Acho genial esta definição de dinheiro: "um mecanismo engenhoso que permite que a manicure compre seis pãezinhos sem ter que fazer as unhas do padeiro".
O termo DINHEIRO tem origem no latim denarius e está relacionado a uma moeda de prata em curso na Roma Antiga, e que significava ‘dez ases’, sendo que ‘ás’ era uma moeda de referência, tipo o nosso centavo, mas que foi suplantada pelo denarius.
Esta denominação acabou por espraiar-se a partir do reinado de Castela (Espanha) por toda a península ibérica, corrompendo-se para dinero (espanhol) e para o nosso dinheiro.
Curiosidade, no caso da palavra money, ela tem origem no termo moneta que vem da denominação do templo da deusa Juno Moneta, na Roma Antiga, local onde era cunhadas as moedas.
Karl Marx, sim, ele mesmo, o filósofo e economista judeu prussiano (1818-1883), pai do comunismo, foi um dos primeiros a pensar e expressar em forma da palavra escrita a ideia do dinheiro como uma mercadoria, commodity, pois ‘tem a capacidade de ser um meio de circulação e uma medida de valor ao mesmo tempo’.
O dinheiro é uma mercadoria específica selecionada socialmente para cumprir funções monetárias.
O ouro, exemplificando, é um metal precioso que tem valor próprio e pode ser facilmente transacionado, sendo um exemplo de moeda-mercadoria.
Quando se fala em dinheiro, o que nos vem à mente quase de pronto é o ouro, o dinheiro por excelência, o metal sobre o qual Freud afirmava que "a ligação do homem ao ouro era algo profundo em seu subconsciente". Até pouco tempo atrás, esse metal precioso, como "padrão-monetário dos bancos centrais", era motivo de forte embate entre políticos, economistas e até mesmo nações.
Durante a história da humanidade os homens usaram vários tipos de dinheiro, uns bem estranhos, e, de uma maneira ou outra conseguiam fazer com que as relações de trocas entre membros tribais, entre um povoado e outro, entre reinados, nações ocorressem quase que naturalmente.
No início, era um vale tudo (não podia ser muito abundante e tinha que ser uma coisa que as pessoas apreciassem): conchas, couros, penas, tabaco (muito usado nas colônias da América inglesa); sal (usado em Roma para pagar seus soldados, donde vem salarium, salário); boi (usado na Grécia, pekus, donde vêm os termos pecúlio, pecuniário), etc.
É triste, mas até não muito tempo atrás, em endemias de fome, pais davam suas filhas ao prazer sexual de um latifundiário em troca de comida.
Com relação ao boi como dinheiro, por aqui, no nosso Brasil, esta commodity permanece muito ativa: é comum ouvirmos que determinado ‘cantor sertanejo da vez’ adquiriu uma fazenda de criação de gado em Goiás, por exemplo, com 500 hectares, por 15 mil cabeças de gado.
Quem, por exemplo, achar penas, conchas, sal como muito estranho, que tal investir um bom patrimônio adquirido com muito suor em criptomoedas. Vais topar? É bacana, tecnológico, nada de conchas, penas de aves, couros, tabaco...
(Uma criptomoeda ou cibermoeda é um meio de troca, geralmente descentralizado, que se utiliza da tecnologia de blockchain e da criptografia para assegurar a validade das transações e a criação de n-ovas unidades da moeda.
Aviso, com IA e computadores quânticos operacionais, mesmo com uma criptografia hipercomplexa, dificílima de ser quebrada, pelo que sei quebra-se qualquer chave em segundos. Há também outro risco, o de perder-se a chave criptografada. Há o caso que rola na web de um investidor – dos pioneiros – que perdeu seu laptop com a chave criptografada e tenta, desesperadamente, ‘minerar’ o lixão da sua cidade em busca da chave e de bilhões de dólares perdidos!)
Moeda,
O termo MOEDA, que designa um tipo de dinheiro muito utilizado no passado, pois possui valor intrínseco – ouro, prata, cobre, etc. –, tem origem na palavra latina que designava o templo da deusa Juno Moneta.
Pelo que se sabe foi na Lídia, em torno de 600 a.C. (Lídia, uma região da Turquia) que se cunhou as primeiras moedas.
Bancos,
Com a evolução da sociedade, e por consequência da economia nas nações, o sistema começa a ficar mais sofisticado.
