Segunda, 15 de agosto de 2022

 


NÃO LEVE A SÉRIO
QUEM NÃO SORRI!




Escreva apenas para


MUDANÇA NOS COMENTÁRIOS:
CHEGA DE MACHÕES ANÔNIMOS

Todos podem fazer críticas, a mim, a qualquer pessoa ou instituição. Desde que SE IDENTIFIQUE. Não apenas com o primeiro nome. Claro que existem pessoas que conheço e que não necessito dessas informações. MAS NÃO VOU PUBLICAR CR[ÍTICAS FEROZES OU BRINCADEIRAS DE PÉSSIMO GOSTO. NADA DE OFENSAS, NEM ASSINANDO!! 

E não esqueça: mesmo os "comentaristas anônimos" podem ser identificados pelo IP sempre que assim for necessário. Cada um é responsável pelo que escreve.





19 ANOS DO BLOG (ANTES, SITE)

O Paulo Guerra lembrou desse "concurso"
feito há 12 anos. Não lembrava. E nem
tenho a menor ideia dos vencedores


Em 13 de agosto de 2003 saiu o registro do previdi.com.br. Comecei na brincadeira, postando só piadinhas. Aí pedi para o meu filho, Gustavo, que já mexia com internet e sites, fazer uma página para mim, um negócio que iria tentar atualizar todo dia. 

Como acompanhava tudo de jornalismo, comecei a fazer elogios e críticas - e as críticas irritavam muita gente. Aí eu gostei, porque me passavam muitas informações que ninguém publicava. Entraram também posts de política e de assuntos gerais.

Um dia entrei num almoço, numa dessas entidades, e várias pessoas vieram me falar que me acompanhavam. Onde eu ia me falavam que gostavam do site. Comentei com o meu filho que não acreditava que as pessoas me liam. Ele colocou um contador de visitas e eu me apavorei. Centenas de pessoas entravam logo depois do meio-dia, na hora que eu atualizava.

Ao mesmo tempo, os banners começaram a aparecer e eu contei com os amigos. Lembro especialmente do querido Celito de Grandi, que da Secretaria de Comunicação do governador Germano Rigotto, sempre me colocava nas campanhas do Governo.
Já vivia do site e de alguns "fris".

Mais tarde me iludi com as milhares de visitas. Por apenas um motivo: dava pau direto na RBS. Tudo era motivo para um pau nos "comedores de sucrilhos com  nescauzinho" e as visitas só aumentavam. Resultado? Quando me dei conta não tinha mais patrocínios e resolvi me reciclar. Parei e mudei. Não deixei de criticar o maior grupo de comunicação do RS, mas ampliei o foco.

Perdi leitores, os patrocínios voltaram e fiquei com leitores relevantes no RS e em todo Brasil (nem vou me referir aos de outros países, também fiéis).

Nesses 19 anos tive muitas alegrias, 3 ou 4 processos e algumas pessoas que não gostam de mim e do meu trabalho. Mas estes são uma minoria insignificante.
Quer saber? Já anunciei que iria parar com o Blog, mas, acreditem, eu não consigo. Sempre vou estar por aqui. OK, até quando a minha saúde permitir (até agora, aos trancos e barrancos, o velhinho continua firme).
Ah, e logo vou editar "OS 2 MINUTOS COM O PRÉVIDI".





CONSELHO EDITORIAL PARA
RATIFICAR ANTI-BOLSONARISMO?

Antes de comentar a criação do Conselho Editorial "para qualificação do jornalismo nos veículos da RBS", quero deixar bem claro que não pego jacaré na onda de ninguém. Elogio ou critico quem eu bem entender, não como na mão de donos da verdade. Por isso já elogiei FHC, Temer, Bolsonaro e até mesmo Lula. Hoje, por não ser defensor do "Fora...!", me chamam de bolsominion. HAHAHAHA!!!! Dou risada dessa gente. Para terem uma rápida definição do Blog do Prévidi reafirmo: EU SOU APENAS UM ANTI-PT! Com amigos de várias matizes.

1 - A partir de hoje o Conselho deve orientar
as redações a sempre identificar criminosos - 
Bolsonarista, Lulista, PCC, etc.

