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Alfredo Octávio: o maior jornalista do Brasil
NESSA SEXTA
a cesta do João Paulo
JJOÃO PAULO DA FONTOURA é de Taquari-RS. É escritor e historiador diletante, membro da ALIVAT – Academia Literária do Vale do Taquari, titular da cadeira nº 26. Autor do livro biográfico "Costa e Silva", edição 2025
- Hino da Legalidade -
Avante, brasileiros, de pé!
Unidos pela liberdade,
Marchemos todos juntos com a bandeira
Que prega a lealdade!
Protesta contra o tirano
E recusa a traição,
Que um povo só é bem grande
Se for livre sua Nação!
Caros leitores, dias atrás, precisamente dia 10, uma quarta-feira, eu – como de hábito – entro no blog do Prévidi para ver as postagens quase sempre porradas, socos no estômago, polêmicas ao limite! Então, vejo um texto, no ‘padrão Prévidi’, muito legal sobre Pereio, Brizola, Tarso de Castro, Costa e Silva, falando da Legalidade e do Hino da Legalidade, de 1961, da feitura do hino, mas da lavra de um escritor de nome Tom Cardoso, o qual, honestamente, desconhecia (mas o problema sou eu, não ele, pois tem livro biográfico já editado e à venda do escritor e boêmio Tarso de Castro). Gostei tanto do texto, que resolvi postar uma mensagem no espaço do blog.
Motivos para eu ter gostado do texto havia muitos, mas – principalmente – o vocativo referente ao hino em si, inclusive com a postagem da letra. Pra mim é difícil de explicar, talvez seja a marca de um momento importante da nossa história, a tensão de uma possível guerra civil, etc., sei lá!, mas eu nunca consegui tirar da cabeça a letra e a melodia desse hino e dos fatos, curiosos, relacionados à sua feitura, tipo, ‘como pode o Pereio ter feito a melodia do hino se não tocava nenhum instrumento, no máximo batucava dedos em mesas de bares boêmios da Porto Alegre e do Rio de Janeiro?’
Já no dia seguinte, dia 10, recebo uma ligação de um leitor do blog da cidade de Nova Petrópolis, da nossa Serra, entusiasmado com o assunto e sabendo tudo da poetisa que havia escrito a letra (eu até então achava que a letra era do Pereio e a Laura de Lemos havia composto a melodia). Deu-me uma série de dicas sobre a poetisa, mostrou-me um conhecimento apurado do Costa e Silva e, para meu prazer, marcou uma visita a Taquari para conversarmos sobre os eventos de agosto de 1961, sobre o hino, sobre Costa e Silva, e adquirir o meu livro/biografia do ‘Costa e Silva’.
Como muitos dos leitores não têm idade para ter alcançado esta página da história brasileira, resolvi escrever alguma coisa que sei de memória e outras que procurei informar-me em livros e na web.
Movimento da Legalidade, agosto de 1961,
Vejam abaixo um inserto do meu livro ‘Costa e Silva’, no qual falo da crise institucional gerada pela renúncia à presidência feita por Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961. O ato ocorreu de forma inesperada com o envio de um curto bilhete ao Congresso Nacional, onde ele alegava estar sofrendo pressão de ‘forças terríveis’ que o impediam de governar. Esse episódio encerrou um mandato de pouco menos de sete meses e mergulhou o país em uma grave crise política.
(...) Eu vivi o início da minha adolescência por essa época. Ergo, posso afirmar que sou uma testemunha ocular e auditiva desses eventos. Meu pai, um líder sindical bastante ativo, possibilitou-me vivenciar noites de vigília na sede do sindicato nos dias tensos que se sucederam à demissão intempestiva do doidivanas Jânio Quadros, em agosto de 1961, e a reação sulina montada pelo governador gaúcho Leonel de Moura Brizola, que, com a adesão do III Exército, chefiado pelo general José Machado Lopes, organizou aqui um movimento pela legalidade, ou seja, quem deve assumir a Presidência na vacância do cargo é João Goulart, vice-presidente constitucionalmente eleito.
Sou, portanto, testemunha da terrível situação em que nosso Brasil vivia. Diria mais, insustentável a ponto de explodir a qualquer momento. Esses 12 dias que abalaram a nação, e que trariam graves consequências na já tão instável política nacional, dias da tensa ‘Cadeia da Legalidade’, foram dias marcantes de medo, angústia, incerteza pelo vindouro.
A crise foi parcialmente mitigada com a solução-tampão encontrada pelos políticos, e que teve a (necessária) anuência do Exército: Goulart governaria o país, mas num regime parlamentar – e que só durou até janeiro de 1963, quando voltou, por plebiscito, o presidencialismo puro.
