Quarta, 22 de abril de 2026


SEGUINTE:

- ACHEI A FOTO!!


O "flagrante" é de 1982, não sei precisar o mês, mas foi antes de novembro - mês da histórica eleição. Um lauto churrasco no Saci, a Churrascaria do Beira-Rio.
O primeiro do lado esquerdo, de terno completo claro, é o José Antônio Zulian, um jornalista de primeira linha, que hoje tem uma pagina noYoutube com milhares de seguidores, "bonfilho zulian".
Ao seu lado, o PG, Paulo Gerson  Antunes de Oluiveira, falecido neste mês. Um baita jornalista.
Do outro lado, com o copo na mão, Luiz Rache Vitello Filho, excelente jornalista, que fez dupla como PG em algumas redações, como na Folha da Manhã. 
Eu estou do lado do Vitello e logo depois o jornalista Sérgio Seppi, que completava a linha de frente dos jornalistas do PMDB na Assembleia Legislativa.
O barbudo no fundo é o genial jornalista Carlos Sávio, que cobria o PMDB para a Zero Hora.
Eu  estou no grupo de "intruso", porque cobria o PDT e PT para a Zero Hora e trabalhava para o PDT.

SEGURA ESSA
quem se trumbica não comunica

MENOS UMA - Faleceu a jornalista Fernanda Rosito. Foi cremada na segunda passada em Camboriú.
Enfrentou ccom rara bravura aquela doença horrorosa que não escrevo o nome         .


- SBT, GLOBO E CAZÉ - Quem vai faturar a preferência do brasileiro? Porque faturamnte em Real vai ser difícil bater a Globo.

- QUER SUGESTÕES DE PALAVRAS "CULTAS" PARA SUA MATÉRIA OU PARA USAR EM DISCUSSÕES DE BOTECO?

- GUARACY ANDRADE DE VOLTA À TV - O papa do colunismo social está atuando na Masper TV, onde apresenta diariamente, às 8 horas, o Masper TV News. 
A Masper TV é transmitida pelos canais 20 e 520 da Claro e nas redes sociais.
Assista a um programa:


- NARRADOR PRINCIPAL - Com a impossibilidade do Luiz Roberto trabalhar na Copa do Mundo, a Globo decidiu que o principal narrador será Everaldo Marques. Ou seja, vai narrar os jogos do Brasil.

- BIANCA CARNEIRO: Tá no ar a nova temporada do Devaneios Cósmicos, o podcast que faço desde o ano passado com a Carolina Bertoglio e que trata de absolutamente nada. Uma viagem de pensamentos e aleatoriedades que é uma delícia de fazer e, dizem, de escutar. 
Como a gente diz: o podcast que viaja e nem sempre volta.
Aqui: https://lnkd.in/d-FqY3hx

- ESCLAREÇO: Bianca é filha da maravilhosa, apaixonante, revigorante e explosiva VERA CARNEIRO.

- CURTAM ESTE TIME DA RÁDIO GUAÍBA:

Wianey Carlet, Luiiz Carlos Reche Reche, Paulo Sérgio Pinto, Ribeiro Neto, Haroldo de Souza, Haroldo Santos , Ricardo Vidarte, Milton Jung, Antônio Augusto.

 Agachados: Luiz Henrique Benfica, Edgar Schimdt, Luiz Fernando Sequeira (Pelotinha), José Aldo Pinheiro.

IMBATÍVEL!!


O QUE FAZ
o RS crescer

JUJU DO VOVÔ (OU DA VOVÓ) COMEÇA MUITO MAL

Nem candidata é ainda e a Juju do vovô começa fazendo bobagem.
Primeiro, não pode esquecer dos anos em que o PDT esteve no colo do DSudui Milk. Afinal, o PDT sustentou boa parfte da cumpanheirada com cargos do Dudu
Naão pode esquecer que até agora o PDT tem cargos importantes no Governo do Dudu Milk. Por exemplo, me informam que o ex-prefeito de Arvorezinha, do PDT, assumiu um bom cargo no Governo estadual.
E vejam esta  matéria do Correio do Povo, de 17 de abril de 2026:

"A pré-candidata do PDT ao governo do Estado, Juliana Brizola, indicou nesta sexta-feira, 17, os pontos que deverão nortear a largada da nova etapa de sua pré-campanha, após a adesão do PT e de siglas que haviam formado uma coalizão com os petistas para a disputa pelo Piratini. Juliana criticou as privatizações realizadas nas administrações de José Ivo Sartori (MDB) e Eduardo Leite (PSD), os indicadores apresentados pelo RS nas áreas de saúde e educação e o que classificou como baixo desenvolvimento do Estado."

