme nos açores.

Como parâmetro, os livros de história afirmam que de cada quatro norte-americanos, hoje em dia, um deles descende do grupo dos 120 colonos puritanos que lá chegaram em 1620.

Por aqui, li em algum lugar que neste momento olvido, chegamos próximos a 75% da população, pois os açorianos, sabemos, amalgaram-se geneticamente com negros, índios, italianos, alemães, poloneses, sírios, libaneses, poloneses, judeus, ergo...

Também temos, mesmo que sejam, em alguns casos, quase traços:

a)    Na culinária, vários tipos de preparo de peixes, o ‘fervido’, prato muito comum aqui na minha Taquari e em outros núcleos habitacionais açorianos;

b)    Na dança e na música: a dança do pau de fita, a dança do pezinho, a chimarrita, o balaio, o tatu;

c)    Na religião: a festa do Divino Espírito Santo, o Terno de Reis; o uso de enfeites com serragens no Corpus Christi, as benzedeiras;

d)    Na arquitetura, as nossas igrejas bem simples num estilo barroco colonial;

e)    As rendas de bilros;

f)     Aí em Porto Alegre, o nome dos bairros Moinho de Ventos e Azenha, derivados do trigo e das oliveiras, seu plantio e sua moagem ou extração;

g)    Aqui em Taquari, os cítricos, cujas sementes vieram guardadas nas pregas dos vestidos das colonas;

h)   Na linguagem e nas falas: o ‘des’, ao invés de desde (muito usado na obra maior do Erico Veríssimo, O Tempo e O Vento); ‘alambrar’, ao invés de lembrar; ‘fema’, mulher bonita; ‘tás’, ao invés de estás; ‘atoleimado’, ao invés de bobo, tolo; ‘bicha’, ao invés de fila.

i)     Por fim, listo alguns nomes típicos açorianos derivados dos migrantes europeus que ajudaram a colonizar o arquipélago a partir de 1450, e que muitos pensam serem nomes portugueses, mas não o são: Rosa (Roosen), Dutra (De Hurtere), Silveira, Terra, Paim, Bittencourt, Goulart, Brum e muitos outros.

Como diz o poeta Fogaça, em sua belíssima canção-ode: Porto Alegre é demais!

Parabéns a esse alegre povo que a cada ano torna a ressoar o distante eco das algaravias desses primevos 60 casais ilhéus açorianos.


Festejar – é preciso!

29 comentários:

  1. ATÉ TU BRUTUS?

    Filho de Nunes Marques, de 25 anos, foi pago por consultoria que recebeu R$ 18 milhões do Master e da JBS
    Banco e gigante das carnes deram valores astronômicos à Consult, empresa que declarava faturamento de R$ 25 mil. Kevin Marques é advogado, recebeu R$ 281 mil, e na internet diz ter registro na OAB há um ano.

    m relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) acendeu o alerta sobre movimentações financeiras envolvendo o Banco Master, a gigante JBS e o advogado Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, filho do ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os documentos revelam que uma empresa de consultoria, com faturamento declarado de apenas R$ 25,5 mil, recebeu repasses que somam R$ 18 milhões em menos de um ano.
    FONTE:
    https://www.estadao.com.br/politica/master-e-jbs-repassaram-r-18-milhoes-a-consultoria-que-pagou-filho-de-nunes-marques/

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    1. Eu não tenho Ministro de estimação.

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    2. O STF não vê problemas em julgar causas onde tenham familiares advogando. É o que temos.

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  2. Dentre as besteiras que se vê, outro dia o comentarista JB do Debate Raiz saiu-se com essa:” a partir do início dos anos 2000 a Globo resolveu colocar os jogos no Domingo pq estava perdendo audiência para a Bsnheira do Gugu pq antes o tradicional eram jogos aos sábados “! Será que ele nunca leu um jornal para ver que desde os primórdios do futebol brasileiro os jogos tradicionalmente eram aos domingos a tarde!

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    1. Quem fala besteira é você. Sim. Nós anos 90 a Globo colocava suas transmissões de futebol aos sábados a tarde. Somente nós anos 2000 é que a transmissão foi para os domingos.

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    2. Nossa! Essa é de uma imbecilidade petrificada.

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    3. Na verdade, houve várias fases. Quando surgiu a Copa União, em 1987, havia jogos aos sábados e domingos. Quando a Band teve a exclusividade, em 1990/1991, o jogo da tevê era às segundas. Mais alguns anos e, em 1995, o jogo era às 18h de domingo, ao menos na Globo, que em 1997 chegou a tentar o horário de sábado à noite. Depois disso, parece que o domingo à tarde foi realmente consolidado de vez na emissora.