A feitura do hino e seus compositores,
Dizem que foi o governador Brizola (Leonel de Moura Brizola – 1922-2004), que liderava o Movimento a partir do Palácio Piratini e do prédio ‘Mata-borrão’, que ficava (foi demolido) na Borges de Medeiros, quem pediu, pessoalmente, ao Pereio, gaúcho de Alegrete (Paulo César Pereio – 1940-2024), para compor um hino em homenagem ao Movimento pela Legalidade’.
Missão dada, missão cumprida!
O Governador havia montado a ‘Rede da Legalidade’, através da Rádio Guaíba, que à época era o ‘canhão do Rio Grande’, requisitada na marra e instalada nos porões do Palácio Piratini.
A gente saía à rua e ouvia, ressoando nos velhos rádios valvulados das casas, os discursos candentes e abrasivos do Brizola (‘pois que venham, pois que venham...’, inticando os militares, cujos exércitos já estava margeando o Mampituba!), coreografados pelo som do hino em tons que subiam e desciam alternadamente. Em meros quatro dias de audição, tinha virado um mega-hit. A letra original, depois modificada, falava em ‘gaúchos’ e ‘legalidade’,
Pereio, ator de teatro, cinema e tv, à época, um jovem de 21 anos, não era músico nem mesmo tocava um instrumento qualquer, no máximo, como dito adrede, batucava dedos em mesas de bares de boêmios. Mas, no fervor da situação, simplesmente começou a cantarolar algo que se aproximava de uma marcha (que posteriormente ele disse ter se baseado na Marselhesa, mas ele enganou-se, pois sua mente baseou-se mesmo em marchas do tipo o ‘Hino do Exército’, mais vibrante e forte que a cadenciada Marselhesa).
Junto ao jovem Pereio estava uma poetisa já relativamente conhecida no meio cultural de Porto Alegre, Lara de Lemos, nascida em 1923, que escrevia, rabiscava, apagava e escrevia novamente versos, belos versos, versos imortais.
Essa cria conjunta, testemunhada por outros membros, todos reunidos na sede de um grupo de teatro de Porto Alegre, teve gestação quase que instantânea, de uma simplicidade singular; partitura, nem pensar!, transformou-se em um hino belo, marcante, imortal!
E eu sou uma prova, vira e mexe o estou cantarolando. Minha esposa, professora estadual aposentada, disse-me que nos eventos do CPERS – Sindicato dos Professores do RGS – o hino é sempre entoado!
Além desses dois autores, também ocorre, em forma de participação, o nome do jornalista, radialista, poeta e compositor musical Demósthenes Gonzalez, que traduziu a obra desses dois notáveis ‘amadores’ em forma de arranjo para a posterior (e urgente) gravação em fita e depois em vinil.
Vou terminar, falando um pouquinho do Brizola, um político que, mesmo morto já há mais de 20 anos, continua presente nos debates do dia-a-dia da política brasileira, mormente nos dias (tristes) em que vivemos.
A eterna questão: Brizola foi anjo ou demônio? Pra mim, que curto e adoro a história, nenhum dos dois e os dois ao mesmo tempo, ou seja, foi um ser político ao extremo, sem meios-termos, produto de sua época, do contexto, das circunstâncias...
Uma das coisas que me deixa triste, muito, é a questão de como os políticos tratam temas importantes como, por exemplo, as trágicas e recorrentes enchentes em nosso estado.
Se uma cheia, como a de maio de 2024 retornar, adeus, Rio Grande do Sul!
A última quase acabou com o Vale dos Sinos, com o Vale do Taquari, com grande parte de Porto Alegre, principalmente o 4º Distrito, e nada, absolutamente nada foi feito. Precisamos – urgente, para ontem – de um programa de investimento em proteção e prevenção, pra valer. Vai custar, se for sério, mais de 20 bilhões de dólares, ou uns 100 bilhões de reais.
Isso, constitucionalmente, é da responsabilidade da União. Mas, o nosso atual Governador é um fingidor que finge que cobra, e o Executivo Federal é um fingidor que finge que atua.
De fato, estamos quase no ‘zero’. Os parcos investimentos são perfumarias, cosméticos", nada mais!
And, what if?
E se o governador atual fosse um redivivo Leonel de Moura Brizola?
Respondo: estava instalada uma nova "Legalidade".
Brizola era de certa forma avesso aos flashes dos jornais, tevês, mídias em geral, que não o curtiam muito, pois, "radical".
Os atuais, mais pavões que políticos, adoram!
É isso, amigos!!


