Segunda, 10 de agosto de 2026

 

Agora em e-book (Kindle - Amazon)

Alfredo Octávio: o maior jornalista do Brasil

Livro Alfredo Octávio


SEGUINTE:

- INSISTEM QUE O CACHAÇA
NÃO TEM CRIMES NO CURRÍCULO


- SÓ ANJINHO


SEGURA ESSA
quem se trumbica não comunica

- MAIS uma vez este ser desejou a morte de pessoas.
Se alguém desejar a morte do Canalhinha, no palco desse teatro, estará cometendo algum tipo de "crime"?
E se alguém desejar que ele quebre as duas pernas na descida da escada do avião?
Imagina, a manchete:
"CANALHINHA MORRE EM PLENO PALCO"
"BRASILEIRO QUEBRA AS DUAS PERNAS"

- JURO que ouvi isso: "...INCENTIVADA POR OUTRAS PESSOAS A SE DESVIVER".

- TAMBÉM ouvi uma ótima: "FOME AGUDA".

- LEITOR lembra: Paulo Borges, "o homem do tempo", veio direto da RBSTV, elegeu-se deputado estadual em 2006 pelo PFL, sendo o candidato mais votado do Estado com 113.151 votos.
Para fins de comparação, o advogado e jornalista, Gustavo Victorino, o mais votado em 2022, obteve 112.920 votos.

- QUEM não tem o aparelhinho pirata no Litoral Norte está assistindo apenas a RBS TV. TODAS as demais sofreram com a ventania da semana.

PRESTES a voltar à TV, com dois novos programas na TV Gazeta e um na TV Connect, emissora em língua portuguesa sediada em Orlando e afiliada à CNN Newsource, Amaury Jr. diz que deixou para trás os excessos da vida noturna, reduziu o consumo de álcool e abandonou completamente o cigarro.
"Quando você para de fumar, arrefece a vontade do álcool também. O cigarro e a bebida são dois vilões que gostam de andar juntinhos", afirma, em uma entrevista no meio da tarde que acabou entrando noite adentro, em seu amplo apartamento com vista para o parque Ibirapuera. (De Monica Bergamo, na FSP)

O QUE FAZ
o RS crescer

- RECOMEÇOU A DISTRIBUIÇÃO DE GRANA!!

Declaro inexigível de licitação a efetivação do Contrato de Patrocínio, a ser celebrado entre a
SECRETARIA DE TURISMO - SETUR/RS
para a
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE VIAGENS NO RIO GRANDE DO SUL, inscrita no CNPJ sob o nº 87.953.600/0001-52 , no valor de
R$ 530.000,00 (quinhentos e trinta mil reais),
referente à cota de patrocínio para o
Projeto Inverno Gaúcho a ser realizado nos dias 10 de agosto a 05 de outubro de 2026
nas cidades de Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Ribeirão Preto (SP) e São Paulo (SP); além de Santana do Livramento, Uruguaiana, Porto Alegre, Garibaldi, São Francisco de Paula, São José dos Ausentes, Canela, Gramado, Bento Gonçalves, e Caxias do Sul - Rio Grande do Sul, com contrapartidas conforme fl. 18 da Proposta de Patrocínio e Termo de Referência fls. 245/252 do PROA n.º 26/2301-0000705-4 cujas despesas correrão por conta da UO: 23.01; Projeto: 2041; Subprojeto: 204107; Recurso: 1190; NAD: 3.3.90.39, SRO n.º 061122 com fulcro no art. 74, caput, da Lei 14.133/2021.


UM MILHÃO!!!

