NESSA SEXTA
a cesta do João Paulo
JOÃO PAULO DA FONTOURA é de Taquari-RS. É escritor e historiador diletante, membro da ALIVAT – Academia Literária do Vale do Taquari, titular da cadeira nº 26. Autor do livro biográfico "Costa e Silva", edição 2025
dos mísseis em Cuba
Pessoal,
Em 1945, os Estados Unidos, a partir do Projeto Manhattan, desenvolve sua terrível e mortífera arma nuclear, a arma de fim do mundo.
Quatro anos após, a então URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), liderada pela Rússia, avisa ao mundo que também desenvolveu e já possui operacional o mesmo tipo de bomba.
Como os russos a conseguiram tão rápido?
Obviamente, todo o cuidado e o segredo do projeto americano foi quebrado pelos próprios cientistas que o desenvolveram, pois, sabemos, já naquela época os grandes centros universitário americanos possuíam em seus seios grande número de ‘simpatizantes comunistas’, que deram um jeito de contrabandear os dados do projeto aos seus símiles russos. Também, vamos deixar claro, alguns tinham a consciência de que precisavam ‘equilibrar o jogo’, pois manter tamanho conhecimento com um só lado era perigoso demais!
Nos dias atuais, podemos afirmar que há no mundo em torno de 13 mil ogivas nucleares, entre as clássicas bombas de fissão nuclear (as lançadas sobre o Japão em 1945) e as termonucleares ou bombas de Hidrogênio, terrivelmente destrutivas, sendo 1000 vezes mais potentes que as de fissão nuclear. As bombas H são tão potentes, que usam como detonadores uma clássica bomba de fissão nuclear.
Hoje, nove países as possuem: EUA, Rússia, China, França, Inglaterra, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte.
Já a partir de 1949, lá no início da era atômica, ativistas e entidades internacionais preocupados com uma hecatombe nuclear, desenvolveram uma representação visual como metáfora do fim-do-mundo: um relógio com seu ponteiro principal movendo-se e aproximando-se da ‘meia-noite’, a representação do final da humanidade, o chamado Relógio do Juízo Final. Este relógio físico é mantido nos escritórios da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos
Bom, feita esta necessária introdução, vamos ao episódio tela deste meu texto sobre a hoje já icônica Crise dos Mísseis de outubro de 1962, sem dúvida alguma, o episódio que fez com que o ponteiro do Relógio do Fim do Mundo tivesse chegado mais próximo, a milímetros, da fatídica meia-noite.
‘As tensões mundiais no ano 1962 não foram nada pequenas, muito pelo contrário: a partir de abril deste ano, Chang Kai-chek, presidente da China Nacionalista (Ilha de Formosa, hoje Taiwan), a partir de grave crise no governo da República Popular da China, de Mao Tsé-Tung, resolveu que era a oportunidade de invadir o continente e derrubar o regime comunista. Então, a China deslocou tropas para a Costa do Pacífico e fez com que o governo americano emitisse um alerta: só vamos interferir na crise para garantir a defesa de Formosa se atacada pelos chineses continentinos. Passada a crise, a China agora – em 20 de outubro deste 1962 – resolve invadir a Índia pela fronteira do Himalaia (região conhecida como Himalaia do Sul), e faz com que os indianos peçam ajuda militar aos americanos. Após o cessar-fogo, Estados Unidos e Inglaterra fornecem equipamentos de defesa aérea à Índia.
(aqui, deixemos bem claro, a China era sabedor da crise dos mísseis no Caribe, da iminência de uma 3ª Guerra Mundial – atômica – e agiu consciente, milimetricamente cronometrada, para obter êxito em sua intenção!)
Estes dois eventos foram uma espécie de sala de espera para algo maior, tenso, com um real potencial de guerra entre as duas maiores potências da época, Estados Unidos e URSS, e que envolvia mísseis nucleares às portas da Costa Leste da nação americana, na ilha de Cuba, pouco mais de 150 quilômetros da costa da Flórida.
Em 16 de outubro, não bastassem os problemas na Ásia, o presidente Kennedy é alertado pelo serviço de inteligência de que os soviéticos haviam instalado mísseis em Cuba.
A terrível e complexa crise gerada pelos soviéticos é reconhecida como um dos momentos mais tensos da Guerra Fria, a disputa político-ideológica travada por Estados Unidos e União Soviética ao longo da segunda metade do século XX e a que colocou o ponteiro do relógio do fim do mundo mais próximo da meia-noite nuclear.