Como nos diz o economista John Kenneth Galbraith em seu magnífico livro ‘MOEDA, de Onde Veio, Para Onde Foi’: (...) o dinheiro tem três progenitores: casas da moeda; secretários de tesouro ou ministros da Fazenda, sendo estes a fonte do papel-moeda; e bancos.
A atividade bancária teve uma existência importante nos tempos do Império Romano, declinando na Idade Média (Idade Média, de tempos obscuros, da forte objeção do prevalente cristianismo sobre os juros cobrados nos empréstimos, a usura, ou a ‘atividade mesquinha dos avarentos judeus’).
Com o Renascimento e o início das (custosas) viagens marítimas em busca por novas terras, novos mercados, principalmente por parte de Portugal e da Espanha – as especiarias do oriente, ‘cornucópia em termos de atividade comercial’ – a necessidade do dinheiro obtido via concessão de empréstimos acabou por dar as costas aos escrúpulos religiosos, ou, traduzindo, as vantagens da pecúnia impuseram-se aos dogmas religiosos!
(Interessante que a ideia do uso de ‘derivativos’, hoje comum em qualquer sistema bancário avançado, já era aplicada pelos negociantes que buscavam na Índia as apreciadas especiarias. A possibilidade de ganhos era enorme, mas os riscos também. Então, por que não diluir esses riscos pegando dezenas ou mais de investidores? Hoje um superpetroleiro já sai do estaleiro com o prêmio do seguro diluído em milhares de bancos em todo o mundo. Todos ganham. E se houver um sinistro ninguém quebra!)
A casa bancária da família Medici em Florença, Veneza, Gênova, com seu precursor banqueiro Cosimo de Medici, filiais em várias cidades da Europa, não era em opulência e grandiosidade inferior às grandes corporações de hoje.
(Além dos Médicis, em Florença, havia, por exemplo, só em Veneza mais de 100 casas bancárias entre os séculos XIII e XV.)
Esses bancos de empréstimos eram (e ainda são até hoje, porém com controles muito mais rígidos) verdadeiras máquinas de ganhar dinheiro. E o método é tão singelo, que (olha o paradoxo) até mesmo fica difícil de entendermos.
“O método pelo qual os bancos ‘criam’ dinheiro é tão simples que até repugna a mente”, teria dito um grande banqueiro europeu ao se explicar sobre o tema a um grupo de jornalistas!
Para mim, para minha mente cartesiana, essa coisa é (ou deveria ser) tão complicada que seria decente que houvesse algum misticismo, mistério, alto segredo no processo.
Exatamente, o local e a data onde o homem iniciou a atividade de mercadejar dinheiro não se sabem. Alguns se arriscam a apontar como sendo na Mesopotâmia, por volta de dois mil a.C., onde, sobre improvisadas mesas, bancas, negociantes recebiam grãos e metais preciosos e em troca cediam empréstimos a esses comerciantes. Pode não ser isso exatamente, mas a ideia é por aí mesmo.
O termo ‘banco’ (banco, bank) vem das mesas ou bancadas estendidas em ruas ou feiras nas cidades europeias (principalmente na Itália) a partir da baixa idade média onde negociantes, principalmente ourives, faziam seus negócios envolvendo compra e venda de ouro e outros metais, empréstimos de dinheiro, emissão de cartas de crédito, etc.
Vamos entender então o mecanismo ‘simples’ do funcionamento de um banco de empréstimo. O que vai a seguir é algo bem básico. Hoje, bancos são verdadeiros supermercados envolvendo-se em quase tudo que lhes deem lucro. O limite (nem sempre observado) é a legislação da autoridade monetária onde estão estabelecidos
Alguém, um grupo de investidores, resolve fundar um banco, pode ser aqui na minha pequena Taquari.
(Didaticamente, vamos supor que as autoridades monetárias não estabeleçam restrições complexas e que o banco possa emitir dinheiro. Na prática, isso é absolutamente impossível, mas a ficção permite: há um ótimo filme inglês na Netflix, ‘David contra os bancos’, de 2023, em que um vendedor de carros resolve fundar um banco em sua cidadezinha mal atendida pelos bancões.)
Vamos lá: o capital investido será de 30 milhões de reais. O banco receberá depósitos e fomentará empréstimos.
Na primeira semana, depois de muita boca-a-boca, o banco capta 10 milhões de reais. Seguindo, ao longo do primeiro mês de funcionamento, como há fidúcia, os depósitos alcançam 90 milhões, três vezes o capital. Parte remunerada, outra não.
Agora vem a mágica.