TÓÓÓÓINGGGG!!!!!!


DE TUDO
muito

- LULA DIZ QUE VAI REVIDAR.
AGUARDEMOS


- DO JORNALISTA CLOVIS HEBERLE:

BINGO!
Enquanto puderam funcionar, os bingos eram um jogo e uma diversão, especialmente para idosos(as). 

Funcionavam em shoppings, e estavam sempre lotados. Um deles, no Bourbon Country do Zaffari, oferecia carreteiro como brinde às quartas-feiras, e muita gente ia lá mais para comer e beber um chôpe do que para jogar.

Nada comparável à febre doentia das bets, que hoje arrasta milhões de pessoas (fala-se em 60 milhões) ao endividamento.

- QUERO VER O FINAL DESSA HISTÓRIA




- COMO DIZ A MARIA DA GRAÇA VILLÃO:

NADA ESTÁ TÃO RUIM QUE NÃO POSSA PIORAR ...
   

DOIS MINUTOS
com o PRÉVIDI

ESPECIAL

- Quem gosta de Política tem que ouvir estes 55 minutos de CARLOS LACERDA. Foi seu último depoimento. 


PORTO ALEGRE
é assim!

- PROTEÇÃO CONTRA CHEIAS


O prefeito Sebastião Melo se reuniu com o procurador-geral do Ministério Público, Alexandre Saltz, para tratar sobre o sistema de proteção e plano de contingência da cidade para enchentes. Esta mesma apresentação foi feita ao governador Eduardo Leite e ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Eduardo Uhlein, na semana passada.

“Estamos atentos às previsões meteorológicas e mapeando todos os cenários possíveis, para levar informações claras e precisas à população. Com essas conversas, estamos montando uma governança conjunta, porque existem obras e ações que não dependem apenas do Município” - Prefeito Sebastião Melo.

No encontro, o diretor-presidente do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Vicente Perrone, apresentou o sistema de proteção de cheias, as obras concluídas após 2024 e os projetos que são desenvolvidos em conjunto com os governos do Estado e Federal.

O volume de recursos contratados e disponíveis pelo Dmae para investimentos em drenagem e proteção de cheias na Capital soma R$ 2,2 bilhões. Desse total, R$ 1,037 bilhão são provenientes do Município e de financiamentos, R$ 780 milhões do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece) e R$ 260 milhões do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).

Melo tem conduzido uma série de reuniões com instituições para alinhar ações de prevenção climática. Na próxima quinta-feira, 23, a prefeitura vai realizar uma coletiva para detalhar o plano de contingência climática diante de possíveis impactos do El Niño no segundo semestre deste ano.

No encontro, também estiveram presentes o procurador-geral do Município, Jhonny Prado, o secretário Geral de Governo, André Coronel, o coordenador da Defesa Civil, Hélio Oliveira, e o diretor de Proteção contra Cheias e Drenagem do Dmae, Alex Zanoteli.

Pelo MP, participaram o promotor de justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) Urbanismo, Cláudio Ari Melo, a procuradora do CAO Meio Ambiente, Ana Marchesan, a coordenadora do Gabclima, Silvia Capeli, a Subprocuradora-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, Josiane Superti Brasil Camejo, e a chefe de gabinete Raquel Isotton.

RECREIO

- GOLEIRO DE HOJE FICA
VENDO A BOLA ENTRAR - 2


OLIMPO
a morada das deusas do século 21

VERANO 2


PIADINHA
sem nome feio, sem política e sem futebol




Segunda, 20 de abril de 2026

 

SEGUINTE especial:

"...se colocou em questão e não se deve colocar em questão a importância do Parlamento fiscalizar todos e a todas as instituições por meio de CPI. Quem nada deve, nada teme".

Na semana passada, dia 17, a Folha de S.Paulo publicou uma longa matéria com o ministro Edson Fachin, presidente do STF.

Jamais tinha lido algo parecido, especialmentde de um ministro em atividade. Uma excelente reflexão sobre o STF.

O texto é de Renata Galf e Flávio Ferreira.

Delicie-se:


Estamos imersos em crise, e
STF tem que refletir sobre
seus limites, diz Fachim





O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, afirmou nesta sexta-feira (17) ser preciso reconhecer que o Brasil está imerso em uma crise em relação à atuação do Judiciário.

Ele disse que é preciso enfrentá-la, com atenção para não repetir "soluções velhas", e que a corte que ele comanda tem que refletir sobre sua atuação e seus limites.

