Segunda, 19 setembro 2011 - parte 2

QUERIA SER GAUDÉRIO, DOUTOR
Clóvis Heberle*

“Doutor, tenho um problema. E ele se agrava a cada Semana Farroupilha. Acontece que eu queria ser gaudério, daqueles para quem o nirvana é andar pilchado, comer churrasco e tomar chimarrão ao som da música nativista, andar a cavalo pelos campos verdejantes. Chego a ficar com inveja da felicidade dos peões laçando potros, assando carne em fogo de chão, desfilando no dia 20 de Setembro com suas botas enceradas, as bombachas bem cortadas, os chapéus de aba larga.
 Bem que eu tentei, doutor. Um dia desses fui a uma loja de moda campeira e pedi uma bombacha, um chapéu de barbicacho, um lenço colorado e um par de botas de cano alto. Vesti, me olhei no espelho, e me senti tão ridículo como se estivesse com aquelas roupas de caubói das duplas sertanejas.
É claro que gosto de um churrasco bem assado, de preferência saboreado com parentes e amigos. Mas um bife de chorizo à argentina igualmente me satisfaz. Ou um filé de peixe com molho de camarão.
De vez em quando compro erva e tomo mate. Mas acho exagerado este pessoal que não desgruda da cuia e da térmica, mesmo no calor de 40 graus do verão. E a bomba passar de mão em mão, de boca em boca, me parece anti-higiênico. Prefiro passar.
Curto as músicas folclóricas de Barbosa Lessa e Paixão Cortes, a gaita do Borghetinho e do Luís Carlos Borges, mas quando aqueles grupos nativistas começam a maltratar os violões e manifestar aos berros o seu amor pelo Rio Grande, me dá vontade de ouvir uma zamba, uma chacarera,  Atahualpa Yupanki. Menos decibéis e mais sonoridade.
Também me incomodam esta divisão entre patrões e peões, gremistas e colorados, maragatos e chimangos.
Gosto de ser gaúcho, mas não sinto nenhum orgulho além do normal, o mesmo que os acreanos, os mineiros e os capixabas sentem pela sua terra natal.
Sabe, doutor, chego a me envergonhar das  bravatas deste pessoal que se acha melhor que os outros brasileiros. Não acho que somos mais machos, nem mais valentes. Somos, no máximo, diferentes.  E, em muitos aspectos, mais atrasados."

* Clovis Heberle é jornalista e edita o http://clovisheberle.blogspot.com/

Segunda, 19 setembro 2011

Um bom debate
Quando a Zero Hora propõe um debate, determinando um assunto, o resultado é pura brilhatura inconsequente.
O legal é quando o debate se dá sem combinação.
É o que aconteceu na sexta passada.
Na coluna do Wianey Carlet e uma crônica do David Coimbra.
Acompanhem.

Wianey Carlet:
Hinos
Não aceito que nutrir sentimentos patrióticos possa descambar para um nacionalismo fascista e, até mesmo, para a xenofobia. Trata-se de uma relação exagerada e, até, preconceituosa. Enaltecer a cidade em que se vive, Estado ou país, sempre representados por seus símbolos, corresponde a amar e defender o próprio lar. Tampouco cabe comparar o nacionalismo afetuoso e produtivo com o nazismo de Hitler, sedimentado sobre os mais reprováveis sentimentos racistas e socioeconômicos. Hitler era anticomunista e nem por isso se dirá que o capitalismo gera o fascismo. Enfim, tudo isto para dizer que as execuções dos hinos Nacional e Rio-grandense, antes dos jogos de futebol, apenas oportunizam um momento de reverência à terra em que nascemos e vivemos. Respeitar e cantar os símbolos nacionais e regionais não compromete a ética e o bom convívio social, como defende a intelectualidade alternativa. Os vereadores de Porto Alegre darão um passo atrás se extinguirem a obrigatoriedade de execução dos hinos antes dos jogos. Se assim fizerem qual será o avanço?
Alegação – Dizem os adversários dos hinos no futebol que, no inverno, principalmente, comprometem-se as propriedades do aquecimento físico pré-jogo quando os atletas se perfilam para a execução dos hinos. Ora, nunca se ouviu reclamação dos preparadores físicos. Nem seria razoável, uma vez que é executada apenas uma pequena parte do Hino Nacional e do Hino Rio-grandense tem letra curta. Minhas filhas, ensinei-as desde cedo a venerar os símbolos da Pátria. E, sinceramente, não se identifica vicejar no seu caráter traços fascistas, como prega a intelectualidade libelulista.

