Sexta, 28 de agosto de 2026


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Alfredo Octávio: o maior jornalista do Brasil

Livro Alfredo Octávio

NESSA SEXTA
a cesta do João Paulo





JOÃO PAULO DA FONTOURA é de Taquari-RS. É escritor e historiador diletante, membro da ALIVAT – Academia Literária do Vale do Taquari, titular da cadeira nº 26. Autor do livro biográfico "Costa e Silva", edição 2025






Oliver Cromwell




Cromwell é uma das figuras mais controversas na história das ilhas britânicas, considerado como ditador regicida por historiadores como David Hume, tal como citado por David Sharp, mas um herói da liberdade por outros, como Thomas Carlyle e Samuel Rawson Gardiner. Em 2002, numa escolha feita pela BBC no Reino Unido, Cromwell foi eleito um dos dez britânicos mais importantes de todos os tempos. Contudo, as suas medidas contra os católicos na Escócia e Irlanda foram caracterizadas como genocídio ou quase-genocídio, e na Irlanda, o seu histórico é profundamente criticado.

+ Inserto retirado de página da Wikipédia.



Caros leitores,




A mim a figura de Oliver Cromwell, seu envolvimento no contexto da história da Inglaterra e, lato sensu, mundial, dos últimos 500 anos, é algo pelo qual sempre tive elevado interesse, pois dele e de sua história temos elementos como:

a) Poder real em confronto com o Parlamento;

b) Conflitos religiosos;

c) Duas guerras civis;

d) Um rei julgado e decapitado;

e) E, mesmo passados 30 anos da sua morte, a icônica ‘Revolução Gloriosa’.

 

Tenho comigo em minha biblioteca a mais completa biografia desse nobre  puritano (não no sentido moral, mas religioso mesmo) político e guerreiro inglês nascido lá no distante ano de 1599, meros 4 anos antes da morte da longeva rainha Elizabeth I, aquela filha desditada do tirano rei Henrique VIII e da decapitada Ana Bolena, que, contra tudo e todos,  sobreviveu e tornou-se  uma das mais longevas e fecundas rainha inglesa (1558-1603), e que produziu em seu reinado uma era   dourada para a então desimportante ilha em termos de marinha, comércio, cultura, importância.



 (Este meu livro – Oliver Cromwell, Uma vida, editora Record, edição do ano 2000 – tem um total de 738 páginas, e é da lavra da historiadora inglesa Antônia Fraser. Quem tiver interesse nesta parte da história, recomendo! )

Tenho comigo que a Revolução Gloriosa de 1688, a Americana de 1776 e a Francesa de 1789 (interessante, duas delas ocorridas no século XVIII, não por acaso o século dos iluministas) foram os três maiores eventos revolucionários da história da humanidade.

Não podemos nos olvidar que a Revolução Gloriosa de 1688 somente deu-se, existiu, teve animus com a pré-condição da adrede existência  de um gigante da  grandeza de Oliver Cromwell.

Cromwell foi o motor das duas Guerras Civis que dobraram a resistência autoritária e absolutista dos reis ingleses (dos quais o tirano Henrique VIII foi o símbolo maior) prendendo, julgando e mandando o rei Carlos I à morte por decapitação em 1649.

 Podemos afirmar, sem cometer erros, que a revolução de 1688 (mesmo que Cromwell já estivesse morto desde 1658) foi uma espécie de sequência às duas anteriores.

Por que razão então, 1688 foi mais importante, tem tanto elevação e primazia pela maioria dos historiadores? Simples, esta última fase da Revolução Inglesa determinou o fim do absolutismo na Inglaterra e a formação da ‘gloriosa’ Monarquia Constitucional, que, com algumas poucas mudanças e adaptações, permanece até os dias de hoje.

 

(Interessante, e uma das coisas que poucas pessoas sabem, é que a Inglaterra possui um regime constitucional secular – funcionando muito bem – sem possuir formalmente uma constituição formal e codificada, mas, sim, um conjunto de leis escritas e de leis consuetudinárias. E todos respeitam without problem! )

 

Oliver Cromwell,

Era véspera do século XVII, um dia primaveril no hemisfério norte, 25 de abril de 1599. Na casa dos Cromwell nasce o filho de Robert e Elizabeth, em Huntingdon, centro-sul da Inglaterra, vilarejo elevado à condição de cidade nos tempos do rei João, 1205. A criança recebeu o nome Oliver. Dos dez filhos do casal, sete sobreviveram até a idade adulta, sendo Oliver o único varão da prole.

Sua família pertencia à alta nobreza.



Tinha descendência de Catherine Cromwell, uma irmã do estadista Thomas Cromwell, que havia sido primeiro-ministro do rei Henrique VIII na década de 1530.

Estudou em uma das 1.300 escolas primárias existentes na Inglaterra neste tempo. Em sua escola, o mestre era o Dr. Thomas Beard, diplomado em Cambridge e clérigo com fama relativa. Para entrar, depois, na Universidade, era necessário dominar o latim.