Declaro  inexigível  de  licitação  a  efetivação  do  Contrato  de  Participação,  a  ser  celebrado  entre  a
SECRETARIA  DE  TURISMO  –SETUR/RS  e  a
FRT OPERADORA DE TURISMO LTDA
,  inscrita  no  CNPJ  sob  o  nº 04.545.690/0001-15,
referente  à  contratação do pacote destino anfitrião,
no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão  de  reais),
no evento 12ª  edição  do  B2Meet  FRT  2026 ,
a  ser realizado  em  Gramado/RS.
A  participação  se  dará  nos  dias  12  a  16  de  agosto  de  2026,  de  acordo  com  o  Termo  de  Referência constante  às  fls.  27/32  do  PROA  nº  26/2301-0000728-3;  cujas  despesas  correrão  por  conta  da  UO:  23.01;  Projeto:  2041;  SubProjeto: 204101; Recurso: 1190; NAD: 3.3.90.39; SRO n.º 065304, com fulcro no art. 74, caput, da Lei nº 14.133/2021.


SÓ PARA NEGROS?

PARTES: Secretaria de Estado da Cultura e 39.403.389
TAINA DO NASCIMENTO ROSA, CNPJ nº 39.403.389/0001-51. OBJETO: execução  do  projeto
"FELINA  -  Feira  Literária  Negra  de Alvorada",  contemplado  no  Edital  SEDAC  nº  31/2025  PNAB  RS  -  Livro, Leitura  e  Literatura.
PRAZO  DE  VIGÊNCIA:  18  (dezoito)  meses  a  contar  da  data  da  publicação  da  súmula  no  Diário  Oficial  do Estado. 
 VALOR:  R$  100.000,00  (cem  mil  reais).
RECURSO  FINANCEIRO:  Unidade  Orçamentária:  11.74,  Projeto/Atividade:9074.00005, Recurso: 2334, Natureza da Despesa: 3.3.90.39, Empenho: 26005432051, Data: 03/08/2026. FUNDAMENTO LEGAL: Edital SEDAC nº 31/2025 PNAB RS Livro, Leitura e Literatura, Instrução Normativa SEDAC nº 09/2025, Lei Federal nº 14.399/2022,Decreto Federal nº 11.740/2023, Lei Federal n° 14.903/2024, Decreto Federal 11.453/2023, Lei Estadual nº 13.490/2010 e Decreto Estadual nº 57.531/2024.


ACREDITO
neles

- COMPROMISSOS


- BIBO E CAMILA EM CANOAS


-  SINUCA DE BICO



- CONQUISTE PESSOAS PARA
NÃO VOTAR NESTA NULIDADE


DE TUDO
muito

- PAU NO CARECA


- PASTORES E PADRES PRESOS
POR MISOGINIA?


- ERA O QUE FALTAVA

Crime organizado falsifica cigarro paraguaio no país para diminuir custos com transporte e tributações

[

DOIS MINUTOS
com o PRÉVIDI

- O Reni, o Barbudo, o Alemão.
50 anos de amizade.


PORTO ALEGRE
é assim!

ACAMPAMENTO FARROUPILHA

No sábado passado o Parque Harmonia recebeu os primeiros piquetes que farão parte do Acampamento Farroupilha, que será realizado entre 29 de agosto e 20 de setembro em Porto Alegre. Conforme a Associação dos Acampados da Estância Harmonia (Acampahr),  piquetes de lotes ímpares começaram a montar suas estruturas. Os lotes pares terão acesso ao local a partir de 15 de agosto.

A edição de 2026 reunirá 236 piquetes e terá como tema "Herança Jesuítica e Guarani no Rio Grande do Sul: 400 anos de cultura e tradição". A cantora Fátima Gimenez é a patrona e a expectativa é a de receber mais de 2 milhões de visitantes.  Mais de 120 atrações artísticas estão confirmadas, com entrada gratuita para o público.

A secretária municipal de Cultura, Liliana Cardoso, destacou que o evento é uma tradição que traz para o centro da Capital a almz gaúcha". O acampamento contará com shows, danças, trovas e apresentações de declamação.

O presidente da Acampahr, Rogério Lara, afirmou que o processo de montagem começou muito bem e está dentro do previsto.

RECREIO


OLIMPO
a morada das deusas do século 21

INTERVALO



PIADINHA
sem nome feio, sem política e sem futebol



ESPECIAL DIA DOS PAIS 2026

 

SEGUINTE:
especial

JAMAIS
VI MEU PAI
PELADO!!