2- Quando pintaram, na entrada do Túnel da Conceição,
um "Bolsonaro genocida assassino" não vi no
Zero Hora matéria a respeito


Mas li na capa do gauchazh que "RBS lança Conselho Editorial para qualificação do jornalismo". Assim mesmo com o "C" e o "E" em maiúsculo e o "j" em minúsculo.
Na real, vocês sabem o que é um conselho editorial, né? Um monte de gente que dá palpite sobre uma publicação, sem a menor ideia de como se faz o produto final. O pessoal da redação diz que eles são geniais e não fazem absolutamente nada do que sugerem.
O Conselho Editorial da RBS é formado por alguns personagens óbvios.
Os obrigatórios: Nelson Sirotsky (dono), Marta Gleich (diretora de jornalismo), 
Rodrigo Müzell (RBS TV) e Claudio Toigo (a voz do dono).
Ex-bola cheia da RBS: Marcelo Rech (aposentado, foi tudo na RBS), Anik Suzuki (trabalhou anos na RBS, hoje faz sucesso no mercado de consultoria).
Para completar a tchurma: Ricardo Gandour (?, jornalista e engenheiro), José Galló (ex-Lojas Renner) e William Ling (milionário).
Nove figuras de respeito, sem a menor dúvida. Todos com currículo.
OK, OK.
Aí fui ler a matéria sobre o Conselho Editorial.
Uma cascata de altíssimo nível.
Alguns exemplos:

"...A iniciativa marca uma aproximação maior de Nelson Sirotsky do jornalismo da empresa. Nelson volta a ser o publisher – a figura responsável pela linha editorial e pelo fortalecimento a médio e longo prazos do jornalismo da RBS em televisão, rádio, jornal e digital."

"...o Conselho Editorial se reunirá para debater temas como coberturas relevantes (como a das eleições de 2022, pauta do primeiro encontro), opinião e informação, qualidade, responsabilidade da atividade, transparência junto aos públicos, liberdade de expressão, questões éticas, impacto do mundo digital no jornalismo, redes sociais, transformação no consumo de mídia e muitos outros."

"Grandes produtores de conteúdo do mundo todo têm, como uma boa prática, a manutenção de um Conselho Editorial com integrantes internos e externos, que discute em profundidade questões ligadas ao seu jornalismo, sempre com o objetivo de qualificar a atividade e atender de forma ainda melhor o público."

"...Todo o conteúdo produzido pelo Conselho Editorial estará em uma página de GZH, que pode ser acessada em gzh.com.br/conselho-editorial."

Só fiquei com uma dúvida: Qual será o jeton ou cachê dos conselheiros? Todos vivem no RS? Me digam, um executivo top participa de um conselho desses, a troco de quê? Os funcionários, tudo bem, mas os demais?
Não intindi  muito bem a função do doutor Nelson, como ele vai agir nos veículos do grupo?
...
Posso estar errado, mas querem apenas oficializar o apoio, até a eleição, o caráter anti-Bolsonarista dos jornalões do Rio e São Pulo, todos comandados pela globo e FSP. Aliás, faz tempo que a RBS passa os dias reproduzindo, com pequenas mudanças, as manchetes da FSP.
Os nove aí do conselho, comandados pelo doutor Nelson, vão estar na briga para a eleição de Lula ou algo similar.  Assim terão na certeza de que as gordas verbas publicitárias do Governo federal estarão nas mão "certas". 


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SOB NOVA DIREÇÃO - O jornalista Fernando Di Primio é  o novo presidente o Clube de Opinião. Novos ares, a volta de um espaço democrático, nos moldes de quando foi criado, em 2002.

Conheço o Fernando há mais de 40 anos e ele tem a noção exata de como deve ser uma entidade que deve lidar com todos os matizes  do pensamento.

Muito legal o Clube voltar a ser novamente uma entidade plural.
...
Eu, assim como vários jornalistas, estávamos afastados do Clube desde
 o momento em que só havia espaço para aqueles que se dizem "de direita". Sou anti-PT, mas gosto muito de conversar com esse pessoal e saber o que pensam.

É sempre bom lembrar que o Clube reuniu-se até mesmo com um notório bandido:  Zé Dirceu (se não me engano, uma sugestão da Karim Miskulin). Um encontro histórico foi com o então candidato a governador Tarso Fernando, sobre a sua ânsia em processar jornalistas.

Na torcida, Fernando!!

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DUDU SEMPRE CRITICOU SARTORI - Por essas e outras, Cezar Schirmer pediu desligamento da direção do MDB.
...
Já que o PSDB está terminando no RS, por que  não levam logo o Dudu Milk para o partido e o colocam de presidente e líder máximo?