Em 1616, entrou na Sidney Sussex College, da Universidade de Cambridge, onde, durante um só ano estudou (rudimentos) matemática, direito, história e latim. É bem provável que depois tenha concluído, mas já em Londres, os estudos em direito, que era uma espécie de regra da nobreza rural da época.

Robert, pai de Oliver, morre em 1617, e isso fez com que o jovem, agora já com 18 anos e – como único varão – assuma responsabilidade de chefe do clã

Em 1620, casa-se com a jovem Elizabeth Bourchier.




 Em 1628, entra na política, como membro do parlamento na Câmara dos Comuns.

A partir desse passo, Cromwell entra sem retorno na política inglesa e na história da Inglaterra, Escócia e Irlanda e mundial.

Presenciou o Rei Carlos I dissolver o Parlamento no ano seguinte (1629).  Retornou em 1640 para o chamado Parlamento Longo, destacando-se por suas críticas ao absolutismo e  defesa do puritanismo.

Com a eclosão da Guerra Civil Inglesa em 1642, ingressou no exército parlamentar.

Organizou o ‘Exército Novo’, e liderou as forças na vitória decisiva contra os monarquistas.

Tornou-se uma das figuras mais radicais do parlamento, sendo um dos signatários da sentença de morte do Rei Carlos I.

Após a execução do monarca, a monarquia foi abolida e instaurada a República (Commonwealth).

De 1649 a liderou campanhas militares violentas para subjugar rebeldes e consolidar o controle britânico sobre a Irlanda e a Escócia.

Em 1653, descontente com o parlamento, Cromwell o dissolveu e, com a República proclamada, tornou-se o todo-poderoso ‘Lorde Protetor da Inglaterra, Escócia e Irlanda’, governando com um Conselho de 21 membros e com um Parlamento de 460 deputados.

Ofereceram-lhe a Coroa. Estranhamente não a aceitou. Mas, estabeleceu uma ditadura militar pessoal.

Durante seu governo, promoveu o comércio marítimo através dos Atos de Navegação, fortalecendo a marinha inglesa.

Na questão religiosa, mesmo sendo puritano praticante, seu governo foi tolerante. Vejam a curiosidade: em 1656, permitiu o retorno dos judeus à Inglaterra, revertendo uma proibição oficial que vigorava desde 1290.

Cromwell falece em 1658 e foi sucedido brevemente por seu filho, Richard.

 

A instabilidade política subsequente levou à restauração da monarquia em 1660 com Carlos II.

Mas, mesmo que tenha havido um concerto político entre nobres e parlamentares, depois de devidamente entronado o novo rei não perdoou: ordenou a exumação póstuma de Oliver Cromwell em 1661. O cadáver foi submetido a uma ‘execução’ em Tyburn, onde foi enforcado e decapitado.



A cabeça de Cromwell foi espetada em uma estaca no lado de fora da Abadia de Westminster, permanecendo exposta por anos.

 

As duas Guerras Civis,

Em 23 de fevereiro de 1642, a esposa do rei Carlos I partiu num vaso e guerra, da Inglaterra para a Holanda, numa missão altamente secreta: levava em sua bagagem as joias da coroa para as  trocar por armas.

O rei Carlos I, filho do rei James I que havia assumido o trono inglês em 1603, quando da morte da rainha Elizabeth, que nunca casou e não deixou descendentes diretos, preparava-se para ir à guerra contra seus súditos, ou parte deles.

Carlos I era  baixo, gago, de compleição frágil, mas firme na elevação da realeza: para ele, os reis eram responsáveis apenas diante de Deus.

Em rápidas palavras, a Guerra Civil Inglesa de 1642 foi motivada pelo choque entre o absolutismo do Rei e a defesa do Parlamento.

O conflito estourou devido à tentativa real de governar sem o Legislativo, à cobrança abusiva de impostos, às imposições religiosas e, como estopim, a tentativa do rei de prender parlamentares opositores. Esse episódio foi um ponto sem retorno nas divergências, pois a ‘reserva e privacidade do Parlamento era algo sacro’, e o rei a violou.

Os episódios são longos e belos, mas vou dar uma resumida, do contrário sairá um livro!

 

 A 1ª Guerra vai de 1642 a 1646.



Foi travada entre os partidários do Rei Carlo I e os Parlamentaristas. Os realistas controlavam o norte da Inglaterra, o País de Gales, o oeste das Midlands e a Cornualha, enquanto os parlamentaristas detinham e controlavam as ricas regiões do sul e leste do país. Londres estava em mãos no controle do Parlamento. A primeira grande batalha (Edgehill) foi em outubro de 1642. As grandes batalhas do conflito (Edgehill e Naseby, por exemplo). A ‘vedete’ desta guerra foi a criação do ‘Exército Novo’, sob a liderança de Oliver Cromwell, o mais destacado e vitorioso comandante de cavalaria do exército parlamentar. Cromwell e seu ‘Exército Novo’ mostraram-se decisivos.