Na primeira quinzena de outubro, o 35º presidente John Fitzgerald Kennedy é alertado pelo serviço de inteligência, a partir de fotos tiradas por aviões espiões, da presença adiantada da instalação de mísseis nucleares em Cuba. As ogivas ainda não estavam em Cuba. É instalado um comitê de crise com os membros do Conselho de Segurança Nacional.
Em 22 de outubro, Kennedy informou a situação para os líderes do Congresso e para líderes de países aliados, como Canadá, Inglaterra e França.
Às 19h, Kennedy realizou um discurso televisionado para todo o país informando os norte-americanos sobre a crise e afirmando que qualquer míssil lançado de Cuba sobre qualquer nação americana seria considerado um ataque direto da União Soviética. Por fim, ele informou que um bloqueio naval temporário havia sido estabelecido para evitar que mais mísseis soviéticos chegassem a Cuba.
Negociações entre autoridades soviéticas e norte-americanas se iniciaram, envolvendo embaixadores e a troca de telegramas entre Kennedy e Kruschev. O embaixador dos Estados Unidos na Turquia informou ao presidente norte-americano que a retirada dos mísseis da Turquia era uma das exigências soviéticas. Em um telegrama enviado a Kennedy, Kruschev afirmou que os navios soviéticos não levavam armas e que não respeitariam o bloqueio imposto. O líder soviético ainda exigia que os Estados Unidos retirassem seus mísseis da Itália e Turquia e que se comprometessem a não invadir Cuba.
O dia 27 de outubro foi o mais tenso da Crise dos Mísseis de Cuba!
Por isso foi chamado por autoridades dos Estados Unidos como ‘sábado negro’.
Na manhã desse dia, um relatório informou Kennedy que a maior parte dos mísseis em Cuba estava pronta para lançamento e que os militares cubanos estavam preparados para resistir a uma invasão dos Estados Unidos.
Em uma fala à Rádio Moscou, às 9h, Khruschev exigiu que os mísseis norte-americanos fossem retirados da Itália e Turquia, para que os soviéticos retirassem seus mísseis de Cuba.
Por volta das 12h, um avião espião norte-americano em missão secreta, pilotado pelo major Rudolf Anderson, foi abatido sobre Cuba e o major morreu na queda da aeronave. A morte do oficial tornou ainda mais tensas as duras negociações.
Ainda no dia 27, um submarino soviético B-59 perdeu a comunicação por rádio quando estava próximo de Cuba. Um navio norte-americano identificou-o e passou a jogar cargas de profundidade com o objetivo de advertir a tripulação soviética.
Sem comunicação, parte dos tripulantes acreditava que a guerra havia começado. Pelas normas soviéticas, os três militares de maior patente deveriam autorizar o uso das armas nucleares do submarino; dois deles, pensando estar em guerra, autorizaram. Apenas Vasili Alexandrovich Arkhipov foi contra, evitando assim uma guerra nuclear.
Logo depois a comunicação foi restabelecida com as autoridades soviéticas, e os tripulantes foram informados de que a guerra não havia começado.
Vasili Alexandrovich Arkhipov é considerado o homem que salvou o mundo de uma guerra nuclear.
Após 13 dias de tensas negociações, um acordo foi estabelecido entre norte-americanos e soviéticos. Os mísseis instalados na Turquia e Itália foram retirados pelos Estados Unidos, assim como os mísseis soviéticos foram retirados de Cuba. Kennedy ainda prometeu às autoridades soviéticas que não tentaria invadir Cuba outra vez. ’
Que tal, alguém sabia que nós estamos aqui lendo este texto apenas por ‘detalhes’?
Os eventos acima e a estratégia praticada pelo presidente Kennedy e seu comitê de crise são utilizados em cursos, seminários, aulas de alta administração como exemplos de como administrar uma crise – que pode ser política, como no caso, ou mesmo corporativa, esportiva, religiosa, etc.
Eu participei de seminários corporativos, nos quais, em regra, havia sempre um filmete sobre o episódio, seguido de debates. O foco sempre foi o de enaltecer/louvar a estratégia do presidente Kennedy (a quem sempre admirei com um estratego quase perfeito) e a seu comitê de notáveis, seguido de debates acalorados.
Acho que a decisão do presidente foi errada, e muito! O certo, a meu ver, seria ele ter seguido o conselho dos militares – que faziam parte do comitê – e ter bombardeado o sítio dos mísseis em Cuba, um bombardeio ‘pontual’. O não pragmatismo, o ato de tergiversar, dar espaço e tempo ao líder russo e seus generais, tentar acomodar a crise, por SORTE, uma questão de 'ACASO' não gerou, como vimos pelo texto acima, uma hecatombe nuclear e o fim da humanidade.
É isso, pessoal!

