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POR FALAR EM DUDU - Foi ótimo  xixi que o Onyx deu no Dudu, o  chamando de MENTIROSO várias vezes no debate da Federasul.

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ELES ACHAM QUE FAZEM JORNALISMO

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NOVA MOTOCIATA GAÚCHA - No dia 3 de setembro, Bolsonaro estará no RS. Em conversa com o Sulistas, grupo de motociclistas, o deputado federal Bibo Nunes sugeriu que fosse realizada uma motociata da Expointer, em Esteio,  até a Fenac,  em Novo Hamburgo. A ideia já está definitivamente protocolada para ser inserida na agenda do presidente da República.
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A PROPÓSITO, A CAMPANHA ESTÁ NAS RUAS




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O QUE VÃO INVENTAR? - Amanhã, de manhã, tem debate dos candidatos a governador na Rádio Gaúcha. O que vão inventar dessa vez?
Lembro que teve um debate que os candidatos ficaram dentro de carros.

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CANALHAS!!

Quando colocaram uma placa gigante com "Bolsonaro genocida assassino" não vi nenhum veículo de comunicação "indignado". Agora, com esta fachada aí embaixo, há uma "comoção". CANALHAS!!!


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URUBU BRINCALHÃO? 
Luís Roberto Barroso: “Eu brinquei com ele que eleição não se ganha, se toma”.
Alan Ghani: “Imaginem uma fala dessa do Bolsonaro . No dia seguinte já teriam 300 pedidos de impeachment”.

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REFLEXÃO AUTOMÁTICA
Acredito que a "carta pela democracia", que foi lida na micareta do PT, teve algumas de suas páginas rasgadas, principalmente nas partes em que deveriam repudiar o apoio, inclusive financeiro, a ditaduras como Cuba, Nicarágua e Venezuela, bem como o controle da mídia/internet.
Jair Bolsonaro


AINDA SOBRE A TAL CARTA DE SÃO PAULO

Em resumo: os bancos querem o fim do pix, os sindicatos a volta o imposto sindical,  os artistas a volta da Lei Rouanet, os universitários a volta a maconha livre no campus e os idiotas a volta o ladrão, condenado em três instancias.
...
Mas na real, mesmo, eles querem que Bolsonaro articule um golpe e aí as "forças democráticas" entrariam em ação para "restabelecer a ordem democrática e o estado  de direito". Caso contrário, "esses bravos brasileiros entrariam na clandestinidade e derrubariam "o regime ditatorial".
...
Enquanto isso,  220 milhões de brasileiros continuariam a trabalhar para pagar boletos e as contas obrigatórias.

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FRAUDE NA CARTA! - Paulo Skaf, aquele ex-presidente da Fiesp, garante que não assinou a Cara pela "democracia". Aliás, ele diz que não assinou nenhum manifesto.

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ASSINEI A CARTA 



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ISSO É UM MILAGRE CHINÊS


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TURISMO DE IXQUERDA - A exemplo de Cuba e Venezuela, a Argentina e o Chile, todos socialistas, estão esperando você, turista de ixquerda, para uma visita demorada.
A Argentina é a mais nova estrela socialista do terceiro mundo!!

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LANÇAMENTOS
EDITORA ESCUNA


Breve, informações sobre lançamento e onde comprar.


Enfartei em Portugal - Uma história verídica, do Paulo Palombo Pruss.
PEDIDOS PELO paulopruss@hotmail.com - R$ 45,00
(despesas de Correio incluídas)


O Rei de Bulhufas, do Paulo Motta.
PEDIDOS PELO paulopruss@hotmail.com - R$ 45,00
(despesas de Correio incluídas)



Alfredo Octávio - O maior jornalista do Brasil,
de JLPrévidi - ÚLTIMOS EXEMPLARES
PEDIDOS PELO jlprevidi@gmail.com -
R$ 35,00
(despesas de Correio incluídas)


Um Piano Dentro da Noite, de Marcelo Villas-Bôas.
A venda na Estante Virtual e na Livraria Erico Veríssimo.
PEDIDOS PELO villas.marcelo@gmail.com - R$ 50,00

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SENSACIONAL!!

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PIADINHA

 ANTOLÓGICA!!
(as risadas são melhores do que a piada)


Sexta, 12 de agosto de 2022

 

NÃO LEVE A SÉRIO
QUEM NÃO SORRI!