"Quando falamos em crises, é fundamental reconhecer que efetivamente nós estamos imersos, em relação à atuação do Judiciário, é uma crise que precisa ser enfrentada, e enfrentada com olhos de ver e ouvidos de ouvir", afirmou. "Sob pena de repetirmos, para problemas novos, soluções velhas que significam simplesmente relegar os problemas sem resolvê-los."

Fachin participou de uma palestra na FGV (Fundação Getulio Vargas) em São Paulo que teve como tema o papel do Judiciário na garantia da segurança pública como direito fundamental.

O ministro defendeu a importância de que a Justiça se atente aos seus limites. "Toda a expansão do poder, ainda que bem intencionada, precisa ser acompanhada de autocontenção e reflexão crítica", afirmou Fachin. "É imprescindível que o Judiciário, e especialmente o Supremo Tribunal Federal, ao qual se atribui, não sem controvérsia, obviamente, a última palavra sobre a Constituição, mantenha o Judiciário postura reflexiva sobre os limites de sua própria atuação", completou.

"O Judiciário precisa colocar diante de si necessariamente um espelho no qual possa se ver para enxergar possibilidades e também enxergar os seus limites."

Afirmou ainda que "vivemos tempos de desconfiança institucional" e "intensas polarizações em todos os sentidos", acrescentando que essa desconfiança decorre de múltiplos fatores e que cada instituição precisa refletir sobre o que está contribuindo para seu aumento ou diminuição.

Citando especificamente o Judiciário, afirmou que "sempre que o juiz parecer estar atuando como agente político disfarçado de intérprete jurídico, perde-se a confiança pública".

Desde o fim do ano passado, revelações sobre Moraes e Toffoli, aproximando-os do escândalo do Banco Master e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, têm sido um dos principais combustíveis da crise que vem desgastando o tribunal.

Em meio a isso, ocorre a pressão da sociedade civil e do empresariado pela aprovação de um código de ética mais detalhado e aplicável aos membros do tribunal, bandeira defendida por Fachin, mas que enfrenta resistência interna na corte.

Ao ser questionado por jornalistas sobre referências a ministros do STF em investigações importantes, Fachin afirmou que nenhuma instituição e nenhuma pessoa é imune ao escrutínio, e o STF não ocultará o caso, mas ressaltou que é preciso que as prerrogativas de defesa sejam respeitadas.

"Esta crise, que não nasceu dentro do Supremo Tribunal Federal, não será pelo Supremo Tribunal Federal ocultada", disse.

Declarou aida que o tribunal "dará respostas importantes de maneira unida e colegiada, defendendo a instituição e também defendendo a prerrogativa de quem quer que seja de se defender, de valer-se do direito à defesa, de esclarecer essas circunstâncias, e também de prestar contas à sociedade".

Nesta semana, o Supremo foi um dos protagonistas de mais um episódio de embate entre Poderes, depois de o senador Alessandro Vieira, relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, propor o indiciamento de três membros da corte, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, assim como do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Indagado após a palestra sobre como resolver a crise aberta com o episódio, Fachin minimizou o impacto do ocorrido na relação entre os Poderes, em tom menos contundente de nota que divulgou na data em que o relatório tinha sido apresentado.

"Eu entendo que não há crise institucional entre o Poder Judiciário e o Legislativo. Há compreensões distintas sobre um determinado fenômeno por exemplo qual é a abrangência de uma determinada CPI qual é a sua pertinência temática", disse. "Mas, de modo algum, se colocou em questão e não se deve colocar em questão a importância do Parlamento fiscalizar todos e a todas as instituições por meio de CPI. Quem nada deve, nada teme."

Em defesa dos colegas, Fachin afirmou: "O caminho de indiciamento por conta de decisão judicial nos parece que não é um caminho adequado. Eu defendo que, quando não se concorda com uma dada decisão, o caminho adequado é o recurso, impugnar a decisão, e não atacar a própria institucionalidade".

O ministro do STF chegou a destacar trecho do relatório do senador Alessandro Vieira sobre a presença do crime organizado em diferentes regiões do país.

Apesar do foco que motivou a abertura da CPI ter sido o crime organizado, Vieira não citou quaisquer outros atores, além dos ministros do STF e Gonet, em sua proposta de indiciamento, o que motivou críticas de diferentes grupos. A reação de ministros do Supremo, por sua vez, incluindo pedido de investigação contra Vieira feito por Gilmar, também foi criticada.

Após uma articulação de governistas e ministros junto à cúpula do Senado, o relatório do senador acabou rejeitado por 6 votos a 4.

