SALÁRIOS DE APENAS UM MÊS DO LUCIANIO HULK, FÁTIMA BERNARDES, WILLIAN BONNER E ANA MARIA BRAGA DARIA UMA ARRECADAÇÃO MAIOR DO QUE ESTA DEMAGOGIA DO CRIANÇA ESPERANÇA DA CANALHA GLOBO!!
Dois minutos com prévidi
- COMO OS CARANGUEJOS CONSEGUEM CONVENCER PESSOAS INTELIGENTES DE QUE AS ÁRVORES DO HARMONIA SÃO ESSENCIAIS? ATÉ A MARAVILHOSA COLUNISTA CLAUDIA TAJES ENTROU NESSA...
Foi derrubada a decisão liminar do dia 31 e a Prefeitura de Porto Alegre obteve autorização para a retomada das obras do Parque Harmonia. O julgamento do recurso interposto pela Procuradoria-Geral do Município (PGM) ocorreu na sexta, dia 4. A decisão é do desembargador Marcelo Bandeira Pereira, da 21ª Câmara Civel do TJ.
Na decisão, o magistrado afirmou que não houve exame técnico que revelasse supressão de vegetação em desacordo com as autorizações concedidas pelo Município e se, de fato, houve alteração do projeto inicial. “A decisão proferida na origem, assim, equivoca-se ao afirmar que as obras ‘conduzirão praticamente à extinção de 1/3 das árvores do Parque da Harmonia”, diz a decisão. O magistrado ressaltou ainda que a denúncia foi levada ao Ministério Público, o qual descartou a necessidade de tomada de medidas judiciais ou interrupção das obras.
No Twitter, o prefeito Sebastião Melo comemorou a decisão. “Saúdo a decisão equilibrada do desembargador Marcelo Bandeira Pereira de suspender a liminar que interrompia as melhorias no Parque Harmonia, deferindo solicitação da prefeitura. Nesta tarde tivemos a oportunidade de dialogar sobre a regularidade do processo. Ganha a cidade”, afirmou o prefeito. Atuou na ação o procurador André Alves Marino.
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Olá!
- MENOS UM - JERÔNIMO JARDIM
O espaço hoje é do jornalista Jorge André Brittes:
GANHAMOS UM ANJO A REPONTAR ESTRELAS NA ESTÂNCIA DO CÉU!
Foto de Rosane Scherer
Jerônimo Jardim, advogado, publicitário e um dos mais importantes compositores e intérpretes da historia da música do Rio Grande do Sul finalmente descansou. O acorde final ao seu sofrimento soou na CTI do Hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre, exatamente às 14 horas e 30 minutos. Ao terceiro sinal, para lembrar uma de suas brilhantes composições que dá título ao seu LP, por acaso produzido e lançado pela RBS Discos/Som Livre/RGE a qual tive a alegria de gerenciar, Jerônimo finalmente deu fim a uma agonia, dissonante das harmonias absolutamente maravilhosas que deixa para todos nós, familiares, amigos, irmãos, fãs, espectadores, ouvintes, leitores, colegas, conterrâneos.
Jerônimo - jaguarense, bageense, porto-alegrense, carioca, Osório Moreira Gaúcho e Brasileiro Jardim, emocionou o país com a Purpurina majestosamente cantada pela amada Lucinha Lins, ou com Moda de Sangue, eternizada pela maior cantora deste país, Elis Regina, por acaso lançada por Seu Mauricio Sirotsky Sobrinho e tantos e tantos outros temas musicais que aqui poderiam ser citados.
Do inoxidável Pentagrama e parcerias com Ivaldo Roque, às premiações do MPB Shell ou da Califórnia, todos temos lembranças e residuais em nossas retinas.
Durante muitos anos tive a honra de exercer a função de âncora e participar da editoria do telejornal RBS Notícias, uma espécie de JN do Grupo RBS, em Uruguaiana e Santa Maria. Hoje, no começo da noite, recebi muitos telefonemas de familiares e amigos que assistindo os noticiosos locais da Band, Record, Educativa, ULBRA TV, Pampa, SBT e RDCTV, buscavam mais informações sobre a perda de Jerônimo. Imediatamente liguei na RBS TV. Estava no ar o RBS NOTÍCIAS. Nada nas manchetes e muito menos nos conteúdos.
Que triste a perda de memória, informação e empatia com a comunidade que conheceu, admirou, aplaudiu e jamais esquecerá do cara que cantou para o país inteiro que “veio do SUL, decidido a fazer mundo, misturar o xote gaúcho com o xote do sertão”. Que no ano do Astro Haragano, Calhanda da Califórnia, teve o lancamento do álbum fonográfico do festival, assinado pelo selo RBS Discos/Som Livre.