Escreva apenas para


MUDANÇA NOS COMENTÁRIOS:
CHEGA DE MACHÕES ANÔNIMOS

Todos podem fazer críticas, a mim, a qualquer pessoa ou instituição. Desde que SE IDENTIFIQUE. Não apenas com o primeiro nome. Claro que existem pessoas que conheço e que não necessito dessas informações. MAS NÃO VOU PUBLICAR CR[ÍTICAS FEROZES OU BRINCADEIRAS DE PÉSSIMO GOSTO. NADA DE OFENSAS, NEM ASSINANDO!! 

E não esqueça: mesmo os "comentaristas anônimos" podem ser identificados pelo IP sempre que assim for necessário. Cada um é responsável pelo que escreve.



especial

Nesta sexta, uma cesta
de Cesare Pavese! 



Um dos mais importantes
intelectuais italianos
do século XX


O homem interessa-se tão pouco pelo próximo que até mesmo o cristianismo recomenda fazer o bem por amor a Deus.


Nunca falta a ninguém uma boa razão para suicidar-se.


Defender a ideia de que os nossos sucessos nos são concedidos pela Providência, e não pela astúcia, é uma astúcia a mais para aumentar aos nossos olhos a importância desses sucessos.


Perdoamos aos outros quando nos convém.





Os filósofos que acreditam na lógica absoluta da verdade nunca tiveram de travar uma discussão cerrada com uma mulher.





Cesare Parese é natural de Santo Stefano Belbo, nas Langhe (província de Cuneo), e nasceu em 9 de setembro de 1908. Ainda criança foi viver em Turim. Escritor e poeta, foi um fanático combatente antifascista. Em função da militância foi preso em 1935, por três anos, em Barcaleone (Reggio Calabria). Neste período iniciou a obra O Ofício de Viver.

A sua tese de licenciatura foi sobre o poeta Walt Whitman, e já era razoavelmente conhecido quando, em 1936, publicou o Trabalhar Cansa. Tinha publicado e continuaria a publicar estudos sobre literatura norte-americana clássica e contemporânea, reunidos num volume (La letteratura americana e altri saggi) publicado postumamente em 1951. 

Depois de estudar Filologia Germânica, Pavese trabalhou como tradutor. Traduziu Daniel Defoe (Moll Flanders), Charles Dickens, Herman Melville (Moby Dick e Benito Cereno), James Joyce (Dedalus), Sinclair Lewis, John dos Passos, Gertrude Stein e William Faulkner.

Seu estilo e obra traduzem a influência dos romancistas norte-americanos contemporâneos.  Só nos anos de 1940 conquistou o reconhecimento internacional, com romances que lhe valeram o Prêmio Strega de Literatura: A Praia (1942), O Camarada (1946), O Verão (1949) e A Lua e as Fogueiras (1950). Os principais temas tratados por ele refletem os processos sociais num quadro de convivência entre a cultura rural e a urbana, assim como entre o proletariado e a burguesia.

Colaborou com a revista Culture em 1930, publicando artigos sobre literatura americana e compôs sua coleção de poemas Travailler Fadigue, que surgiu em 1936, ano em que se tornou professor de inglês.

Ele se inscreveu em 1932 a 1935 no Partido Nacional Fascista, sob pressão de seus familiares. 

Esperar é ainda uma ocupação. Terrível é não ter nada que esperar.

Com Constance Downling, sua
última paixão



Em 1939 escreveu o conto Le Bel Été, que só apareceu em 1949, acompanhado de dois outros textos: Le Diable sur les Collines e Entre Femmes Seul.

Após a Segunda Guerra Mundial, Cesare ingressou no Partido Comunista Italiano, instalou-se em Serralunga di Crea, depois em Roma, Milão e finalmente em Turim, trabalhando para as edições Einaudi. Ele nunca parou de escrever durante esses anos, notadamente em 1949 com um romance: La Lune et les Feux . 

Cesare Pavese suicidou-se em 27 de agosto de 1950 num quarto do Hotel Roma, Place Carlo-Felice em Torino, deixando um bilhete na mesa: “Perdoo a todos e a todos, peço perdão. Tudo bem? Não fofoque muito". Ele também deixa ali um último texto: “Chega de palavras. Um ato!"