Como mostrou a Folha, uma ala da corte faz frente à agenda de Fachin e entende que, em meio às críticas, o presidente do tribunal deveria fazer uma defesa pública e irrestrita da integridade de seus ministros. Nessa linha de pensamento, a atuação de Fachin deixaria a corte mais exposta a ataques.

Um outro grupo, que inclui a ministra Cármen Lúcia, relatora do código de conduta, é favorável à medida.

Juristas de peso, incluindo ex-ministros do Supremo, também têm defendido reformas no tribunal, incluindo regras mais estritas sobre decisões monocráticas. Exemplos de documentos com propostas são o relatório da Fundação FHC divulgado no ano passado e proposta deste ano elaborada pela OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo).

Um dos argumentos de quem defende mudanças é o de que se a corte não agir por conta própria para adequar seu funcionamento, a reforma poderá vir de fora —e não necessariamente para melhorá-la.

Tanto o Supremo quanto parte de seus ministros individualmente deverão estar no centro das campanhas eleitorais neste ano de candidatos ao Senado pelo grupo político de Bolsonaro, que buscará votos suficientes para dar andamento ao impeachment de magistrados na próxima legislatura.


RECREIO

- GOLEIRO DE HOJE FICA
VENDO A BOLA ENTRAR


OLIMPO
a morada das deusas do século 21

VERANO 1



PIADINHA
sem nome feio, sem política e sem futebol



Sexta, 17 de abril de 2026

 

NESSA SEXTA
a cesta do João Paulo






JOÃO PAULO DA FONTOURA é de Taquari-RS. É escritor e historiador diletante, membro da ALIVAT – Academia Literária do Vale do Taquari, titular da cadeira nº 26.





CASA-GRANDE E SENZALA

Gilberto Freyre




Se depender de mim, nunca ficarei plenamente maduro nem nas ideias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.

Frase de Gilberto Freyre que de certa forma marca sua identidade como um homem que busca ad aeternum sua completude.




Sempre tive desejo de ler esse livro por saber de seu valor intrínseco e também por curiosidade intelectual.

Igual ao Ulysses, de James Joyce, é uma obra muito falada, mas pouco lida.

A razão, ao menos a meu ver, é muito simples, ambas são muito áridas, extensas, e nós, brasileiros do século XXI, ainda temos muito de Macunaíma, ai que preguiça!


Há coisa de uns dez anos, encontrei um original da primeira edição, 1933, muito usado e em condições não muito boas, em um sebo em São Leopoldo. Assustou-me o preço, em torno de 300 reais. Deveria tê-lo comprado, pois livros raros passaram a ser ativos de muito valor.

Há pouco, consegui comprar uma reedição de 1992 do MEC/FNDE, usado, simples, em boas condições, barato, mas sem o charme da edição original.


 Gilberto Freyre, nascido em Recife no distante 1900 (e lá falecido em 1987) de uma família de classe média alta que pode lhe fornecer uma educação de primeiro mundo, inclusive em universidades norte-americanas e europeias, é um arquétipo descendente das tradicionais famílias patriarcais pernambucanas, e, num sentido lato, nordestinas.

Pra mim, Gilberto Freyre foi aquele que melhor interpretou o Brasil e os brasileiros na sua história, sociologia, psicologia, antropologia.

Ele foi tudo, ou quase: jornalista, sociólogo, antropólogo, político, ensaísta, historiador, poeta, escritor, pintor, polemista, um buscador eterno do saber.

Dele, disse o escritor Monteiro Lobato:


O Brasil do futuro não vai ser o que os velhos historiadores disserem e os de hoje repetem. Vai ser o que Gilberto Freyre disser. Freyre é um dos gênios de paleta mais rica e iluminante que estas terras antárticas ainda produziram.


Nesse tema, quem talvez mais dele se aproximou em termos de pesquisa e produção literária foi Sérgio Buarque de Holanda, 1902 –1982 (pai do cantor, compositor e escritor Chico Buarque), com sua magnífica obra, Raízes do Brasil.

Mas, reafirmo: foi indubitavelmente em seu tempo o intelectual brasileiro de maior expressão tanto aqui em terras brasilis quanto na Europa e Estados Unidos.


Bem, feita a introdução, falemos então da obra em si.


Casa-Grande e Senzala é um livro em forma de ensaio, lançado em dezembro de 1933, e que teve várias reedições.

Este meu é a 34ª edição, 1992. Além de português, houve impressões em várias outras línguas, quase sempre com acréscimos explicativos derivados do intenso debate que sua publicação provocou,tanto por aqui quanto na Europa, Estados Unidos e alhures.

O subtítulo da edição primeira já diz muito sobre a obra, ‘Formação da família Brasileira Sob o Regime Patriarcal’.