Que triste desafinada RBS Notícias! Saibam que em nossa comunidade cultural e musical, isso provoca imensa dor. Que comportamento antimusical. Hoje à noite, em minhas orações, vou parodiar ou plagiar gentilmente nosso querido e anjo Jerônimo Jardim. Se uma luz não se ilumina, não há jeito de brilhar!
COMUNICAÇÃO
- PERGUNTINHA - RBSTV NÃO VAI ENTREVISTAR O FALCÃO SOBRE O PROBLEMA OCORRIDO EM SÃO PAULO? Até porque será que a "importunação" existiu mesmo? Hoje, até um elogio de linda é "crime". Está muito chato isso. O gauchazh publicou uma chamada:
- JORNALISMO CANALHA - Veja a sequência que recebi, que envolve a TV globo e o "jornalista" caco barcelos:
- ESSE NUNCA ME ENGANOU - O grande repórter, o jornalista ético mostrou a sua verdadeira face, armando uma farsa com uma estagiária. Quero ver se continuará cagando regras em suas palestras.
- FERNANDA BAGATINI - Comemorou ontem 5 anos na Rádio Gaúcha. Legal!!
- QUER APOSTAR? - Juremir Machado da Silva vai voltar com o Esfera Pública na Rádio Guaíba, coluna no Correio do Povo e, quem sabe, participações na TV Record. Como o Juremir não tem nada de otário vai dar espaço para seus amigos da ixquerda e, vez que outra, convida políticos da direita. E trata todos bem. Fora isso, seu nome na Guaíba vai atrair bons anunciantes do Governo federal e até mesmo do Banrisul.
- É BOM LEMBRAR - Juremir Machado da Silva saiu dos veículos da Record porque os bolsonaristas influentes não suportavam o seu "estilo petista". Claro, o presidente era Bolsonaro.
- AGORA... - É o tempo do Juremir e seus amigos.
- CÁ ENTRE NÓS - Um profissional de rádio não pode ser criado na marra. Geralmente, o cara começa na produção, vai para a reportagem e depois de um bom tempo assume uma função no microfone. Aos poucos. Jamais ganha um programa. Um Rogério Mendelski, um Milton Cardoso, um Luiz Carlos Reche, um Gustavo Mota não se faz do dia para noite. Nenhum chegou de paraquedas.
- PELA LÓGICA - Infelizmente devem ter demissões na Guaíba.
- CURIOSIDADE - Não lembro de anúncios do Governo federal nos programas bolsonaristas da Guaíba.
- NA ESTRADA - Se não estou enganado, a RBS já teve um programete com esta ideia - um repórter percorrendo lugares legais do Estado. Agora é a Sara Bodowsky que percorre essas cidades com algo interessante. No sábado ela foi a Imigrante onde mostrou suculentas de montão e fartou-se num café colonial - pela enésima vez alguém toma um café colonial como se fosse a primeira vez. Matéria mal editada, muito cumprida, parece matéria da Record, que não tem fim. Com esta nova "atração" o programa das gurias diminuiu. Entrevistaram a Marta Medeiros e um ator, que não lembro o nome, e... sei lá o que mais. A Garota TikTok nem teve tempo de uma dancinha.
QUE FEIO RBSTV - No principal noticiário da emissora nada da morte do grande Jerônimo Jardim. O amadorismo, cada vez mais, fala mais alto.
- BANDEIRANTES RUMO A AUDIÊNCIA TRAÇO - Vinicius Sinott fora da Band:
AOS MEUS OUVINTES!
Foram trinta anos de Rádio, comecei na Rádio Pelotense, depois Rádio Tupanci e Rádio Universidade, todas na minha querida Pelotas.
Em 2002 vim para a Rádio Guaíba, tive o enorme prazer de conviver e aprender com verdadeiras lendas do rádio brasileiro. Copas do Mundo, Libertadores, Mundiais, Brasileiros, Copas do Brasil, Gauchões, vários Grenais, enfim a Guaíba foi uma enorme experiência e a minha grande casa no Rádio.
Após alguns problemas com o último gestor em 2015 fui demitido, foram maravilhosos 14 anos de convivência com colegas e ouvintes.
Veio então o convite de Leonardo Meneghetti para integrar a equipe da Rádio Bandeirantes, durante 3 anos e meio defendi com muito orgulho o microfone da Band, sempre fui profissional e cumpridor de minhas obrigações, mesmo discordando da atual maneira de se fazer rádio e isso não se refere apenas a Bandeirantes, o rádio em geral mudou, na minha maneira de ver, involuiu, mas é apenas a minha visão.