Ele também manteve um diário privado, publicado sob o título Le Métier de vivre (póstumo), de 1935 até sua morte. Ele também termina com estas palavras: “Tudo isso me enoja. Sem palavras. Um gesto. Não escreverei mais”.

...

Publicado no Brasil pela antiga Cosac Naify, o livro de estreia do italiano Cesare Pavese, Trabalhar Cansa, ganha uma nova edição, agora pela Companhia das Letras. Lançado originalmente em 1936, traz poemas que nascem da observação do cotidiano da cidade.

Ao descrever as paisagens de Piemonte e seus habitantes — camponeses, trabalhadores, prostitutas, ladrões, bêbados e outros personagens da vida comum — em uma poesia apartada de qualquer sentimentalismo ou grandiloquência (sem, no entanto, escorregar em uma falsa espontaneidade realista), Pavese rompeu em definitivo com as tradições da época.

O volume inclui ainda dois textos de Pavese sobre a elaboração de Trabalhar cansa: “O ofício de Poeta”, de 1934, e “A Propósito de Alguns Poemas Ainda não Escritos”, de 1940. Este livro comprova a vitalidade de um dos mais notáveis poetas e intelectuais do século XX.


A bondade que nasce do cansaço de sofrer é um horror pior do que o sofrimento.


Ler, por Cesare Pavese (tradução Cláudia Alves)
publicado em https://www.blogs.unicamp.br/

O artigo Ler (no original, Leggere) foi escrito por Cesare Pavese e publicado pela primeira vez em 20 junho de 1945, no L’Unità, jornitaliano  comunista fundado por Antonio Gramsci, em 1924. Posteriormente, foi recolhido na coletânea póstuma A Literatura Americana e Outros Ensaios, de 1951.
Vale lembrar, em brevíssima contextualização, que após o fim da segunda guerra mundial, assim como dos anos vividos sob o regime fascista, a reconstrução da Itália, em todos os sentidos, passará a ser um tema recorrente entre intelectuais e escritores. A reflexão de Pavese localiza-se, portanto, nesse momento em que as relações entre literatura e sociedade se encontram bastante afetadas pela perspectiva de um país que deverá encontrar maneiras de se reerguer culturalmente (e ideologicamente).


LER

É verdade que não devemos nos cansar de conclamar os escritores à clareza, à simplicidade, à solicitude para com as massas que não escrevem, mas às vezes se instaura a dúvida de que nem todos saibam ler. Ler é tão fácil, dizem aqueles cujo hábito de ler acabou com qualquer respeito pela palavra escrita. Mas quem, pelo contrário, trata de homens ou de coisas mais do que de livros, e sai pela manhã e volta à noite, endurecido, quando por acaso ele se recolhe a uma página, dá-se conta de ter sob os olhos algo difícil e bizarro, esmorecido e ao mesmo tempo forte, que o agride e o encoraja. Seria inútil dizer que este último está mais perto da verdadeira leitura do que o outro.

Acontece com os livros assim como com as pessoas. São levados a sério. Mas justamente por isso devemos nos precaver de torná-los ídolos, isto é, instrumentos de nossa preguiça. O homem que não vive entre livros, e que deve fazer um esforço para abri-los, tem um capital de humildade, de força inconsciente – a única que vale – que lhe permite se aproximar das palavras com o respeito e a ansiedade com que se aproxima de uma pessoa querida. E isso vale muito mais do que a “cultura”; isso é, na verdade, a verdadeira cultura. Necessidade de compreender os outros, caridade para com os outros, que é afinal o único modo de compreender e amar a nós mesmos: a cultura começa aqui. Os livros não são os homens, são meios para alcançá-los; quem os ama e não ama os homens é um presunçoso ou um condenado.

Existe um obstáculo ao ler – e é sempre o mesmo, em todos os campos da vida –, a excessiva segurança de si, a falta de humildade, a recusa a acolher o outro, o diferente. Sempre nos fere a inaudita descoberta de que alguém viu não mais longe do que nós, mas diferentemente de nós. Somos feitos de hábitos mesquinhos. Amamos nos maravilhar, como crianças, mas não tanto assim. Quando o estupor nos impele a sair de nós mesmos, a perder o equilíbrio para reencontrar talvez um outro mais destemido, então enrugamos a boca, batemos o pé, voltamos realmente a ser criança. Mas das crianças nos falta a virgindade, que é a inocência. Nós temos ideias, temos gostos, já lemos livros: possuímos alguma coisa e, como todo possuidor, estremecemos por esta alguma coisa.

