Sexta, 6 de novembro de 2026

 

NESSA SEXTA
a cesta do João Paulo





JOÃO PAULO DA FONTOURA é de Taquari-RS. É escritor e historiador diletante, membro da ALIVAT – Academia Literária do Vale do Taquari, titular da cadeira nº 26. Autor do livro biográfico "Costa e Silva", edição 2025










  - Otto Von Bismarck -




"Sim, Bismarck tornou-se um símbolo de nacionalismo, pragmatismo político (Realpolitik) e militarismo do século XIX."

 

                                        Extraído da Web





Quando se fala de migração ao Brasil por povos europeus – não açorianos e portugueses continentinos – fala-se de cara dos alemães, em 1824, que vieram para o Sul do nosso Brasil.

Mas não eram alemães, parem com isto: eram prussianos, renanos, suecos, suíços, austríacos, bávaros, saxões, holandeses, belgas, dinamarqueses,  franceses da Alsácia-Lorena, hanoverianos, hunscruckianos (temos muitos no vale do Taquari, que ainda preservam dicionarizada sua língua nativa), etc. Claro, não serei pedante, que a redução "alemães" serve didaticamente, mas, em sentido estrito, não é correta. Até mesmo porque a Alemanha dos dias de hoje só é conhecida por esse nome por poucos países, como o Brasil (Alemanha) a França  (Allemagne); a Espanha (Alemanni). Os alemães, e a grande maioria de povos do mundo, chamam sua nação de Deutschland (Terra do Povo).

 

(O nome Alemanha vem de uma tribo germânica que os franceses chamavam de alemanos)

 

Tudo muda em 1871 quando o reino da Prússia, líder da Confederação da Alemanha do Norte, que tinha como chanceler o nosso biografado Otto Von Bismarck, vence a guerra contra a França, negocia sua rendição humilhante e coloca seu rei como, agora, imperador (Kaiser) do Império Alemão.

O jogo político que antecede à guerra, a partir das desinteligências entre Prússia e França num episódio de disputa dinástica quando da vacância do trono Espanhol, é uma obra-prima da arte geopolítica do gênio Bismarck. Bismarck sabia que para unir todos os reinados, ducados, principados em torno da Prússia (nada menos que 39 estados deram origem à nação alemã) e assim formar um império nada era mais importante do que uma guerra com o inimigo figadal dos alemães, o Império Francês do Napoleão III.

E consegue seu desiderato mesmo contra o desejo do seu rei – Guilherme I.

Por essa estratégia e muitas outras apensadas ao seu extenso currículo, que Bismarck recebeu o nada elogioso título de ‘o arquiteto do autoritarismo alemão e precursor, mesmo que inconsciente das catástrofes do século XX’.

Mesmo com epítetos como o ‘Chanceler de Ferro’, mesmo tendo usado em seus longos 28 anos de poder tirânico, das artimanhas, mentiras, ameaças – ações que hoje seriam chamadas de ‘não republicanas’ –, ninguém poderá retirar a importância que ele teve no contexto da história da Europa na segunda metade do século XIX.

Sim, O. V. Bismarck tornou a Alemanha e os alemães importantes e poderosos! A Alemanha que o Bismarck erigiu tornou-se a maior nação da Europa em população e produção industrial, ficando parelha com os Estados Unidos da América.

 

Pequena bio:

O Homem




Otto Edward Leopold Von Bismarck nasceu em Schönhausen, província de Brandenburgo, Alemanha, no dia 1º de abril de 1815, filho de Karl Wilhelm Ferdinand Von Bismarck, e da burguesa Wilhelmine Luise Mencken.

Sua família pertencia à pequena nobreza prussiana dos junkers. Completou os estudos secundários no Colégio Grauen Kloster. Em 1832, ingressou na Faculdade de Direito, em Göttingen.

Em 1833, transferiu-se para a universidade de Berlim.

Concluído seus estudos, em 1837, obteve o cargo de administrador judicial em Aachen. Em 1839, foi para Potsdam, para ingressar na administração financeira. Nesse mesmo ano, sem vocação para burocrata subalterno, abandonou o trabalho e passou a administrar as propriedades da família.



Converteu-se ao protestantismo e nesse ambiente religioso conheceu a junker, Johanna Von Puttkamer, com quem se casou em 1847.

 

Início da ação política:

Em 1847 conquistou uma cadeira para representar a nobreza saxônica no Landtag da Prússia. Conseguiu o apoio de um grupo politicamente influente e destacou-se como um dos mais agressivos deputados conservadores. Com a Revolução Europeia de 1848, ele derruba a Santa Aliança (união entre os países monarquistas). Tentou, então, organizar tropas para enfrentar os revoltosos de Berlim.

O unificador da Alemanha:

A fase preparatória da unificação alemã teve início com sua atuação como representante da Prússia, na ‘Dieta Federal de Frankfurt’, em 1851, quando se aliou aos Estados que formaram na última década a Zollverein (união alfandegária dos Estados alemães) e viajou por todas as cidades alemãs.