No último dia 31/07/2023 me despedi da Bandeirantes, ao contrário do que muitos dizem, não estou indo para um outro projeto, fui demitido mesmo, por total discordância da maneira como estão gerindo a Band.
Tomara eu esteja equivocado e eles estejam corretos, vale salientar que as mudanças ocorreram após a saída de Meneghetti da direção da empresa.
Esse rádio que estão fazendo por aí não é o rádio que eu fui apaixonado, gosto de análises sérias, hoje em dia qualquer um dá opinião sobre tudo e a qualidade acabou em muitos casos se perdendo.
Mas devo estar errado pois grande parte de quem ganha dinheiro com comunicação hoje é quem faz "circo" e este jamais será o meu estilo, em dois meses eu sou o quarto membro da equipe de esportes a ser desligado da empresa, devemos estar todos errados certamente.
Minha preocupação sempre foi com a qualidade da informação e da opinião levada ao ouvinte e não de medidas que apenas engessam o trabalho, isso é coisa de burocrata e não de gente de microfone.
Quero agradecer principalmente a todos os meus ouvintes que sempre me deram o prazer da sintonia em todos os prefixos por onde passei.
É o fim de um ciclo na minha vida, um dia deixei de dar aulas por não me agradar da maneira como os professores estavam sendo tratados, em todos os sentidos, foram 28 anos de magistério, agora encerro meu ciclo no rádio, foram exatos 30 anos.
Alguns me chamam de saudosista, é verdade, mas lembro sempre, só se sente saudades do que foi bom.
Um abraço a todos os meus colegas radialistas e ou jornalistas que convivi ao longo desses anos todos, podem ter certeza que aprendi um pouco com cada um de vocês. UM GRANDE ABRAÇO!!
POLÍTICA
- O QUE É A CANALHICE DESSA GENTE!
SÓ QUE ESSE SER ABJETO SE TRATA NO SIRIO LIBANÊS. DEMAGOGOS CANALHAS!!
- AGORA, OLHA O QUE ESSE IDIOTA FALA:
- REPUBLICANOS - O partido que está no colinho do Dudu Milk agora vai se acomodar nas frágeis coxas do Dilmo da Silva. O que fará o deputado estadual Gustavo Victorino, o mais votado do RS e "inimigo" dos petistas?
- PREMIO NOBEL CONTESTA INFORMAÇÕES SOBRE CLIMA
- ÁREAS PÚBLICAS - O deputado estadual Gustavo Victorino apresentou projeto que institui o Programa de Adoção de Áreas Públicas à Iniciativa Privada visando melhorias urbanísticas, estruturais e paisagísticas em imóveis de titularidade do Estado. A iniciativa, aberta a empresas e instituições sem fins lucrativos, permite intervenções estruturais, além de outras ações de manutenção das áreas. Os interessados poderão fazer adoção compartilhada e terão direito à exploração de publicidade em locais determinados e regrados pelo poder público.
“A parceria entre o poder público e a iniciativa privada busca a valorização dos espaços públicos, tornando-os mais atrativos e funcionais para a população, além de permitir que as verbas destinadas a este fim sejam direcionadas a outras demandas e necessidades prioritárias, tornando a administração pública mais eficiente”, considera o parlamentar.
eleições 2024
- PSDB FORA DA PREFEITURA DE VIAMÃO - O deputado federal Bibo Nunes, do PL, e o deputado estadual Capitão Martim, do Republicanos, estão consolidando a união dos partidos para constituir a chapa majoritária em Viamão, na Grande Porto Alegre. Além dos deputados participaram da reunião o presidente liberal da executiva de Viamão, Jonas Rodrigues (suplente de vereador), ex-prefeito André Nunes Pacheco e a deputada suplente, Camila Nunes.
LUXO PETISTA
PERGUNTINHA
- CADÊ OS VÍDEOS DA "AGRESSÃO" AO URUBU PAI E URUBU FILHO NA ITÁLIA?
ECONOIMIA
- DEMAGOGIA DÁ NISSO
cONFRARIA DO CACHORRO QUENTE
- VAMOS LÁ, SUGESTÕES DE LOCAL PARA FAZERMOS A FESTA DE 10 ANOS DA PRIMEIRA REUNIÃO DA CONFRARIA DO CACHORRO QUENTE.
- FALCÃO - Pediu demissão do Santos, onde era coordenador de futebol.