Todos nós, infelizmente, já lemos. E como acontece frequentemente de os pequenos burgueses se importarem mais com o falso decoro e os preconceitos de classe do que os ágeis aventureiros do grande mundo, assim o ignorante que leu alguma coisa se prende cegamente ao gosto, à banalidade, ao preconceito que o tomou, e a partir de então, se ocorre de ele ainda ler, ele julga e condena tudo de acordo com tal medida. É muito fácil aceitar a perspectiva mais banal e se apegar a ela, seguros do consenso da maioria. É muito cômodo supor que todo esforço já acabou e que se conhece a beleza, a verdade, a justiça. É cômodo e vil. É como acreditar que se está absolvido do eterno e temente dever de ter caridade com os homens simplesmente porque de vez em quando dá uma moeda ao pedinte. Nada faremos, nem mesmo aqui, sem o respeito e a humildade: a humildade que entreabre frestas em nós através da nossa substância de orgulho e preguiça, o respeito que nos persuade à dignidade dos outros, do diferente, do próximo enquanto tal.

Fala-se sobre livros. E sabe-se que livros, quanto mais ingênua e plana é a sua voz, mais dor e tensão eles custaram a quem os escreveu. É inútil, portanto, ter esperança de tateá-los sem pagar um preço pessoal por isso. Ler não é fácil. E acontece, como se costuma dizer, que quem estudou, quem se move agilmente no mundo do conhecimento e do gosto, quem tem o tempo e os meios para ler, muito frequentemente acaba sem alma, sem amor pelo homem, acaba encrostado e endurecido pelo egoísmo de casta. Enquanto quem aspiraria, como aspira à vida, a este mundo da fantasia e do pensamento, quase sempre se encontra ainda privado dos elementos iniciais: lhes falta o alfabeto de alguma linguagem, não lhes sobram nem tempo, nem forças, ou, pior, estão corrompidos por uma falsa preparação, quase uma propaganda, que lhes barra e deturpa os valores. Quem encara um tratado de física, um texto de contabilidade, a gramática de uma língua, sabe que existe uma preparação específica, um conjunto mínimo de noções indispensáveis para tirar algum proveito da nova leitura. Quantos se dão conta de que uma bagagem técnica análoga é necessária para se aproximar de um romance, um poema, um ensaio, uma reflexão? E, ainda, que essas noções técnicas são incomensuravelmente mais complexas, sutis e fugidias do que as outras, e não podem ser encontradas em nenhum manual, em nenhuma bíblia? Todos acham que um conto, um poema, será naturalmente acessível à atenção humana comum, por falar não ao físico, ao contabilista ou ao especialista, mas sim ao homem que existe em todos eles. E é este o erro. Outro é o homem, outro, os homens. No final das contas, é tola a lenda de que poetas, narradores e filósofos se referem ao homem em absoluto, ao homem abstrato, ao Homem. Eles falam ao indivíduo de uma determinada época e situação, ao indivíduo que tem determinados problemas e procura resolvê-los à sua maneira, inclusive e sobretudo quando lê romances. Será preciso então, para entender os romances, situar-se em sua época e propor-se os seus problemas; o que quer dizer, nesse campo, aprender antes de mais nada as linguagens, a necessidade das linguagens. Convencer-se de que, se um escritor escolhe certas palavras, certos tons e ares insólitos, ele tem pelo menos o direito de não ser subitamente condenado em nome de uma leitura precedente, na qual os ares e as palavras estavam mais organizados, eram mais fáceis ou apenas diferentes. Esse feito da linguagem é o mais vistoso, mas não o mais urgente. Claro, tudo é linguagem em um escritor, mas basta ter compreendido isso para se ver em um mundo mais vivo e complexo, onde a questão de uma palavra, de uma inflexão, de uma cadência, torna-se de repente um problema de costume, de moralidade. Ou até mesmo de política.

Isso basta então. A arte, como dizem, é uma coisa séria. É tão séria quanto a moral e a política. Mas se temos o dever de nos aproximar dessas duas últimas com uma modéstia que mira a clareza – caridade com os outros e dureza conosco –, não é possível compreender com que direito, diante de uma página escrita, nos esquecemos de sermos homens e de que com um homem estamos falando.