Sobre o depósito do credor original, o banco fará empréstimos.
Vamos imaginar que esses 90 milhões de depósitos fossem todos em moedas de ouro. Esses depósitos permanecerão a crédito dos depositantes originais.
Agora haverá novos depósitos correspondentes aos empréstimos. Ambos podem ser usados para realizar pagamentos, ou seja, valerão como moeda: a moeda, portanto está criada.
E há os juros a ganhar-se.
Simplificando: um cliente depositou em moedas de ouro 100 mil reais. Com esses 100 mil eu posso emitir moedas em papel com valor multiplicado por dez, ou seja, um milhão de reais (dinheiro fabricado) e sair emprestando. Normalmente este dinheiro não volta pro banco, ele fica circulando do padeiro que pegou o empréstimo para o moleiro que forneceu a farinha, do moleiro para seus funcionários, para a escola dos filhos, etc., etc.
Se o depositante original vier ao banco retirar suas moedas, ele as terá sem problema. Se, por outro lado, alguém vier ao banco com o dinheiro papel correspondente a esses 100 mil reais de depósitos para trocar por moedas de ouro, esse alguém também não terá problema, terá o seu dinheiro.
Mas se os dois virem juntos, só um receberá.
O sistema é inteligente e o problema das duas partes quererem o dinheiro em ouro ao mesmo tempo foi resolvido com o aparecimento dos bancos centrais, ou bancos de redesconto, que funcionam como banco dos bancos comerciais.
Redesconto é uma linha de crédito/empréstimo à disposição dos bancos comerciais que visa atender eventuais necessidades de liquidez de um banco comercial no fechamento do dia, ou a prazo muito curto.
(Aqui no nosso Brasil, temos o Banco Central, o xerife da moeda. Quando escrevo, a taxa de redesconto está absolutamente alta – 15%. Como os bancos centrais não podem interferir nas políticas dos Executivos, o praticamente único instrumento de controle do valor intrínseco da moeda – controlar a deflação ou inflação – é o uso da Taxa Referencial, ou Redesconto, o chamado SELIC – Sistema Especial de Liquidação e Custódia.)
O que eu quis explicar acima, de uma forma bem ‘simplória’, é a mecânica utilizada pelos bancos para ‘criar’ dinheiro.
Hoje é muito raro um banco quebrar, pois, em regra, os sistemas bancários dos países onde estão albergados estão muito bem aparelhados e regrados.
Se um determinado banco começa a usar seguidamente o redesconto, um sinal de alarme é tocado no Banco Central que, rápido, exige providências: capitaliza ou vende. Ninguém suporta uma corrida bancária!
Os tempos das falências trágicas de bancos tipo ‘Banco Pelotense’, em 1930, que arrasou meio Rio Grande junto a si, ficaram no passado, ao menos creio.
Recentemente tivemos dois problemas, um por aqui, em 2010, quando o Panamericano, derivado de uma malandragem piegas de seus diretores que cometeram fraude para incrementar seus prêmios por resultados.
A fraude, repito, piegas, do Panamericano estava relacionada aos ‘famigerados empréstimos consignados’. O Panamericano tinha muita facilidade, grupo Silvio Santos, de captar clientes para esses empréstimos, e tinham carteiras muito gordas para o tamanho do banco. Seus diretores resolveram aumentar lucros ‘vendendo’ essas carteiras para outros bancos, mas, MAS, sem dar baixa contábil desses ativos. Isso é malandragem de ladrão vileiro, até parece piada. E ninguém foi preso. Parece, não tenho certeza, que o Silvio Santos vendeu patrimônio próprio para repor o caixa, cujo rombo era de 4 bilhões de reais. O banco foi vendido ao BTG Pactual.
Outro em 2008, a crise do subprime nos Estados Unidos, com a falência do banco Lehman Brothers, sendo que neste caso era um banco de investimento, não um banco comercial com correntistas, que foi deixado falir como exemplo.
A crise foi grande, o governo americano injetou muita grana, e serviu como lição ao sistema que exagerou o uso dos ‘derivativos excessivamente criativos’, também com o objetivo de aumentar os prêmios dos diretores e gerentes destas instituições!
Em 2005 tivemos o problema do Banco Santos, com um rombo de dois bilhões de reais, falência decretada, quase 20 anos para resolver o imbróglio jurídico. Ninguém foi preso.
Agora o banco Master repete o caso do Santos, mas numa dimensão multiplicada por 30 – no mínimo (só teremos a real dimensão da tragédia quando o trânsito jurídico da falência encerrar).