- DUPLAS
1ª - Guido Corneta e Cleo Hickmann:
2ª - Felipe Vieira e Milton Neves:
- O MAIOR CLUBE DO RS - Ranking da Opta, empresa de dados esportivos com sede em Londres:
Manchester City é o melhor clube do mundo. Palmeiras é o melhor fora da Europa. O Flamengo, ganhador da Libertadores 2022, aparece em 80º, igualando-se em pontos ao Copenhague, da Dinamarca. O River Plate está em 85º, e o Monterrey, em 95º. Afora Palmeiras e Flamengo, os clubes brasileiros mais bem avaliados são o Botafogo, em grande fase, liderando o Brasileiro (118º na lista), o Fluminense, que conta com o técnico interino da seleção brasileira, Fernando Diniz (143º), o São Paulo (175º), o Atlético-MG (185º), o Fortaleza (200º), o Corinthians (203º), o Bragantino (205º) e Internacional (210º).
- COUDET FORA - Trouxeram esse argentino, de novo, como se fosse grande coisa. Está fazendo o que o Mano fazia. Não vejo diferença no time. Empate com o Coríntia foi um milagre.
- POR FALAR EM MILAGRE - O Grêmio ressuscitou o Vasco. Que jogo horrível! GOD!!
- É HOJE - Às 18 horas, em casa. Juventude e Vila Nova de Goiás. Tudo para vencer e se aproximar do G4.
- O LÍDER SUPREMO - Empatou como Cruzeiro e nada muda na tabela. Apenas aguardando para ser anunciado Campeão Brasileiro.
piadinha
DO JORNALISTA GUSTAVO MOTA: Eu acho que os ' catarina" do Fort Atacado estão se arriando na mística do macho gaúcho. Identificação do banheiro masculino no súper de Canoas.
(a caranguejada deve estar enlouquecida: "não vai dar certo"!
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especial
Nesta sexta, uma cesta de FernaNDO SABINO!
O Perseguidor do Santo Graal da Literatura
O meu ritmo é esse. O diabo é que acabo deixando também a mente solta, a vagar pelo espaço. E minha imaginação rola com as ondas na areia de Ipanema, e se perde na distância azul do mar.
Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam: o que você quer ser quando crescer? Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu diria que quero ser menino.
No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim.
Liberdade é o espaço que a felicidade precisa.
A verdadeira inspiração é aquela que nos impele a escrever sobre o que não sabemos, justamente para ficar sabendo.
Fernando Sabino (Fernando Tavares Sabino)nasceu em Belo Horizonte, em 12 de outubro de 1923. Jornalista, escritor e editor, faleceu no Rio de Janeiro em 11 de outubro de 2004.
Iniciou seus estudos no Grupo Escolar Afonso Pena, onde conheceu o amigo Hélio Pellegrino. Aos 12 anos, começou a escrever contos. Sua primeira publicação, uma história policial, aconteceu na revista Argus, editado pela polícia de MG. Durante a adolescência, enviava com regularidade crônicas para a revista, que promovia um concurso permanente, o qual Sabino vencia com frequência, tanto que chegava a receber o dinheiro adiantado.
Nadador do Minas Tênis Clube, bateu diversos recordes de nado de costas, sua especialidade, tornando-se campeão sul-americano dessa modalidade em 1939. No mesmo ano, ganhou o segundo lugar na Maratona Nacional de Português e Gramática Histórica, empatado com Hélio Pellegrino.
No início da década de 1940 começou a cursar a Faculdade de Direito em Minas Gerais e ingressou no jornalismo como redator da Folha de Minas, por intermédio do escritor Murilo Rubião. O primeiro livro de contos, Os Grilos Não Cantam Mais, foi publicado em 1941, no Rio de Janeiro, quando o autor tinha 18 anos, sendo que alguns contos do livro foram escritos quando Sabino tinha apenas 14 anos.
Rubem Braga, José Carlos Oliveira, Vinícius de Moraes e Fernando Sabino - em pé Paulo Mendes Campos e Sérgio Porto.
Nesse período, conheceu e passou a conviver com Marques Rebêlo, Guilhermino César e João Etienne Filho. Formava, com Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, um grupo literário, apelidado por Etienne, de Grupo dos Vintanistas, devido ao fato de todos estarem na casa dos 20 anos.
Esse grupo discutia literatura e fazia passeios boêmios pelas noites de Belo Horizonte. Suas histórias serviram de inspiração para a premiada obra O Encontro Marcado. Nesse período, Sabino publica contos e artigos pelas revistas Mensagem, Alterosa e Belo Horizonte.
Por ocasião da publicação do primeiro livro, Sabino inicia, em 1942, correspondência com o escritor paulista Mário de Andrade. A troca de cartas dura até 1945, ano da morte de Mário, e pode ser lida no livro Cartas a um Jovem Escritor e Suas Respostas.
Com alguns filhos
Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1944. Tornou-se colaborador regular do Correio da Manhã, onde conheceu Vinicius de Moraes, de quem se tornou amigo. No mesmo ano, publicou sua segunda obra, a novela A Marca.
