Bom Dia!! Segunda, 6 de janeiro de 2013

FICO MUITO FELIZ COM  
O SUCESSO DOS AMIGOS



Vibro.
Na verdade, gosto quando até pessoas que não conheço se dão bem.
Leia isso. Eu vibro. Da minha amiga, a jornalista e vereadora Mônica Leal.
Por indicação unânime dos colegas Guilherme Socias Villela, João Carlos Nedel e Kevin Krieger, serei líder do Partido Progressista este ano na Câmara Municipal de Porto Alegre. Sobre isso, penso que foi a colheita de um período muito produtivo politicamente, que finalizou com essa designação. No primeiro ano deste governo municipal, o Partido Progressista se manteve fiel ao projeto do prefeito José Fortunati. Trabalhamos muito para ajudar o governo do qual fazemos parte com lealdade, dedicação e disponibilidade, o que é fundamental na política. O PP se fez presente em todos os momentos importantes e decisivos para a Câmara, como no episódio da invasão do plenário, em julho e nas votações dos projetos de lei do Executivo.
Fomos uma bancada disponível, comprometida e criativa, sempre buscando as melhores formas de tratar os diversos assuntos que se apresentaram ao legislativo porto-alegrense. Eu, Guilherme Villela e Nedel, representamos o partido na Câmara e colegas progressistas capitanearam as Secretarias da Acessibilidade, da Fundação de Assistência Social e Cidadania, FASC, do Departamento de Esgotos Pluviais, DEP, e do gabinete do INOVAPOA.
E a boa notícia é que iniciamos este 2014 com a positiva ampliação da bancada, com a volta do vereador Kevin Krieger, que depois de cinco anos a frente da FASC, retorna à Câmara para reassumir seu mandato, o que vem para reforçar ainda mais o trabalho iniciado em 2013, agora com quatro vereadores.

ESPECIAL - 3 de dezembro de 2013

PORTO ALEGRE É ASSIM!

QUE CHEGUE LOGO MARÇO.
OU NÃO?

Texto de 5 de março de 2009:

Graças ao bom Deus
jamais fui a um desses “Natal em Gramado”

Tenho uma foto, com menos de dois anos, com cara de poucos amigos e agarrado na barba de um Papai Noel. Foi tirada na finada Loja Sears, em Botafogo. É estranho, mas jamais gostei dessas grandes festas. Para que tenham uma idéia, não fui nem na minha formatura no Jornalismo.
Pavor mesmo tenho dessas chamadas festas de final de ano. O 31 de dezembro chega a me dar arrepios só de pensar. Sempre gostei – e vale até para os dias de hoje – do dia 24, quando os presentes são distribuídos. Sempre foi uma festa nas minhas casas. Graças ao bom Deus jamais fui a um desses “Natal em Gramado” – deve ser de vomitar, vendo o bom velhinho chegando de trenós com isopor imitando neve. E aquelas caras exclamando o “ohhh!!!, que lindo”!!!
Fora isso, também são datas depressivas – ou tem outro adjetivo? Não sei o por quê. Mesmo não gostando fico assim, macambúzio Sei que vão dizer que é coisa de viado, mas não, talvez porque saiba que milhares e milhares de crianças não ganham xongas. 
Um parênteses: há uns anos, os meus dois filhos já crescidos, o Natal chegando e eu duro. Nada que o Corel não resolvesse. Fiz, durante vários dias, vales-compra para serem resgatados em janeiro, quiçá fevereiro. Não colou, mas eles deram risada da minha “criatividade”. Fecha o parênteses.
Por causa das crianças sempre tivemos o presépio, a árvore e as luzinhas na sacada. Criança gosta, não adianta. E os presentes ficavam numa bota gigante, vermelha. Um jantar legal, rabanada, aquelas nozes e castanhas da vida. E o Roberto Carlos deitando cantoria.
Aí passa o tormento das “festas” e Porto Alegre se muda para o litoral. As vezes não gosto de acordar e ver a cidade vazia. Ir ao centro da cidade e não ver aquele enxame de pivetes. Ou não ter um guardador de carros para brigar. Restaurante e bares vazios, com os garçons com cara de tédio. Me sinto morando no interior – bah!, aí já seria praga de ex-namorada.
Lá pelos primeiros dias de janeiro fico uns 15 dias na praia, onde tenho uma casa confortável, mas que os ladrões insistem em levar até os quadrinhos da parede.
É um inferno real.
No início desse ano, um domingo, fui comprar gelo porque chegariam umas visitas. Não existia gelo na minha praia e nem nas vizinhanças. Gelo!! Um prosaico saco de gelo! Aí fui a cata de pão. Nem de forma!
Tive muita saudade de Porto Alegre.
É, Porto Alegre é ótima no verão.
Para se ter uma ideia, nada como ler um Mestre, Luis Fernando Verissimo. O texto faz parte de um projeto que ainda não desisti. Claro, sobre Porto Alegre.
A SAPA - Sociedade Amigos de Porto Alegre - foi criada pelo publicitário Jesus Iglesias.
Para ser membro bastava acreditar, como o Jesus, que não havia melhor lugar no estado para se veranear do que Porto Alegre. Sua vantagem sobre os outros balneários era enorme: tinha uma infra-estrutura que nenhum outro tinha, mais cinemas, mais restaurantes - e esvaziava no verão, ao contrário dos outros, que enchiam. Ficava perto do mar (está bem, não tão perto, não se podia ter tudo), mas ventava menos e o risco de queimaduras ou bicho do pé era menor...
 A SAPA não tinha sede e, que eu saiba, nunca se reuniu formalmente. Quer dizer, seus  membros  também não precisavam se incomodar com estatutos, atas, eleições de diretoria, etc. além de só conhecerem engarrafamentos na freeway de ouvir falar, e dar risada. 
O Jesus, infelizmente, já morreu. A única desvantagem da SAPA não existir formalmente é que não há um lugar onde colocar a placa que o seu fundador merece.