  

e então nós, covardes

E então nós, covardes
que amávamos a noite
sussurrante, as casas,
os cursos dos rios,
as luzes rubras e sujas
de tais lugares, a dor
adocicada e quieta -
nós rasgamos as mãos
da viva corrente
e calamo-nos, mas nossos corações
estremeceram-nos com sangue,
e não mais houve doçura,
e não mais abandonamo-nos
ao curso dos rios -
não mais servos, soubemos
estar sozinhos e vivos.


A dificuldade de praticar o suicídio está nisto: é um ato de ambição que só pode ser realizado depois de superada toda a espécie de ambição.



TRABALHAR CANSA

Atravessar uma rua para fugir de casa
Só um menino faz isso, mas este homem que anda
O dia inteiro pelas ruas não é mais um menino
E não está fugindo de casa.

Há tardes no verão em que até as praças estão vazias, oferecidas
Ao sol que está se pondo, e este homem que avança
Por uma avenida de árvores inúteis, se detém.
Vale a pena estar só, para sempre ficar mais só?

Por mais que se ande de um lado para outro, as praças e as ruas
Estão vazias. É preciso parar uma mulher
E lhe falar e convencê-la a viver juntos.
De outra forma, a gente começa a falar sozinho.
É por isso que às vezes
Surge um bêbado noturno que te aborda com discursos
E te conta os projetos de uma vida inteira.

Não é certamente esperando na praça deserta
Que se encontra alguém, mas quem anda pelas ruas
Se detém de vez em quando. Se fossem dois,
Mesmo andando pelas ruas, o lar estaria
Onde estivesse aquela mulher e valeria a pena.
De noite a praça volta a ser deserta
E este homem que passa não vê as casas
Entre as luzes inúteis, já não levanta mais os olhos:
Ele sente apenas o pavimento que fizeram outros homens
Com mãos calejadas como as suas.
Não é justo ficar na praça deserta.
Haverá certamente aquela mulher na rua
Que, se lhe fosse pedido, gostaria de dar uma mão na casa.

A imaginação humana é imensamente mais pobre do que a realidade.


VIRA A MORTE

Virá morte e terá os teus olhos.
Esta morte que nos acompanha
Da manhã até a noite, insone,
Surda, corno um velho remorso
Ou um vício absurdo. Os teus olhos
Serão urna palavra vã,
Um grito calado, um silêncio.
Assim os vês cada manhã
Quando só sobre ti te inclinas
No espelho. Ó cara esperança,
Naquele dia também saberemos
Que és a vida e és o nada.

Para todos tem a morte um olhar.
Vira a morte e terá os teus olhos.
Será como deixar um vício,
Como contemplar no espelho
Reemergir um rosto morto,
Como ouvir um lábio cerrado,
Desceremos à gorja mudos.


Todo o luxo se paga. Tudo é luxo; a começar pelo estar no mundo.


Quinta, 11 de agosto de 2022

 

NÃO LEVE A SÉRIO
QUEM NÃO SORRI!




Escreva apenas para


MUDANÇA NOS COMENTÁRIOS:
CHEGA DE MACHÕES ANÔNIMOS

Todos podem fazer críticas, a mim, a qualquer pessoa ou instituição. Desde que SE IDENTIFIQUE. Não apenas com o primeiro nome. Claro que existem pessoas que conheço e que não necessito dessas informações. MAS NÃO VOU PUBLICAR CR[ÍTICAS FEROZES OU BRINCADEIRAS DE PÉSSIMO GOSTO. NADA DE OFENSAS, NEM ASSINANDO!! 

E não esqueça: mesmo os "comentaristas anônimos" podem ser identificados pelo IP sempre que assim for necessário. Cada um é responsável pelo que escreve.



A MORTE DOS ECOLOGISTAS
E O FORO DE SÃO PAULO

Não escrevo nada.
Apenas assista este vídeo.
É rapidinho. Um resumo perfeito do momento em que vivemos:


XXXXXXXXXXXXXXXXXXX


DEMOCRACIA E ESTADO DE DIREITO - A cada dia surge uma manifestação a favor da democracia e do estado de direito. Hoje, a UFRGS anuncia mais um manifesto. Todo brasileiro, que sabe do que se trata, é a favor da democracia e do estado de direito. Isto significa que algo em torno de 220 milhões de brasileiros estão apenas preocupados em pagar os boletos e as contas obrigatórios. Uma grande parcela destes preocupa-se apenas em trazer comida para sua casa.