Em 1945, conheceu a escritora Clarice Lispector, de quem tornou-se amigo e mais tarde, correspondente. Depois de se formar em Direito na Faculdade Nacional de Direito, em 1946, viajou com Vinicius de Moraes aos Estados Unidos.
Em Nova York
O escritor morou por dois anos em Nova York, onde exercia função burocrática no consulado brasileiro, com sua primeira esposa Helena Valladares Sabino e a primogênita Eliana Sabino. Nesse período, conheceu o compositor Jayme Ovalle. Colaborou com crônicas para o Diário Carioca e O Jornal. As crônicas reunidas do período foram publicadas na obra A Cidade Vazia (1950). No mesmo período, Sabino escreve Os Movimentos Simulados e esboços das obras O Encontro Marcado (1956) e O Grande Mentecapto (1979).
Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino e Paulo Mendes Campos
O Encontro Marcado, uma de suas obras mais conhecidas, foi lançada em 1956. Sabino decidiu viver exclusivamente como escritor e jornalista. Iniciou uma produção diária de crônicas para o Jornal do Brasil, escrevendo mensalmente também para a revista Senhor. Em 1960, publicou o livro O Homem Nu, pela Editora do Autor, fundada por ele, Rubem Braga e Walter Acosta.
Publicou, em 1962, A Mulher do Vizinho, que recebeu o Prêmio Fernando Chinaglia, do Pen Club do Brasil. Em 1964, muda-se para Londres, onde passa a exercer função da adido cultural junta à Embaixada brasileira. Torna-se correspondente do Jornal do Brasil. Colabora na BBC e com as revistas Manchete e Claudia.
Deixa a editora em 1966 e funda a Editora Sabiá. Em 1973 funda a Bem-te-vi Filmes, com David Neves, por meio da qual produz uma série de curtas-metragens com escritores brasileiros. Realiza, na década de 1970, uma série de viagens ao exterior documentando eventos.
Com Clarice Lispector
Publicou O Grande Mentecapto em 1979, iniciado 30 anos antes. A obra, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti, e acabaria sendo adaptada para o cinema, com direção de Oswaldo Caldeira, em 1989, e também para o teatro. Publicou em 1982, O Menino no Espelho. Em 1985, A Faca de Dois Gumes. E em 1989, O Tabuleiro de Damas, uma obra autobiográfica. Publicou com regularidade na década de 90.
Em 1991, publica Zélia, Uma Paixão. Em 1996, foi publicada em três volumes sua Obra Reunida pela Editora Nova Aguilar. Em julho de 1999, recebeu da Academia Brasileira de Letras o prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra. Em 2001, publicou Livro Aberto e Cartas Perto do Coração. Em 2002, publicou Cartas Sobre a Mesa e, em 2004, publicou Os Movimentos Simulados.
Foi enterrado ao som de uma banda de jazz
Fernando Sabino faleceu, em 2004, em sua casa em Ipanema, vítima de câncer no fígado, às vésperas do 81º aniversário. Foi sepultado no no Cemitério São João Batista. Seu epitáfio, escrito a seu pedido, é o seguinte: "Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino!".
Obras
Os grilos não cantam mais - contos (1941 - Pongetti)
A marca - novela (1944 - José Olympio)
A cidade vazia - crônicas e histórias (1950 - NY)
A vida real - novelas (1952, Editora A Noite)
Lugares comuns - dicionário (1952, Record)
O encontro marcado - romance (1956, Civilização Brasileira)
O homem nu - crônicas (1960, Editora do Autor)
A mulher do vizinho - crônicas (1962, Editora do Autor)
A companheira de viagem - crônicas (1965, Editora do Autor)
A inglesa deslumbrada - crônicas (1967, Sabiá)
Gente I e Gente II - crônica sobre personalidades com quem Fernando Sabino teve contato (1975, Record)
Deixa o Alfredo falar! - crônicas (1976, Record)
O Encontro das Águas - crônicas sobre uma viagem à cidade de Manaus/AM (1977, Record)
O grande mentecapto - romance (1979, Record)
A falta que ela me faz - crônicas (1980, Record)
O menino no espelho - romance (1982, Record)
O Gato Sou Eu - crônicas (1983, Record)
Macacos me mordam (1984, Record)
A vitória da infância (1984, Editora Nacional)
A faca de dois Gumes - novelas (1985, Record)
O Pintor que pintou o sete (1987, Berlendis & Vertecchia)
Martini Seco - romance (1987, Ática)
O tabuleiro das damas - autobiografia literária (1988, Record)
De cabeça para baixo - crônicas de viagens (1989, Record)
A volta por cima - crônicas (1990, Record)
Zélia, uma paixão - biografia (1991, Record)
O bom ladrão - novela (1992, Ática)
Aqui estamos todos nus (1993, Record)