Com quase 500 páginas, é estruturado em cinco grandes capítulos (além de inúmeras outras páginas com bibliografia, iconografia, registros onomásticos) sendo:


1) Características gerais da colonização portuguesa no Brasil: formação de uma sociedade agrária, escravocrata e híbrida;

2) O indígena na formação da família brasileira;

3) O colonizador português: antecedentes e predisposições;

4) O escravo negro na vida sexual e de família do brasileiro;

5) O escravo negro na vida sexual e de família do brasileiro, continuação.

Vou dar umas pinceladas sobre alguns aspectos do livro que me despertaram maiores curiosidades.

No início, Freyre dá uma resumida na questão da formação da identidade brasileira, destacando vieses antagônicos entre:

a)    a cultura europeia e a indígena;

b)    a europeia e a africana;

c)    a africana e a indígena;

d)    a economia agrária e a pastoril;

e)    a agrária e a mineira;

f)     o católico e o herege;

g)    o jesuíta e o fazendeiro;

h)   o bandeirante e o senhor de engenho;

i)     o grande proprietário e o pária;

j)      o paulista e o emboaba;

k)    o pernambucano e o mascate.

Mas (e esse ‘mas’ é do Freyre), predominando sobre todos os antagonismos, o mais geral, o mais profundo, o SENHOR e o ESCRAVO.

A Casa-Grande era o símbolo maior da sociedade patriarcal brasileira, era o domínio total e absoluto do SENHOR, senhor da família, senhor dos agregados, senhor da política, senhor da moral, senhor da justiça, senhor dos corpos das indígenas e das africanas, um Czar dos trópicos.

E, a partir de 1831, com a implantação da Guarda Nacional, ainda mais poder, pois, Senhor Coronel!

Há críticos, muitos, que curtem destacar os ‘desvios’ do ensaísta relacionados a aspectos sexuais e raciais.

Alguns criticam o uso de uma linguagem imprópria, talvez até mesmo ‘chula’ para um ensaio tão apurado (exemplo, o uso do substantivo coito: coito homem-mulher, homem-homem, homem-animal).

Há citações que hoje seriam proibitivas. Dois exemplos da lavra do historiador Oliveira Viana:

(...) em Minas Gerais observam-se hoje nos negros delicadeza de traços e relativa beleza, ao contrário das cataduras simiescas abundantes na região ocidental da baixada fluminense (...) em meados do século XIX, Burton encontrou em Minas Gerais uma cidade de cinco mil habitantes com duas famílias apenas com puro sangue europeu. No litoral, observou o inglês, fora possível aos colonos casar suas filhas com europeus. Mas nas capitanias do interior o mulatismo tornara-se um mal necessário...

Mesmo sendo produto de um meio à sua época, início do século XX, bastante racista, ele, a mim ao menos, abandona a falácia do racismo científico e trata a miscigenação índio-negro-europeu em uma perspectiva nova.

A questão sexual na formação da nossa identidade, ele não tergiversa nem passa paninho quente. O homossexualismo entre os indígenas e africanos, ele afirma, era muito forte, destacando que os pajés nas tribos eram elementos claramente afeminados. Pode ser, mas também pode ser um ‘escapismo’ do Freyre’.  Eu li uma entrevista dele nas páginas amarelas da revista Veja, já quase ao final da sua vida, na qual declara, sem pudor, ter tido experiências homossexuais na juventude.

A ainda ativa historiadora Maria Lúcia Pallares Burke (bem firme em seus 80 anos), em sua biografia Gilberto Freyre: um vitoriano dos trópicos, declara que:

(...) as condições de vida dos jovens de Oxford eram favoráveis ao desenvolvimento de relacionamentos profundos e às vezes homoeróticos. Era como se na vida oxfordiana houvesse um forte impulso para intensas amizades de rapazes com algum componente homossexual, possivelmente transitório, próprio das antigas amizades gregas...

Finalizando, Fernando Henrique Cardoso, que antes de político foi um grande sociólogo, foi econômico quando disse que ‘todos nós brasileiros temos um pezinho na África’. Não, caro presidente, temos um pé na África e outro nas tabas dos nossos indígenas.

Outra crítica que andei lendo, mas que não considero justa, é que o ensaio do eminente sociólogo só vai até São Paulo, deixando o nosso Sul praticamente à margem.

Do Sul, ele só cita as nossas (que nem mesmo nossas eram, posto que espanholas) reduções jesuíticas.

O problema é que o Sul só passa a existir em termos de Brasil lá por volta de 1737, com a fundação do forte e povoado do Rio Grande.


That's All, Folks!