(este texto é do Dia dos Pais de 2013. é como várias sessões de psicanalise)


É sério.
No máximo de cueca samba canção. Branca.
Mas sempre o entendi, mesmo tendo convivido apenas 12 anos com ele.
Imagina.
O Waldemar passou a infância toda sem calçar um sapato. Na sua casa só falavam italiano - aquele dialeto de Caxias do Sul. Moravam num sítio longe da cidade - hoje, a região tornou-se um bairro classe média alta.
Até hoje não sei se é verdade, porque ele contava dando risada. Consta que foi atropelado pelo primeiro carro que circulou por Caxias.
Aprendeu a falar português e foi estudar. Com a Maestra Viero, uma das primeiras professoras de Caxias. Dava aulas embaixo das árvores.
Seu primeiro emprego foi dado pelo tio, Abramo Eberle, irmão da sua mãe. No almoxarifado da Metalúrgica Abramo Eberle.
Com menos de 20 anos foi mandado para o Rio de Janeiro.
Trabalhar na filial da Metalúrgica. E terminou o científico - segundo grau.
Um gringão no Rio de Janeiro!!
Alguns anos depois tornou-se subgerente da filial.
Na foto aí abaixo, olha o estilo galã. Acreditem, com 24 anos.


--
O tempo foi passando e alguns anos depois da foto acima ele conheceu uma uruguaia, que havia chegado de Jaguarão. Viagem de navio, com a mãe e o irmão. Como foram parar no Rio? A Adylles, a mãe, sonhava em morar no Rio. Só isso. E adorava viajar.
Etna era o nome da mocinha.


--
Casaram logo depois que a Segunda Guerra terminou.
Todo tipo de dificuldades. Até alugar uma casa era difícil.
Conseguiram alugar uma em Santa Tereza.
Pouco tempo depois nasceu o Paulo César.
Mudaram-se para a Urca. Lembro do apartamento da rua Otávio Corrêa, mas antes teve uma passagem por outro, também na Urca.
Já era gerente da filial do Rio da Metalúrgica. E o dinheiro que sobrava no final do mês comprava ações da empresa.
--
Vivíamos bem na Urca. Praia perto e ele tinha um Austin, que nos levava para todo lado. Gostávamos  mesmo da Praia Vermelha. Íamos muito também nos parques da cidade. Aí, abaixo, acredito que seja na Gávea: Paulo César, Waldemar e eu.



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Uma família muito legal.