Os restos mortais (1993, Ática)
A nudez da verdade (1994, Ática)
Com a graça de Deus (1995, Record)
O outro gume da faca - novela (1996, Ática)
Um corpo de mulher (1997, Ática)
O homem feito novela (originalmente publicada no volume A vida real, cf. acima) (1998, Ática)
Amor de Capitu - recriação literária de Dom Casmurro (1998, Ática)
No fim dá certo - crônicas (1998, Record)
A chave do enigma (1999, Record)
O galo músico (1999, Record)
Cara ou coroa? (2000, Ática)
Duas novelas de amor - novelas (2000, Ática)
Livro aberto - Páginas soltas ao longo do tempo - crônicas, entrevistas, fragmentos, etc. (2001, Record)
Cartas perto do coração - correspondência com Clarice Lispector (2001, Record) Cartas na mesa - correspondência com Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende e Hélio Pellegrino (2002. Record) Os caçadores de mentira (2003, Rocco) Cartas a um jovem escritor e suas respostas (2003, Record) Os movimentos simulados (2004, Record) Bolofofos e finifinos (2004, Ediouro)
Clarice Lispector entrevista o Fernando
Esta entrevista foi feita antes de Fernando Sabino declarar que a literatura morreu.
Clarice Lispector – Fernando, por que é que você escreve? Eu não sei por que eu escrevo, de modo que o que você disser talvez sirva para mim.
Fernando Sabino – Há muito tempo que não escrevo. A última vez foi ali por volta de 1956, 1957. Escrevia por necessidade de me exprimir. Desde então tenho me utilizado da palavra escrita como atividade profissional, por necessidade de ganhar a vida. Mas não chamo a isso de escrever, como ato de criação artística.
Clarice Lispector – Como é que começa em você a criação, por uma palavra, uma ideia? É sempre deliberado o seu ato criador? Ou você de repente se vê escrevendo? Comigo é uma mistura. É claro que tenho o ato deliberador, mas precedido por uma coisa qualquer que não é de modo algum deliberada.
Fernando Sabino – A criação nunca começava por uma palavra ou por uma ideia. Era uma espécie de sentimento em mim que partia em busca dessa palavra ou dessa ideia. Qualquer palavra, qualquer ideia. Hoje o sentimento ainda existe, mas tem-se dispensado de se exprimir através de palavras ou ideias – de certa maneira me contento com o próprio sentimento, que procura fora de mim alguma forma de expressão já existente com que se identificar. A música, por exemplo – especialmente a de Thelonious Monk.
Clarice Lispector – Há quanto tempo você escreve crônicas? Falta-lhe assunto às vezes? A mim, no Jornal do Brasil, por enquanto ainda não.
Fernando Sabino – Escrevo crônica desde 1947. Sempre falta assunto – é penoso ter de inventar. Procuro suprir o jornal ou a revista que me pagaria com a matéria escrita que corresponda ao que esperam de mim, ou seja, agradar o leitor. Aceito alegremente a tarefa, como um móvel.
Clarice Lispector – Que é que você acha do protesto dos jovens no mundo inteiro? Que estão eles querendo, na sua opinião?
Fernando Sabino – Na minha opinião estão querendo o mesmo que eu queria quando era jovem – e continuo querendo: repudiar um mundo errado que os mais velhos lhes querem deixar como herança. Estão querendo acertá-lo e não sabem como – mas nós muito menos.
Clarice Lispector – Que é que você acha de Marcuse?
Fernando Sabino – Só li de Marcuse algumas páginas da tradução de um livro seu, o suficiente para ver que ele parece ignorar, na proposição de suas ideias com relação ao mundo de hoje, um dado elementar: o de que o mundo de hoje tem muito mais gente que o mundo do princípio do século. E quanto a isso, ele não apresenta nenhuma outra solução. Nem mesmo a pílula.
Clarice Lispector – Por que você, Fernando, com o grande talento que tem, só escreveu um romance? Teve tanto sucesso que isso deveria incentivar você a produzir mais. Ou o sucesso atrapalhou você? A mim quase que faz mal: encarei o sucesso como uma invasão.
Fernando Sabino – O sucesso sempre atrapalha: neutraliza a nossa necessidade de se afirmar. No meu caso, entretanto, não foi o sucesso do meu romance que me atrapalhou, mas a necessidade, a que não soube resistir, de fazer da palavra escrita um ofício do qual tiro o meu sustento. Deixando de escrever, e indo buscar de dentro do mais obscuro anonimato um meio de expressão, é possível até que eu começasse realmente a escrever. Não desisti: lhe asseguro que ainda pretendo começar.