O modus operandi é muito próximo para não dizer-se igual: ou seja, para operar numa margem maior e não gerar suspeita do BC o Master ‘comprar’ ativos podres no mercado e os contabilizava pelo valor de face (irreal).
O que é um ativo podre: quando eu tive uma gráfica em São Leopoldo, sempre me deparava nas minhas idas a Porto Alegre com o gigantesco prédio do Curtume Pinheiro, à direita da 116 em Sapucaia do Sul, já falido há alguns bons anos. Mas na lista dos maiores devedores de ICMs do Estado, ele lá estava na ponta. Alguém poderia comprar essa carteira do Estado, que nominalmente seria de – é só um exemplo – 300 milhões de reais por 5 milhões, tentar cobrar parte da dívida para obter algum lucro. Isso é válido.
Mas o Master o fazia, e jogava o valor integral do ativo – 300 milhões – no caixa, inflando artificialmente o patrimônio do banco, podendo com isso incrementar s
Lá nos Estados Unidos o Madoff – em rolo muito parecido, pois ambos são o que chamamos de ‘pirâmides financeiras’ – pegou mais de 100 anos de cadeia.
Finalizando este capítulo, permitam-me falar um pouco sobre a questão do endividamento – sempre crescente – do Brasil em relação ao sistema bancário, batendo 7,508 trilhões de reais (1,25 trilhão de dólares) em março deste 2025. Mesmo o economista e político Ciro Gomes vociferando contra os bancos e seus ganhos extraordinários com a permanente rolagem dessa dívida que ‘come’ (palavras do economista) mais de 40% do orçamento federal, EU AFIRMO: nos últimos doze anos ‘nenhum centavo de imposto pago pelo contribuinte brasileiro tem sido usado para o pagamento da dívida: zero, zerinho, nada! O certo seria o governo produzir superávit fiscal e ir abatendo essa dívida. Mas, lamentavelmente, ninguém o tem feito. Essa política gastadora certamente está nos levando para uma crise fiscal devastadora que deverá ocorrer logo ali na frente – se não houver súbito uma urgente reversão.
Aí a pergunta de todos: mas então como os bancos ganham dinheiro se emprestam e não são ressarcidos, tudo é rolado? Simples (mas perigoso!): rolam-se os pagamentos via emissão de novos títulos que são comprados por bancos, fundos de pensão (brasileiros e até mesmo estrangeiros), investidores institucionais, direto do tesouro (pessoas físicas), etc. Mas essas rolagens, de certa forma, assemelham-se às famosas ‘pirâmides financeiras’, falcatruas que todos sabemos como acabam!
Papel-moeda,
Pode ter havido pontualmente outras experiências antes, mas credita-se às colônias americanas as primeiras emissões de papel-moeda. Quem primeiro o fez foi Massachusetts lá em 1690. Depois mais umas três ou quatro outras colônias. E o interessante é que essas emissões originais sempre tinham como motivo pagar os soldados em guerras!
Quase 100 anos depois, em 1776, quando da Declaração de Independência das colônias americanas, as impressoras do jornal do Benjamin Franklin, um dos líderes desse movimento libertário, só tinham papel e tempo para imprimir dinheiro. Os Ingleses eram contra a emissão de papel-moeda e fecharam as torneiras das colônias em 1751, proibindo tal procedimento, jogando ainda mais tensão na relação Império/colônias. O problema era que as colônias não aceitavam ser taxadas, nem que fosse para custear o exército (inglês) que garantia a segurança das fronteiras das colônias, sem representação (ou mesmo com representação).
Franklin foi pessoalmente à Câmara dos Comuns negociar esse imbróglio por duas vezes: uma tentando manter as emissões de dinheiro papel; outra propondo que os americanos abrissem um banco comercial que, com os juros dos empréstimos aos colonos, pagariam a manutenção do exército inglês. Perdeu nas duas.
No início e até pouco tempo atrás, o esquema era que o dinheiro papel deveria ter lastro em ouro na casa bancária que o emitiu. Nos Estados Unidos, até meados do século passado, onde havia centenas, talvez milhares de bancos, o problema era achar a tal sede do banco, que mudava a todo o momento.
Podia ser o metal físico, ou até mesmo a promessa do metal que sairia de uma determinada mina, muitas delas, imaginárias.