Acredito que estes manifestos e abaixo-assinados são como "chover no molhado". Até o presidente da República e seus ministros manifestaram o respeito a democracia e o estado de direito.

Mas por que todo esse alarido? Por que os urubus do stf passam os dias falando a mesma baboseira - democracia, estado de direito?

Eu tenho uma resposta: todo esse pessoal, que não chega a 0,01 por cento da população brasileira, acreditava que Bolsonaro tentaria dar um golpe bem antes de 2022. Algo parecido quando Chávez tentou dar um golpe na Venezuela e acabou preso. Só que eles esquecem que o malandro, anos depois, se elegeu presidente e deu naquilo que todos nós sabemos.

Bolsonaro frustrou essa gente, desprezando a "tática" do golpe. A última tentativa deles, agora, é o 7 de Setembro, que marca os 200 anos da Independência. A  urubuzada acha que o presidente vai anunciar um golpe. Coitados.

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CÁ ENTRE NÓS - O Pedro Ruas, candidato a vice-governador é infinitamente mais preparado do que o candidato a governador, Edegar Pretto.

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INOVAÇÕES NO ZH - Me contam que uma matéria sobre o lançamento do novo VW Polo foi publicada no caderno COMPORTAMENTO.
São ou não são uns Piadistas?

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PAULO GUEDES BRILHANTE!!

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PASSEATA - Hoje de manhã passou na avenida João Pessoa uma passeata muito grande, com uma gurizada berrando frases sobre Educação e uma curiosa, "Bolsonaro vai te fudê, o Brasil não precisa de você.

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IMAGINEI OUTRA PASSEATA - Em Brasília, o pessoal todo passa na frente do stf e começam a gritar: "STF VAI TE FUDÊ, O BRASIL NÃO PRECISA DE VOCÊS". Bah, acredito que aí todo mundo ia em cana, não?

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LUCRO DO BANRISUL - O Banrisul registrou lucro líquido de R$ 227,8 milhões no segundo trimestre de 2022, aumento de 38,8% em relação ao trimestre anterior.
O resultado reflete, especialmente, o crescimento da carteira de crédito, o aumento das receitas de prestação de serviço e de tarifas bancárias, além de um menor volume de tributos sobre o lucro. A rentabilidade anualizada atingiu 10,1% sobre o patrimônio líquido médio no segundo trimestre de 2022.
A instituição tem mais de quatro milhões de clientes e 496 agências.

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SÓ NÃO INTINDI UMAS COISINHAS - Outro dia vi uma propaganda do Banco com um negócio assim: BAN BAN BAN.
Isso não é nome de participante do BBB?
...
Outra: já tiraram, mas tinha uma foto imensa, na lateral de um edifício, na saída do Túnel da Conceição. Nela, o indivíduo está dando uma gargalhada e embaixo o novo slogan: Nossa conexão transforma.
Não tive capacidade de decifrar a mensagem.

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RESPONDA SE FOR CAPAZ - Da jornalista Moema Bauer:

Um doce para quem souber a palavra mais repetida pela grande imprensa hoje em dia. Uma dica: é uma conjunção adversativa.

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NOTA A FAVOR DO GUARDA-CHUVA

A Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio Grande do Sul – ARFOC-RS, juntamente com a Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos – ACEG-RS, vem manifestar sua total insatisfação com a conduta arbitrária tomada pela Confederação Brasileira de Futebol, a qual impede que os repórteres e cronistas adentrem nas dependências do estádio portando GUARDA-CHUVAS!

Esta simples discricionariedade impede que as fotografias que retratam os lances da partida e por consequência traduzem as jornadas desportivas em todos os canais de comunicação escrita em tempo real, sejam prejudicadas, uma vez que não é possível que os profissionais que lá estão trabalhando, lancem simultaneamente, através de seus notebooks, as fotografias para as suas respectivas agências.

Os profissionais despendem de equipamentos caríssimos e colocam em cheque a própria saúde para apresentar um produto de excelência para os consumidores e amantes do espetáculo futebolístico, e são obrigados a ficar à mercê das intempéries por um capricho injustificado da entidade máxima do futebol brasileiro.

Nós da ARFOC-RS e ACEG-RS, tomaremos as atitudes cabíveis para a reconsideração do uso dos guarda-chuvas por parte dos nossos associados.

Rodrigo Ziebell - Pres ARFOC-RS

Rogério Amaral - Pres ACEG-RS

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