Clarice Lispector – Fernando, qual o seu processo de trabalho, você se inspira como? Ou se trata de uma disciplina?
Fernando Sabino – Há muito tempo que não me dou a esse luxo: o de inspirar-me. Contar com algum tema, alguma solicitação, algum estímulo que signifique uma verdadeira inspiração. E a verdadeira inspiração é aquela que nos impele a escrever sobre o que não sabemos, justamente para ficar sabendo.
Clarice Lispector – Conte-me um pouco sobre a Editora Sabiá.
Fernando Sabino – A Editora Sabiá tem grandes planos para este ano. Vamos prosseguir na nossa série de antologias poéticas bilíngues, iniciada com Pablo Neruda, publicando uma de Garcia Lorca. E entre as nacionais, será lançada em breve a de Jorge de Lima. Vamos iniciar também uma série de traduções de grandes romances modernos, o primeiro dos quais será Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez – um verdadeiro monumento da literatura moderna, best-seller internacional, considerado o livro mais importante da língua espanhola desde Don Quixote. Além disso, Rubem Braga e eu não perderemos de vista o objetivo pessoal que nos levou a fundar a Editora Sabiá: o de publicar nossos próprios livros em melhores condições e, por extensão, os dos nossos amigos.
Clarice Lispector – Em que jovem de hoje você tem esperança como futuro grande escritor?
Fernando Sabino – Não tenho acompanhado como devia a atividade de nossos jovens escritores – passei algum tempo fora do Brasil e ainda não retomei o contato como gostaria. Mas sei que há diversos jovens escrevendo o que há de melhor por esse Brasil. Os de Minas, por exemplo, ocasionalmente me têm dado prova disso, através do excelente suplemento literário do Minas Gerais, dirigido por Murilo Rubião. Já realizados como escritores da nova geração, eu poderia citar, entre outros, Oswaldo França Júnior e José J. Veiga, que me parecem admiráveis. Mas no Brasil, mal um escritor entrou na casa dos trinta, já é considerado velho...
Clarice Lispector – Qual foi, Fernando, a sua maior decepção na vida?
Fernando Sabino – Eu poderia responder repetindo Léon Bloy: a de não ter sido um santo. Mas modestamente, entretanto, prefiro dizer que foi a de não me ter ainda realizado como romancista.
Clarice Lispector – Quando é que você se alegra?
Fernando Sabino – Sou sempre alegre – daquela alegria interior dos fronteiriços da debilidade mental e que, portanto, têm ainda uma oportunidade de salvação.
Clarice Lispector – O que é que você desejaria para o Brasil?
Fernando Sabino – Desejaria que o Brasil conseguisse realizar nada menos que o grande sonho da humanidade: o de atender à necessidade de justiça social para todos sem prejuízo dos direitos fundamentais de cada um. Uma utopia, que no entanto deve ser o mínimo de ideal a ser sustentado por um homem digno desse nome.
Clarice Lispector – Como é que você resumiria o conteúdo da palavra amor?
Fernando Sabino – Amor é dádiva, renúncia de si mesmo na aceitação do outro. Amar o próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas.
Clarice Lispector – Quais são os seus projetos como romancista?
Fernando Sabino – Não sei. Só vou ficar sabendo depois que escrever um novo romance. É preciso que eu me convença de que um romance não é mais do que um romance. Tenho de esquecer o pouco que aprendi e sair tateando às cegas até encontrar o botão de luz.
Clarice Lispector – Você acha que a nossa geração falhou? Eu acho que sim. Acho que nos faltou dar o corajoso passo no escuro. Nós não tínhamos desculpa, porque tínhamos talento e vocação.
Fernando Sabino – Não sei se nossa geração falhou. Nunca me senti, como escritor, como parte de uma geração. (Nem eu, pensei.) Sempre me senti sozinho e este talvez tenha sido o meu erro. Quis aprender sozinho e perdi a inocência. O artista é um inocente. Era preciso reaprender a olhar tudo como se fosse pela primeira vez. Eu olhei como se fosse a última. Em tempo: o romance que não consegui escrever se chamaria O salto no escuro. Estou dispensado até deste título, pois já saiu outro com o mesmo nome.
Clarice Lispector – Fernando, você tem medo antes e durante o ato criador? Eu tenho: acho-o grande demais para mim. E cada novo livro meu é tão hesitante e assustado como um primeiro livro. Talvez isso aconteça com você, e seja o que está atrapalhando a formação de seu novo romance. Estou ficando impaciente à espera de um romance seu.