E foi assim que um escocês fugido da polícia da Europa, John Law, em 1719, fundou um banco na França e provou a todos que o milagre da criação da moeda podia estimular a economia de uma região e prover a felicidade de um povo.
John Law e o Banco Royale,
O escocês Law chega à França em 1716, um ano após a morte do rei Luís XIV, aquele que reinou durante mais de 54 anos com um absoluto poder e que legou a essa França uma terrível desorganização das suas finanças.
Era uma mente brilhante. Dizem ter aprendido a arte de negociar nas mesas de carteado, e que sabia como ninguém calcular probabilidade durante o jogo e, vejam só, ler os pensamentos dos adversários pelas suas feições.
Se não fosse tão ganancioso, e ter falido em apostas arriscadas, seus descendentes ainda hoje seriam bilionários apenas com os imóveis que era possuidor na zona mais nobre da França.
Ele foi um dos primeiros, talvez o primeiro, a sacar a arte de ‘criar’ dinheiro, só precisava de uma oportunidade e esta veio pelas mãos do Felipe, duque de Orléans, sobrinho de do recém falecido Luís XIV, que, como regente do infante Luís XV, deu-lhe a direção total do Banco Générale de France, o sonho tanto desejado por Law.
Segundo o édito real de 2 de maio de 1716, o banco, com autorização de emitir notas (dinheiro) iniciou com um capital equivalente a 250 mil libras inglesas. E começou mal, mas sem isso não teria sido autorizada, emprestando quase toda a emissão ao governo, que logo se espalhou, pois o governo pagou suas despesas e credores. Importante, estas notas podiam pagar os impostos!
Logo após houve novas emissões de notas e o capital foi aberto havendo uma corrida para compras das ações. Em 1719 houve outra sacada, a fundação da Companhia do Mississipi que deveria extrair ouro e aumentar o lastro e a emissão sob a garantia desse ouro que seria depositado no banco. Seria. Mas na prática foi um engodo que acabou sendo descoberto e provocando uma corrida ao banco para trocar montanhas de papéis por ouro. Os primeiros conseguiram o resgate, os tardios, cofres vazios.
Foi uma quebra e tanto, que durou na mente dos franceses por muito tempo.
No outro lado do canal, havia, desde 1694, o Banco da Inglaterra, um início da ideia de um banco central. Law havia procurado o rei inglês, Guilherme de Orange, e lhe proposto algo similar. Teve que fugir para não ser preso.
Se na França houvesse um ‘Banco da Inglaterra’, muito provavelmente a história seria bem outra, mas não, a cupidez do governo e a ganância do irlandês Law prevaleceram!
Olhando retrospectivamente, a ideia dos bancos emissores de papel-moeda é boa e tende a funcionar com tranquilidade, sujeita a alguns solavancos eventuais e cíclicos.
Segundo o duque de Saint-Simon, ‘o banco de Law teria sido uma boa ideia, exceto na França, pois os franceses careciam somente de autocontrole necessário’. OK, até pode ser, mas o argumento do duque era questionável. Só isso não basta. Teria que haver um órgão central forte, tipo um Banco de Inglaterra.
Os ingleses não brincavam nesse tema.
Não sei se o caro leitor sabe, mas o gênio da física e da matemática Isaac Newton (1643-1727) foi nomeado diretor da casa da moeda, em 1696, e mandou muitos falsificadores à forca. Reafirmando, lá eles levavam essas questões de moeda, dinheiro, muito a sério!
Duas curiosidades finais,
Dois personagens da história gaúcha do século passado emitiram dinheiro:
Um) Brizola, quando governador do nosso estado, em 1958, vendo-se sem dinheiro para pagar servidores, mandou, sem pejo, o tesouro emitir "letras do tesouro" e com ela aplacar a crise;
Outro) Raul Pilla, médico e ativo político membro do Partido Libertador que havia apoiado o Getúlio Vargas na Frente Única em 1930. Em 1932, Raul apóia os paulistas na Revolução Constitucionalista de 32 e torna-se inimigo de Getúlio. Com a derrota dos paulistas, Raul tem que fugir para a Argentina. Então, seus correligionários fazem uma espécie de ação entre amigos e recolhem dinheiro em forma de recibo em nome do Raul Pilla – com o compromisso destes papéis serem resgatados.
Como foram milhares de doadores, viraram dinheiro com curso até mesmo relativamente extenso, os famosos "pilas".
Quem nunca ouviu a expressão, "o quê, 20 pila (sic), tá caro"!
That’s All, Folks!