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Comecei a aprender alguma coisa com ele quando fomos morar na Rua das Laranjeiras, num edifício que acabara de ser construído. Um belíssimo apartamento, todo com móveis sob medida e dois flamantes ares-condicionados.
Nessa época o Gringão já estava de bola cheíssima no Eberle. Tanto que o número de ações que detinha já era considerável. E tinha um Oldsmobile 1952. Carrão. Hidramático, como lembra o meu primo Volmir Previdi. E mais: sem maçaneta para subir os vidros. Os quatro eram elétricos!
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Foi curto o tempo de aprendizado. Mais ou menos de 1960 a 1966, quando morreu.
As poucas coisas que tenho de bom, acreditem, aprendi com ele. Ou herdei, sei lá. Coisa de sangue.
A partir daí, minha mãe o substituiu e pude aprender também um bocado.
Impressões do meu pai: calmo, muito calmo. Não discutia, nem brincando. Quando o chamavam de tubarão (porque era bem de vida, mesmo) dava risada. Lotou a casa de livros e enciclopédias. Qualquer dúvida que surgia, lá ia ele para a Barsa. E meu irmão e eu tínhamos que ler. Ler e ler. Trabalhava pra burro, mesmo nos finais de semana. Dormíamos com o barulho do teclado da máquina de escrever - por sinal, tenho ainda a velha Remington.
Era Fluminense e eu Botafogo. Ia com ele ao campo do Flu, onde éramos sócios. Mas me levava ao Maracanã para assistir Garrincha e companhia.
Sempre se vestiu discretamente. Raramente usava bermuda. Quando colocava uma blusa de ban-lon sabia que íamos passear.
Apenas uma vez levei umas chineladas dele. Estava furioso comigo: minha mãe tinha siso operada e num sábado não fui no hospital com ele. Com um amigo, fomos andar de bicicleta nas ruas. Bah, o porteiro do edifício contou pra ele e, acredito, nervoso com toda a situação, me deu umas chineladas na bunda. Sem muita força.
Seus funcionários gostavam muito dele. Me contaram que era um cara justo.
--
Conhecia muito o espírito dos militares, porque atendia os Ministérios da área. A Eberle era a maior fornecedora dos milicos, tudo de metal.
Logo depois da chamada revolução de 64 estávamos nas cadeiras do campo do Fluminense. E veio sentar-se conosco um amigo dele. Eu ali, escutando o papo.
O cara estava faceiro com os milicos no poder.
Lá pelas tantas, disse mais ou menos isso:
- Daqui a pouco eles convocam eleições e tudo volta ao normal.
Meu pai olhou pra ele e respondeu:
- Conheço os militares. Não saem tão cedo do poder.
Dito e feito.
--
Tentei, não sei o motivo, vê-lo pelado várias vezes. Até fingia que estava dormindo na cama de casal para ver se conseguia ver o tico do cara. Mas jamais consegui. O Waldemar era muito discreto.
--
Curiosidade: seu nome era Waldemar Luiz Eberle Previdi.
Não sei quando, mas mudou para Waldemar Previdi.
Quem sabe para não associá-lo a empresa que trabalhava.
--


Essa é a última foto que tenho dele.
De 21 de dezembro de 1965.
--
Morreu em 16 de julho de 1966.
Lembra que lá em cima falei que gostávamos muito da Praia Vermelha?
Pois é, foi lá que ele nos deixou.
Aos 47 anos.
Faz tanto tempo, né?
E eu tenho uma saudade imensa do cara!

Sexta, 7 de agosto de 2026

 

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Alfredo Octávio: o maior jornalista do Brasil

Livro Alfredo Octávio

NESSA SEXTA
a cesta do João Paulo





JOÃO PAULO DA FONTOURA é de Taquari-RS. É escritor e historiador diletante, membro da ALIVAT – Academia Literária do Vale do Taquari, titular da cadeira nº 26. Autor do livro biográfico "Costa e Silva", edição 2025





A grande batalha que não houve -

O COMBATE DE TAQUARI

em 3 de maio de 1840


Meus caros, o texto que segue abaixo é da lavra do saudoso historiador diletante Leandro Lampert, e foi retirado de seu blog na web, escrito em 2017. 

Eu o conheci, por acaso, quando postei um texto no jornal ZH – de página inteira, sobre o episódio do assassinato do capitão Homero C. Cunha, a tiros, pelo advogado Voltaire Bittencourt Pires, tio do famoso Lia Pires, havido aqui em Taquari em 1936. Ele entrou em contato comigo e me forneceu outros detalhes do caso, pois o seu pai, ex-prefeito de Lajeado, havia dado couto ao Voltaire.

O texto marca uma página da história da Revolução Farroupilha, e versa sobre a ‘Batalha de Taquari’, que tinha tudo para ser decisiva, mas, qual título da peça teatro do bardo inglês William Shakespeare, o que houve foi ‘Muito Barulho Por Nada’.

 

Leiam, muito bem escrito e belo!




“Em 1949 mudei de residência de Lajeado para Bom Retiro do Sul – distrito do município de Taquari – por motivos profissionais. Morei lá durante 12 anos. Meu filho primogênito é conterrâneo do David Canabarro, Taquariense nato.

Por ser sede do município, eu iria pelo menos uma vez por mês à cidade, para atender afazeres burocráticos. Tive contato e fiz muitas amizades, entre elas com José Leite da Costa, engenheiro agrônomo, filho do advogado Adroaldo Mesquita da Costa, mais tarde ministro da Justiça do Brasil – e que também morava em Taquari.