E encerro com um pedacinho de uma música do Lupiscínio Rodrigues, Bom Conselho. Não sei ao certo, mas deve tratar-se das chuvas de verão:
“Eu semeio vento na minha cidade/
Vou pra rua e bebo a tempestade”.

Ah, Porto Alegre!

Natal inesquecível

·        Não faz muito tempo, passamos o Natal em Gravataí. Isso mesmo, nesta progressista cidade da Grande Porto Alegre, a cidade da GM. Para amenizar a fiasqueira de sair com as três cadelas de casa durante o dia, resolvemos ir para a praia lá pelas 11 e meia da noite do dia 24 de dezembro. Rádio ligado, o locutor faz uma auê danado a meia-noite. E nós ali, dando risada, “o Natal em Gravataí”, pela primeira vez em nossas vidas.
·        Há muitos anos, passei um Natal na casa de uns amigos da minha mãe. Eram todos espíritas e cheios de mandingas. Incluía caroços de uvas dentro da carteira, saltar não sei quantas vezes com o pé direito, um monte de coisas. Não deu certo, foi um ano horroroso pra mim.
·        Ainda não passei um Natal sozinho, mesmo com esta minha idade avançada. Acredito que um dia ainda vou conseguir. E sem ver TV. Apenas curtir as minhas recordações. De todas as bobagens dos Natais passados. Vai ser legal.
·        É curioso, mas o cinismo predomina nas festas de final de ano. No Natal então, é de lascar. Todos perdoam as falcatruas dos parentes, até os escroques são esquecidos. O “espírito natalino” libera geral. Mas só no Natal. Depois, tudo volta ao normal.

·        Natal é Natal assim como Prévidi é Prévidi.

ESPECIAL - 2 de janeiro de 2014

PORTO ALEGRE É ASSIM!

SAUDADE DE PORTO ALEGRE. SERÁ?

Texto de 22 de dezembro de 2007
(algumas bobagens, há 6 anos; outras "verdades" ainda valem)


Quem gosta de praia ou rua deserta
é aquele cara que está próximo da esquizofrenia. 