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David Coimbra
Os patriotas

Foram tantos os pedidos, tão sinceros, tão sentidos, que decidi escrever sobre o gauchismo e quejandos, candente assunto do Sala de Redação de quarta-feira passada. Que foi o Lauro Quadros encerrar o programa e já começaram a desaguar mensagens por todas as vias de comunicação possíveis. Gente me criticando, gente me apoiando, gente ponderando. O debate era sobre a execução ou não do Hino Rio-Grandense nos estádios. Disse, e repito, que expressões de nacionalismo e patriotismo são em primeira instância ingênuas e, em segunda, nocivas.
O nacionalismo nasceu, de fato, com a Revolução Francesa. Desde então é que foram implantados os hinos, as bandeiras e a noção de fidelidade a um lugar interfronteiras. Antes, devia-se fidelidade ao rei ou a um senhor feudal. Os casos mais próximos do patriotismo moderno eram os das cidades-estados gregas e da república romana. Havia, nesses casos, fidelidade à classe, à condição de cidadão.
As mais sangrentas guerras do mundo se originaram do nacionalismo. As maiores atrocidades cometidas no mundo se originaram do nacionalismo. Porque o nacionalismo, naturalmente, desvia-se para a exclusão. Você cultua o lugar em que nasceu, as suas tradições, os hábitos dos seus conterrâneos, e logo está achando que o seu lugar, as suas tradições e os seus hábitos são melhores do que os dos outros.
Isso não significa, obviamente, que você não deva respeitar, entender e estudar o seu lugar, as suas tradições e os seus hábitos. Sou um entusiasta da História com agá maiúsculo. Se você conhece a História, você entende o seu passado e, se você entende o seu passado, sabe o porquê das ocorrências do seu presente. É um dos princípios da psicanálise. Mas a História é diferente da tradição e do folclore. A tradição e o folclore invadem o terreno da mitologia. Donde, a propriedade do verbo “cultuar”, quando se fala em tradição e folclore. O “culto”, a “veneração” dos heróis pátrios. A tradição está repleta de heróis. A História, se estiver repleta de heróis, talvez não seja mais História, seja lenda.
Há que se respeitar as tradições, mas o verdadeiro civismo é o respeito às pessoas. É compreender que todas as pessoas são iguais, mesmo que nasçam em lugares diferentes, tenham cores diferentes, religiões diferentes e que cantem hinos de letras diferentes. Aliás, gosto dos hinos porque, se você estudar as letras deles, de quaisquer hinos de quaisquer países, constatará que todos ressaltam as qualidades guerreiras dos povos. Todos são bravos, são corajosos, são impávidos colossos, todos cometem façanhas que servem de modelo a toda a Terra. E, se todos são assim tão valentes, todos, afinal, são iguais.
De certa forma, esse amor-próprio elevadíssimo é positivo. Nós aqui, no Rio Grande, nos ufanamos de ter a mulher mais bonita do mundo, o clássico de futebol com a maior rivalidade do mundo, o mais belo pôr do sol do mundo, o melhor centroavante do mundo e, agora, a mais linda rua do mundo. Pode ser tudo bobagem fátua, mas não faz mal acreditar. O mal se faz quando a tradição prende o homem ao passado e, pior, a um passado que nunca existiu. O mal se faz quando o regionalismo se transforma em exclusivismo cego. O mal se faz quando não se percebe que há muito para se ver lá fora e que, aqui dentro, é preciso olhar para frente, não para trás.

Bom Dia! Segunda, 19 setembro 2011

ESTOU NA TORCIDA!!
E ELA ESTÁ NAS MINHAS ORAÇÕES!!

Não sei dizer qual o sentimento que tenho em relação a esta maldita doença.
Qualquer palavra que penso não expressa essa praga da humanidade.
Fico furibundo quando me dizem que uma pessoa contraiu essa maldição. Sempre. Me estraga o dia - ou melhor, fico com aquilo na cabeça e só melhoro quando faço uma de minhas orações. Quase sempre, manteiga derretida, dou uma choradinha, escondido. Me refugio na sacada do apartamento.
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Esse último final de semana foi de lascar.
Como fui dormir tarde na sexta - fiquei vendo o Roberto Carlos no Jô - acordei no sábado perto do meio-dia.
Abri os e-mails e dois amigos me passaram um link da Zero Hora. Aí levo uma porrada:
Jornalista Rosane Marchetti fala sobre sua luta contra câncer de mama
A repórter especial da RBS TV retirou tumor em agosto e agora faz sessões de quimioterapia

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O curioso é que eu tinha anotado, no bloco que deixo na mesa em que trabalho, o seguinte: Por onde anda a Rosane? Porque sempre que ela "some" eu pergunto e a guria me responde rapidinho.
Taí a explicação do sumiço.
Putz, esta maldita doença que me nego a escrever!!
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Conheço a Rosane desde os anos 80. Trabalhamos no mesmo período na Assembleia.
Quem não a conhece basta ler a entrevista que saiu na ZH de sábado. Ela é aquilo que está ali.
Vai: http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a3491427.xml&template=3898.dwt&edition=17956&section=1003
Firme e forte.  Pra cima, mesmo enfrentando essa praga!!
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É triste saber que não vamos assistir a melhor repórter de TV do Estado por um bom tempo. Lá pelas tantas, na entrevista, ela diz: ",,,mas, a partir de janeiro, quem sabe volto à tevê para ficar atrás das câmeras, em produções de matérias".
Isso é uma grande sacanagem!!! Essa maldita doença!!
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Rosane, lindinha, tu estás nas minhas orações, principalmente as que faço antes de dormir.
Beijo.