Em 1859, o futuro ‘Chanceler de Ferro’ foi nomeado embaixador em São Petersburgo e a partir de 1861 atuou como o conselheiro mais ouvido pelo rei. Em 1863, foi nomeado Ministro de Estado e, logo a seguir, presidente do conselho e Ministro do Exterior.

Uma verdadeira ditadura se instalou.

Bismarck aliou-se a Von Room, ministro da Guerra, para projetar o maior exército da Europa.

A liberdade de imprensa foi restringida e a autoridade do Estado fortalecida com a confiança inabalável de Guilherme I, que sucedera ao trono da Prússia a seu irmão Frederico Guilherme IV, completou o quadro.

Entre 1864 e 1871, Bismarck realizou a unificação da Alemanha em duas etapas:

 

+ Primeiro afastou a Áustria por uma série de manobras tão hábeis quanto complexas. Aliou-se a ela na guerra contra a Dinamarca, anexando os ducados de Schleswig e Holstein. A seguir, utilizando a convenção de Gastein, sobre a administração dos territórios conquistados, em 1866, aliado à Itália, atacou a Áustria e a derrotou em poucos dias. Foi o fim da supremacia austríaca sobre os alemães. Em 1870, Bismarck levou as tropas alemãs aos arredores de Paris e provocou o colapso do império de Napoleão III. A vitória permitiu a Bismarck completar a unidade alemã pela incorporação dos Estados do sul.

 

+ Por fim, então, anexou a Alsácia e Lorena, e Guilherme I foi coroado como imperador da Alemanha em 18 de janeiro de 1871.

 

O Chanceler de Ferro




Bismarck foi considerado um herói.

No dia 21 de março de 1871, no Salão dos Espelhos do Palácio de em Versalhes, foi nomeado ‘Príncipe e Chanceler do Governo Imperial'. 

O chanceler Bismarck iniciou então uma série de reformas administrativas internas, reorganizou as finanças e criou uma moeda comum para todo o estado, instituiu um banco central e promulgou um código civil e comercial para toda a Alemanha.

No plano internacional, Bismarck presidiu o Congresso de Berlim, em 1878, no qual atuou como mediador entre as grandes potências. 

Nesse mesmo ano, uma aliança com o império austro-húngaro, marcou uma nova etapa de conservadorismo na política de Bismarck, que se refletiu internamente através de sua política antissocialista.

Contudo, na intenção de contestar as críticas social-democráticas, Bismarck instituiu um sistema de seguridade social – o primeiro da história contemporânea – que lhe atraiu o apoio de amplos setores operários.

Em política externa, as atividades do chanceler centraram-se na criação de um amplo e complexo sistema de alianças, apoiando-se ora no Império austro-húngaro, ora na Rússia, destinado a conseguir o isolamento da França. E nisso ele sempre teve êxito.

 

Perda do Poder, Morte,

Em 1888, morreu Guilherme I, e seu filho Frederico III reinou poucos dias, pois morreu subitamente. Seu neto, Guilherme II, entrou em conflito com o velho Bismarck. Logo seu poder feneceu em virtude de crescentes divergências com o novo imperador Guilherme II, que levaram o chanceler a demitir-se em 18 de março. 1890.

Na última etapa de sua vida, afastado de toda atividade política, Bismarck dedicou-se à redação de suas ‘Memórias’.

Otto Von Bismarck faleceu em Friedrichsruh, perto de Hamburgo, na Alemanha, no dia 30 de julho de 1898.

 

Lápide,

+ Um fiel servo alemão do Imperador Guilherme I +

 

A escolha dessa frase específica foi calculada como sua última provocação política. Bismarck, o Chanceler de Ferro, havia sido forçado a se demitir, em 1890, pelo jovem Imperador Guilherme II, neto de Guilherme I, após intensas divergências sobre a governança do Império Alemão.

 

Finalizando, muitos historiadores puristas ainda fecham as narinas quando alguém esparge no éter o nome Bismarck – como se uma nova versão do Covid-19 fosse.  Eu não, pra mim é ele um legítimo produto de sua época, época que exigia homens fortes no timão dos barcos políticos da conturbada Europa. Mas, e este ‘mas’ importa  muito, se ele tivesse vivido mais uns 10 anos, e ainda fosse ouvido pelos Kaiser e seus generais, jamais teria havido a 1ª Guerra Mundial, e, por consequência, a revanchista 2ª Guerra

Bismarck, sempre que promoveu uma guerra para ganhos políticos e territoriais, teve o extremo cuidado de guerrear contra UM inimigo, nunca contra dois ou mais.

Ele usava da sua habilidade extrema para, antes, isolar outros possíveis gladiadores. Os ‘gênios’ alemães lançaram-se numa guerra contra a Tríplice Entente formada em 1907: Inglaterra, França e Rússia.



 

Por fim, duas frases que considero geniais (e hilárias) do grande O.V.Bismarck:

 

1) Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra, depois de uma caçada.

2) Ah, se a povo soubesse como se fazem as linguiças e política!

 

É isso, pessoal!

Hasta!


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