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    4. Nada disso, 11:12. Os jogos sempre foram preponderantemente aos domingos.

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  3. Dentre as besteiras que se vê, outro dia o comentarista JB do Debate Raiz saiu-se com essa:” a partir do início dos anos 2000 a Globo resolveu colocar os jogos no Domingo pq estava perdendo audiência para a Bsnheira do Gugu pq antes o tradicional eram jogos aos sábados “! Será que ele nunca leu um jornal para ver que desde os primórdios do futebol brasileiro os jogos tradicionalmente eram aos domingos a tarde!

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    1. No final dos anos 60 Milton Nascimento já cantava "Brasil está vazio nas tardes de domingo"

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    2. Essa foi uma das maiores bobagens ditas nos últimos tempos. Por isso, não dá para levar a sério esses novos comentaristas.

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  4. João Paulo, muito bom, conseguiu acrescentar detalhes pouco conhecidos a esta história centenária.

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  5. E você assistindo.....

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  6. Aos, just like me, aposentados pela Previdênci Social: '
    (...) Em 2025, os GASTOS COM BENEFÍCIOS atingiram a cifra de R$ 1,03 trilhão (12% do PIB) e para fechar a conta, o TESOURO NACIONAL (e não os CONTRIBUINTES DA PREVIDÊNCIA) precisou DESEMBOLSAR A QUANTIA DE R$ 320,9 BILHÕES, ou seja R$ 7,1 BILHÕES A MAIS QUE O ANO ANTERIOR.

    * Informação do Gilberto S. Pires.

    O Endividamento público vai explodir, algo, grave!, vai ocorrer bem proximamente. Uma solução seria parar de transferir recursos do caixa para 'bolsa isso, bolsa aquilo, bolsa aquilo outro', mas este governo certamente nada fará. Vai deixar tudo explodir! Triste!

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    1. A bomba do endividamento público desse governo suíno vai cair no colo do Flávio Bolsonaro. Depois que ele limpar a casa com creolina, não se reelege, e voltam os porcos para fazer merda e saquear a dispensa.

      Triste sina desta republiqueta bananeira.

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    2. Até lá a natureza já terá feito seu trabalho.

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    3. Deus te ouça, 14:23, mas a natureza terá que agir com mais de um.

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    4. Para o Sidônio - 11:45.
      Esse é o procedimento-padrão petista.
      Criticam até não poder mais. Sabotam quem governa, de todas as formas possíveis, honestas e principalmente desonestas.
      Assumem o poder e destroem com tudo. Saem de fininho e começam a sabotar e criticar quem os substitui, até que seja recomposto o antes destruído. Retornam cheios de pompa, dizendo que "tem como melhorar". E o povinho acredita e recoloca os mequetrefes no poder, de novo.
      É um ciclo vital dos "brazilêru"!

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  7. Começa a faltar combustíveis. Para o sabor de socialismo ficar mais completo, só falta o racionamento de papel higiênico, o que não aconteceu ainda porquê não temos uma HigiênicoBras.

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    1. Calma, que a refinaria Abreu e Lima está quase pronta.

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    2. Abreu e Lima e o Comperj foram dois dos maiores escândalos de roubalheira da era petista. Como não deu nada, nem cadeia nem perda de votos, aos poucos este tipo de "investimento" vai sendo retomado. E ai do fascista que pedir a privatização da Petrobrás!

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    3. Zé Dirceu já dizia: "a Petrobrás é nossa". Depois parte dos brasileiros entendeu o verdadeiro significado...

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    4. Petrobrás e o Correio foram as estatais mais saqueadas pela quadrilha petista. E na hora de privatizar, o Bolsonaro arregou. O bolso do contribuinte não para de sangrar.

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    5. Bolsonaro colocou generais para comandarem essas estatais. Em pouco tempo, eles já estavam mancomunados com os funças e ajudaram a sabotar qualquer iniciativa de privatização. Isso já foi um prenúncio do que estava por vir em termos de trairagem.

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    6. Irretocável, 21:04!

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  8. Acima, 11:45, onde se lê dispensa, leia-se despensa.

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  9. Retificando as datas de José Loureiro da Silva: Porto Alegre, 1902 - Porto Alegre 1964.

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    1. Loureiro da Silva, Thompson Flores e Villela fizeram mais por Porto Alegre do que todos os outros juntos.

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