Povo generoso e cordial. Só guardei boas lembranças.

Em Bom Retiro do Sul, envolvi-me em atividades ligadas às tradições gaúchas. Fui um dos fundadores do CTG Querência da Amizade, em 1957, e seu terceiro patrão. Misturávamos cultura rio-grandense e revolução farroupilha. Foi o início do meu interesse pela história gaúcha e que nunca mais teve fim.

Sabedor do combate de Taquari, achei no Google a foto do monumento comemorativo e lembrei que estive há muito tempo no local para conhecer a área dos Caramujos, nos arredores da cidade, o Passo de Taquari, a Ilha do Passo Velho. Transpondo o rio em direção a General Câmara, indaguei ao barqueiro o sítio exato do final da contenda.

Interessado numa relíquia, pedi ao meu amigo José Leite Costa (o Zé) que tentasse obter uma arma encontrada no rescaldo da refrega – uma garrucha ou uma ponteira de lança de cruzeta – e me informasse o preço.

Deu em nada.


Em 1962 fui morar e trabalhar em Encantado e, algum tempo depois, o Zé se apresentou no meu escritório portando um sabre de cavalaria sem bainha, doado por um morador vizinho dos caramujos. Não esquecera a minha encomenda. Logo vi que o Zé comprara o sabre e não quis cobrá-lo de mim. Era bem típico dos açorianos de Taquari.

Examinando o sabre, constatei que a lâmina dele, Solingen, era mais grossa e mais pesada do que as demais que eu tinha também da época farrapa (tinha quase o dobro da largura). Deveria ser portada por um homem vigoroso. Os copos do sabre já com folga, demonstraram ‘o tempo de serviço’ da arma e não havia dúvida sobre a sua antiguidade. Pela fonte e pelo aspecto, admiti sua legitimidade.


Desejando escrever uma crônica a respeito da origem do sabre e do combate de Taquari, procurei nos livros históricos que herdei do meu pai, nos que eu havia adquirido e também no Google, material histórico que orientasse a minha crônica. Com surpresa, constatei que quando mencionado o combate, havia apenas frases esparsas e sem valor real. Tentei contato com outros historiadores e recebi sempre a mesma resposta. Não tinham nenhum conhecimento efetivo.

No Google, vi o nome do historiador taquariense Riograndino da Costa e Silva (primo do Zé) e passei a procurar seu livro – São José do Taquari. Consegui xerox do tema que me interessava.

 

O livro reproduz crônicas de Othelo Rosa, publicadas no jornal O Taquaryense a partir da edição de 1° de julho de 1939, que mostrarão o roteiro a ser seguido em resumo por esta crônica.

 

Em Taquari e seus arredores, na zona compreendida entre os arroios Pinheiros e do Moinho, no ano de 1840, o governo imperial e os republicanos rio-grandenses mobilizaram os maiores efetivos da guerra que, durante todo o decênio, estiveram face a face.

 

Em números globais: as forças legais, sob o comando do general Manoel Jorge Rodrigues, 7.000 homens; as hostes republicanas, comandadas pelo general  Bento Gonçalves da Silva, 6.000 homens.

O Império e a novel República jogariam no lance uma cartada perigosa e decisiva.

Bento tinha necessidade de resolver logo a parada com os imperiais, que dia após dia aumentavam em número e armamento suas forças; qualquer demora seria fatal.

Manoel Jorge não tinha pressa.

O correr do tempo estava ao seu lado.


Bento, ao lado de David Canabarro, Netto e suas tropas (incluindo Garibaldi, Anita e seus marinheiros a pé), chegou primeiro e escolheu um local favorável às suas armas, com um leve declive à sua frente, a existência de um arroio e um mato fechado que garantia seu flanco esquerdo. Posicionou seus três canhões à frente da infantaria, a cavalaria na retaguarda (apta a manobrar),  e preparou-se para ser atacado pelos imperiais.