Estou no Litoral Norte do RS. Tenho uma boa casa numa pequena praia, perto de Tramandaí. Oeisis International. Mesmo antes de voltar a Porto Alegre faço um balanço altamente positivo. Vários dias tive sorte – vento suave, céu sem nuvens e mar limpo, uma raridade. Quase não vi aquela mistura que lembra um nescau marítimo. Tenho nesta casa toda a infra-estrutura necessária. Até microondas. E dois mercados, pequenos, com tudo, bem próximo.
Como passo os dias na frente de um monitor, deliberamos que na praia ficaríamos longe da internet. Mais ou menos, porque duas lojinhas, há 20 passos de onde estou, oferecem uma conexão rápida. Até mesmo no posto de gasolina tem duas máquinas boas. Aí, dia sim dia não dou uma espiada nos e-mails. Escondido.
Outro dia, depois do almoço, deitado na rede, estava convicto que a saudade da minha cidade havia chegado e, por isso, o meu mau humor. Saudade de Porto Alegre. Não podia estar acontecendo, não conseguiria viver com o meu azedume. Era o que faltava, um homem velho com saudade de uma cidade!
Não deixei a rede e comecei a fingir que estava dormindo para que não me incomodassem. Saudade de quê?
Pensei naqueles infelizes que estão em Santa Catarina. Foram para lá acreditando que haviam chegado num paraíso. Na primeira hora em solo catarina descobrem que estão num inferno, mas não dão o braço a torcer. Pagam o olho da cara por tudo, trânsito paulista, mas vivem elogiando: “Nada é mais lindo do que Santa Catarina! Olha essa paisagem!”. No fundo, morrem de saudade de Porto Alegre.
Saudade de quê?
Está certo, temos que concordar como Luis Fernando Verissimo quando ele diz que o melhor lugar para se veranear é Porto Alegre. Em janeiro e fevereiro temos dias perfeitos – o trânsito é calmo, lugares abundantes em restaurantes e cinemas, tudo é ótimo. Uma cidade com tudo da civilização e sem muita gente.
Mas aqui na praia eu tenho tudo isso!
Saudade de quê?
Pensei no Guaíba. O sujo e fedorento Guaíba. Saudade do Guaíba?  Deus me livre! Pela primeira vez pensei que o muro da Mauá é um grande serviço para o porto-alegrense. Não apenas para evitar enchentes improváveis, mas para que os cidadãos não passem perto daquela imundice. E também já concluí que não deve ter revitalização do cais do porto. Bobagem! Já imaginou o sujeito sentado num bom restaurante, na beira do Guaíba, e aquela fetidez em todo o ambiente?
Xô, Guaíba!
E não podemos esquecer que a cidade tem um clima insuportável no verão, justamente por causa do Guaíba. Será que existe uma cidade no mundo tão abafada quanto Porto Alegre? Não tenho esse registro.
Saudade de quê? Do Guaíba? Do calor senegalesco?
Continuava o meu teatrinho na rede. As vezes fingia até que roncava. Uma aragem me permitia esquecer o sofrimento dos que estavam em Porto Alegre.
O que mais me daria saudade?
O meu apartamento, onde moro há 17 anos. É bem legal e tem uma sacada, onde fumo e acompanho o movimento, que não existe mais nos apartamentos moderninhos. Infelizmente, nos dois primeiros meses do ano o movimento diminui muito. De manhã, então, me sinto numa daquelas paradisíacas praias de Santa Catarina, onde nem um fantasma se aventura a colocar um calção ou biquíni. Quem gosta de praia ou rua deserta é aquele cara que está próximo da esquizofrenia. Podem crer.
O que mais?
Meu Deus, o que mais me daria saudade?
As pessoas normais assistem futebol pela TV; filmes em DVD; compram tudo pela internet; até um prosaico cachorro quente ou uma fornida garota de programa se encomenda pelo telefone.
Ah, sim, temos belas paisagens na cidade. Mas já são vistas e revistas. Pelo menos é o meu ponto de vista. Lagoa do Abaeté? Lagoa da Conceição? Ruínas de São Miguel? Cânion de Itaimbezinho? Morro da Polícia? Eu chego, dou mais uma olhada, faço um comentário – “legal” – e me mando. E só a força para me levarem de novo.
Santo Cristo, saudade de quê?
Dormi nos meus devaneios.
Tive um sonho/pesadelo muito estranho.
Estava num bonde, indo da avenida em que morei na minha adolescência, a Venâncio Aires, para o centro da nossa capital. Iria comer um cachorro quente nas cercanias do Mercado Público. Aí fui contar o dinheiro que tinha no bolso. Se pagasse o cobrador, não comeria aquele manjar divino – o cachorro de carrocinha. Resolvi sair correndo, quando a porta se abriu. E o motorneiro e o cobrador foram correndo para me pegar.
Acordei ofegante e suando. Mas fiquei na rede, me recuperando.
Estava com sede e lembrei de um primo, que já morreu. Éramos craques em tocar nas campainhas das casas da Cidade Baixa e perfeitos em tomar Minuano Limão de um litro e sair do bar em disparada. Sem pagar, é claro.
Dormi de novo. E novo sonho/pesadelo. As redes são terríveis.
Estava com alguns amigos parado na rua da Praia, vendo as gurias que passeavam. Pelo jeito, era um sábado. Aí resolvi ir sozinho ao cinema. Não tinha visto o jornal e percorri os mais tradicionais – Vitória, São João, Imperial, Guarani, Cacique, Rex. Neste, me agradou um filme proibido para menores de 18 anos. Devia ser de sacanagem. Comprado o ingresso, saquei a minha carteira falsificada de estudante, que me identificava com 19 anos. O porteiro me devolveu. “Tu não tem 18 anos”. E deu o assunto por encerrado. Fui rápido para o Guarani e a cena se repetiu. E a cena foi se repetindo em todas as salas, até que me acordei sobressaltado.
Desisti de procurar o que me dava saudade de Porto Alegre. Já era quase cinco da tarde. Coloquei um chinelo e fui para a fila do pão – sim, aqui na praia tem fila até no quiosque para comprar uma caipirinha.
No caminho da padaria, me deu saudade do seguinte programa de sábado da minha adolescência: Depois do almoço, ir de bonde ao Centro e procurar um filme que poderia ter alguma cena com uma atriz pelada. Depois comer um cachorro quente na volta do Mercado Público. A volta para casa de trólebus. Depois do banho, se preparar para a reunião-dançante da semana. E tentar decorar a nova música dos Beatles e a versão do Renato e seus Blue Caps. No almoço de domingo? Numa churrascaria ou no Sherazade, lá na parte alta da avenida Protásio Alves.
Um vidão.
É, dessa Porto Alegre tenho muita saudade.
(E dizer que eu tomei banho na praia de Ipanema!).