Fernando Sabino – O que atrapalha a criação de um novo romance é a presunção de que somos capazes de criar. Diante da grandiosidade da tarefa, descubro que não sou coisa nenhuma. Era preciso partir da consciência de minha própria insignificância, e reconhecer com humildade que a tarefa nem grandiosa é, mas apenas um ato de louvor a Deus na medida das minhas forças.
Clarice Lispector – Você é profundamente católico ou apenas superficialmente?
Fernando Sabino – O catolicismo é uma herança de minha formação familiar que, graças a Deus, não abandonei. Deus não abandona aos que não o abandonam. Mas isso é assunto para conversa só entre nós dois.
Clarice Lispector – Qual o seu santo preferido?
Fernando Sabino – Não tenho preferência. Acho os santos uns chatos, pela inveja que me despertam, me fazendo ainda mais pecador.
Clarice Lispector – Você, que morou na Inglaterra como adido cultural nosso, notou lá algum movimento novo na literatura? Eu acho a literatura do mundo muito parada. Não há quem me satisfaça numa leitura. E você?
Fernando Sabino – Atualmente eu me interesso mais pelo depoimento pessoal, pelo documentário jornalístico – que talvez sejam novas formas de literatura.
Clarice Lispector – Como é que você encara o problema da morte?
Fernando Sabino – Deixar este mundo não me faz mais alegre, porque a vida é boa. Mas a morte é o eterno repouso. E eu tenho muita vontade de repousar eternamente. E muita curiosidade. Espero que não doa muito. Gostaria de morrer em nome de alguma coisa. Morrer deliberadamente, e não como alguém que depois do jantar espera que o garçom lhe traga a conta e fica pensando na gorjeta. Fazer da minha morte a justificação da minha vida. Mas não creio que mereça tanto.
A última crônica
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “Parabéns pra você, parabéns pra você…”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Dez minutos de idade
A enfermeira surgida de uma porta me impôs silêncio com o dedo junto aos lábios e mandou-me entrar. Estava nascendo! Era um menino.
Nem bonito nem feio; tem boca, orelhas, sexo e nariz no seu devido lugar, cinco dedos em cada mão e em cada pé. Realizou a grande temeridade de nascer, e saiu-se bem da empreitada. Já enfrentou dez minutos de vida. Ainda traz consigo, nos olhinhos esgazeados, um resto de eternidade.
Portanto, alegremo-nos. A vida também não é bonita nem feia. Tem bocas que murmuram preces, orelhas sábias no escutar, sexos que se contentam, perfumes vários para o nariz, mãos que se apertam, dedos que acariciam, múltiplos caminhos para os pés. É verdade que algumas palavras, melhor fora nunca dizê-las, outras nunca escutá-las. Olhos há que procuram ver o que não podem, alguns narizes se metem onde não devem. Há muito prazer insatisfeito, muito desejo vão. Mãos que se fecham. Pés que se atropelam. Mas o simples ato de nascer já pressupõe tudo isso, o primeiro ar que se respira já contém as impurezas do mundo. O primeiro vagido é um desafio. A vida aceitou um novo corpo e o batismo vai traçar-lhe um destino. A luta se inicia: mais um que será salvo. Portanto, alegremo-nos.
Menino sem nome ainda, não te prometo nada. Não sei se terás infância: brinquedos, quintal, monte de areia, fruta verde, casca de árvore, passarinho, porão de fantasmas, formigas em fila, beira de rio, galinha no choco, caco de vidro, pé machucado. O mundo de hoje, tal como o estou vendo da janela do meu apartamento, desconfio que te reserva para a infância um miraculoso aparelho eletrocosmogônico de brincar. Ou apenas uma eterna garrafa de Coca-Cola e um delicioso Chicabon.
Aceita, menino, esses inofensivos divertimentos. Leva-os a sério, com toda aquela seriedade grave da infância, chupa o Chicabon, bebe a Coca-Cola, desmonta e torna a montar a miraculosa máquina de brincar de nosso século que a imaginação de teu pai jamais poderia sequer conceber. Impõe a essas coisas e a essa vida que te oferecerão como infância a sofreguidão da tua boca, a ousadia de teus olhos e a força de tuas mãos. Imprime a tudo que tocares a alegria que me deste por nasceres. Qualquer que seja a tua infância, conquista-a, que te abençoo. Dela te nascerá uma convicção. Conquista-a também ? e vá viver, em meu nome. Nada te posso dar senão um nome.
Nada te posso dar. No teu primeiro instante de vida minha estrela não se apagou. Partiu-se em duas e lá no alto uma delas te espera, será tua. Nada te posso dar senão um nome e esta estrela. Se acreditares em estrela, vai buscá-la.