Manoel Jorge, prudente e acautelado, se posicionou à pequena distância e, vendo a posição favorável do inimigo, preparou-se também para ser atacado e ficou aguardando.

Sua cavalaria, no momento, não estava em sua melhor forma.

Bento vacila (surpreendido pela inércia de Manoel Jorge), não desfere o golpe e adia o encontro para o dia seguinte. Sucedem-se pequenas escaramuças e combates de cavalaria.

A noite cai sem batalha.

Ao madrugar do dia, uma cerração densíssima envolvia Taquari, que só se dissipou às 10 horas da manhã. Foi então que os farroupilhas, tomados de espanto, verificaram que o inimigo desaparecera.

Indescritível o desespero no acampamento farroupilha.

A retaguarda dos imperiais ainda estava terminando de atravessar o rio.

Bento manda carregar e ataca os remanescentes entrincheirados na barranca do rio, sendo que eles estavam sustentados por uma barca a vapor e navios à  vela, com seus canhões direcionados aos atacantes. Novamente surpreendido, Bento, em pequenas escaramuças, reage e, pelo número de mortos de cada lado – 201 Imperiais e 270 farroupilhas mortos – verifica-se que apenas pequenos grupos se defrontaram.

Número irrisório ante a possibilidade evidente de uma carnificina num corpo a corpo generalizado.

Manoel Jorge, recuando, preservou seu exército de um possível desastre. O desgosto entre os chefes farroupilhas iria prejudicar-lhes grandemente a unidade de ação. Bento, como comandante indeciso, foi responsabilizado e criticado asperamente.

Bento Gonçalves da Silva perdeu a última oportunidade de um confronto ‘tudo ou nada’.

Outra oportunidade, jamais se repetiria.

Bento recuou com seu exército para o sítio de Porto Alegre. 

Canabarro e Netto dirigiram-se para suas regiões na campanha.

A revolução seguiu seu curso natural e até a paz surgir, ceifaria a vida de muitos combatentes.

 

Tentativas de paz foram realizadas, mas havia um ponto inegociável pelos dois lados. Os farrapos queriam um acordo entre dois países; o império considerava os farrapos como revolucionários dentro do estado do Rio Grande do Sul.

Não seria um país.

Não tinha uma constituição, fronteiras definidas e aceitas pelos vizinhos, não era reconhecido pelos demais países, não enviara embaixadores nem os recebera, não convocara eleições entre a população.

Somente em 1845 os farrapos (de má vontade) aceitaram que seriam todos anistiados. Convocaram 27 oficiais do exército farrapo que, de comum acordo entre eles, aceitariam a paz com os imperiais condicionando que o Império atendesse uma série de condições, entre elas a libertação dos escravos que lutaram ao lado dos farrapos. O Império simplesmente ignorou essa cláusula e nenhum farrapo reclamou.


Podiam tê-lo feito, mas não libertaram nem seus próprios escravos companheiros de luta.

 

A paz foi selada verbalmente e documentada em 28 de fevereiro de 1845 por  declarações formais dos líderes farrapos David Canabarro e Lucas de Oliveira, em nome de José Gomes Vasconcellos Jardim. Consideraram a luta terminada e, em 1º de março, por proclamação do Barão de Caxias aos seus comandados, informando que os revoltosos já haviam deposto as armas, aceitaram a anistia e estavam novamente congraçados como súditos de S. M. I. Dom Pedro II.


Caxias determinou aos Farrapos que se dirigissem ao Ponche Verde para a entrega dos escravos e dos armamentos. 

Netto inclusive.


Um obelisco em Ponche Verde comemora que naquele local a paz foi assegurada.’

 

* Importante, por um ato generoso da família do historiador Leandro Lampert,  o sabre (uma espécie de  espada de aço usado principalmente pela cavalaria de ambos os exércitos),  citado e estampado no texto, nos foi doado para ser guardado e exposto à visitação pública em nosso museu – Museo Municipal de Taquari.   

À família, nossos agradecimentos!