Esta 1ª Guerra terminou em 1646, com a rendição do rei.

 A 2ª Guerra vai de 1650 a 1651.




Em decorrência da vitória parlamentarista, o rei Carlos I foi decapitado em 30 de janeiro de 1649, após ser condenado por alta traição pelo parlamento.

A execução ocorreu em frente à Banqueting House, no palácio de Whitehall, em Londres.

Após a execução, a Escócia reconheceu Carlos II como rei da Grã-Bretanha, e com isso ameaçando a recém-criada república parlamentar de Oliver Cromwell, que não aceitava o retorno da monarquia absolutista.

Também havia o óbice da questão religiosa: os escoceses exigiam que o presbiterianismo fosse a religião oficial de todos os reinos, enquanto o governo de Cromwell na Inglaterra era dominado por puritanos independentes, que rejeitavam o modelo eclesiástico escocês.

As tensões geradas pelas duas partes (o partido da República e o partido do retorno ao trono Inglês do filho do rei deposto e decapitado) acabaram culminando em novo conflito armado e na invasão liderada por Cromwell à Escócia, em meados de 1650, antecipando-se a uma provável invasão monarquista apoiada pelos escoceses, e derrotando as forças de Carlos II na Batalha de Dunbar em setembro de 1650, e definitivamente na Batalha de Worcester em 1651.

 

A Revolução Gloriosa de 1688,



Esta revolução não tem a presença de Oliver Cromwell, tema central deste ensaio histórico. Retifico, não tem a presença física, mas espiritual sim. É a consagração definitiva dos esforços dos Parlamentaristas ingleses pela imposição no reino de um governo/monarquia ‘constitucional’, uma antecipação ao que os iluministas do novo século que entrava – século XVIII – legaram à humanidade. Nesse não correu sangue, foi uma revolução sem canhões, silenciosa e vitoriosa.

Foi uma sequência de eventos ocorridos entre 1688 e 1689, que ao fim (glorioso) levou à deposição do rei James II, substituído por sua filha Maria II e seu marido Guilherme de Orange, então governante da república dos Países Baixos (Holanda).

Este ‘Golpe de Estado’, foi articulado por ingleses e holandeses, e teve como resultado o fim do absolutismo monárquico britânico, o equilíbrio de poder entre a Monarquia e o Parlamento,  estabilidades religiosa, política e econômica.

A luta e os excessos tinham acabado.

Criara-se uma monarquia constitucional.

Por parte dos ingleses, os articuladores, líderes, foram sete membros do Parlamento e da Nobreza, opositores ao absolutismo e ao catolicismo do rei James II. Estes, que arriscaram suas cabeças, ficaram conhecidos na história  como ‘The Immortal Seven'.

 Agora, finalizando mesmo, aos que acham que na história humana há só ‘heróis’ ou ‘ bandidos’, eu volto a afirmar, há um amálgama de ambos. O que vai abaixo eu descrevo resumidamente no meu livro ‘1893 – A Soma de Todos Os Ódios’, sobre a nossa revolução federalista de 1893.

Eu sempre admirei e elevei Oliver Cromwell como um dos maiores da História da Humanidade, mas ele também foi um cruel bandido. Vejam o massacre sem quartel que ocorreu na retomada da cidadela de Drogheda, em 1649, por parte de Cromwell e seu Exército Novo:




(...) Após a recusa do comandante realista Sir Arthur Aston em render a cidade, Cromwell ordenou a invasão e decretou que nenhum quartel seria dado aos defensores armados. (...) Cerca de 2.700 a 3.000 soldados da guarnição (que incluía realistas ingleses e católicos irlandeses) foram mortos após a tomada das defesas, muitos executados mesmo após deporem armas. (...) Sacerdotes e frades católicos foram caçados e assassinados por ódio religioso, e centenas de civis também pereceram no saque e nos incêndios provocados pelas tropas parlamentares. (...) O próprio comandante da cidade, Sir Arthur Aston, foi espancado até a morte com sua própria perna de pau pelos soldados, que acreditavam que ele escondia ouro nela.


 

That’s All Folks. 

 


2 comentários:

  1. Parabéns ao JP Fontoura. Um verdadeiro e produtivo intelectual, sem os vícios e preconceitos que infestam este meio. Quanta diferença com gente deste segmento como a Márcia Tiburi, por exemplo.

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  2. Luiz Inácio na GroboLixo ontem a noite: uma TV escancaradamente cooptada, dois jornalistas se fazendo de salame maquiando a entrevista e um entrevistado QUE MENTE MAIS QUE RESPIRA.

    obs.veja no YouTube/Insta vídeo do competente jornalista Ernesto Lacombe com crítica p.r.e.c.i.o.s.a. sobre o assunto. Vale a pena!

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