MENOS UM

 
UM QUERIDO AMIGO,
COMPETENTE E BRILHANTE

Não vou tratar aqui da paupérrima infância de Alceu Collares e nem de todo seu esforço para se tornar um  homem de sucesso. Um político respeitado. Íntegro.
Vou tratar de uma amizade de mais de 40 anos.




Em dezembro de 2014 lancei mais um livro, "Apaixonado por Porto Alegre 2 - A Porto Alegre Deles. Como sempre a ideia era reunir amigos e pessoas que me acompanham no Blog do Prévidi, num bar que tinha embaixo do edifício onde moro, o Tapas. Marquei para as 19 horas de um dia de semana. 
Antes da hora, desci para ver se estava tudo em ordem. Não demorou cinco minutos e para um jipe na frente do bar. Desce, ágil, o primeiro convidado que foi direto comprar o livro. Era o ex-prefeito de Porto Alegre e ex-governador do RS, Alceu Collares.
Sentou, pediu uma cerveja e ficamos batendo papo - ele não parava que cumprimentar as pessoas que chegavam e que passavam na rua.
Para minha satisfação, Collares ficou ali quase uma hora até que o motorista veio buscá-lo. 
Um dia inesquecível.

Corta para 7 de setembro de 2023. Uns dias antes o jornalista Milton Cardoso havia me convidado a dar um abraço no aniversariante do dia 7, Alceu Collares. Foi uma alegria revê-lo, bem como sua família.


Corta para 24 de dezembro de 2024. Os gaúchos, ao acordarem, ficaram sabendo da morte do "Negão", como ele mesmo brincava , aos 97 anos.

Termina uma convivência que começou há mais e 40 anos.

Fui trabalhar na Zero Hora, na Editoria Política, em março de 1980. Alguns meses depois comecei a fazer o noticiário do PDT e do PT. No segundo semestre de 1981, as candidaturas ao Governo já estavam a mil - era a primeira eleição para governador, depois de 1964.

O PDT tinha parcos recursos, assim como o PT. A vantagem é que Collares era um nome conhecidíssimo -em três eleições havia sido o mais votado para deputado federal. Mas era desanimador. O pessoal do partido seguia Collares pelo interior arcando com todas as despesas e pernoitavam em hotelzinhos e pensões.

Fiz alguns roteiros com eles, mas era muito sacrifício. Além da falta de dinheiro, a maioria das estradas eram de chão batido.

Collares terminou a eleição num heroico terceiro lugar, tendo vencido Pedro Simon e Jair Soares em Porto Alegre (seu reduto eleitoral).

Em 1983 fui morar no Rio, onde trabalhei no Governo Brizola e encontrei algumas vezes com Collares, que era vice-presidente nacional do PDT.

Em março de 1985 retornei a Porto Alegre e me incorporei a campanha de Collares à Prefeitura de Porto Alegre. Diariamente, até novembro, o acompanhei. Um trabalho cansativo, mas muito diferente de 1982 - existiam recursos para bancar todas as despesas.

Uma historinha: numa noite, a Assessoria de Imprensa da Assembleia Legislativa estava praticamente vazia. Eu me preparava para ir embora quando chega Olívio Dutra e Clovis Ilgenfritz. Olívio, candidato do PT a preeito, me pede para sondar Collares sobre a possibilidade de fazerem uma aliança informal - Olívio desistiria de concorrer e passaria a apoiar Collares. Falei da proposta a Collares. A sua resposta? "Eles que...".

Cinco anos depois me ligaram para comparecer a um endereço da avenida Duque de Caxias. Levei um susto: já havia uma estrutura pronta para a campanha ao Governo do Estado. Collares ao Governo, João Gilberto o vice e Matheus Schmidt ao Senado.

Posso afirmar que percorri TODO o Rio Grande do Sul. Foi uma experiência única. Até mesmo o susto que levamos, ao chegar de Pelotas, com um temporal que o turbo hélice custou a vencer.

Em 2004, o repórter fotográfico Alfonso Abraham e eu realizamos uma exposição sobre a vida de Collares. Um trabalho minucioso - foram analisadas centenas de fotos. E em cada foto, um amigo do Collares assinava um texto.

Em 2006 tive a satisfação de ter um cargo de confiança em seu gabinete da Câmara dos Deputados, onde atuei por seis meses em Porto Alegre.

Quando soube na semana passada que o amigo estava internado na CTI do Hospital Mãe de Deus, com pneumonia, senti que nada lhe favorecia. Aos 97 anos, só poderíamos rezar e/ou torcer para que o melhor lhe acontecesse.

Todo o meu respeito, Alceu de Deus Collares!!


25 comentários:

  1. Prévidi, meus sentimentos pela perda do amigo. A propósito, viste a manifestação rancorosa e desrespeitosa do Polibio Braga a respeito do Collares? Que coisa triste é o despeito.

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  2. 'Põe teu na mão,
    O voto é tua única arma!'

    Será que o governador Alceu de Deus Collares morreu acreditando nesse seu famoso mantra?
    Será que ainda acreditava, mesmo com o voto depositado em urnas eletrônicas?
    Será??

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    1. Ele foi eleito deputado federal
      com urnas eletrônicas igual o
      teu amigo Bozo e seus filhinhos.
      kkkkkkkkkkkkkkkk

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    2. O problema desse sistema é a dúvida eterna.

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    3. Brizola já tinha alertado sobre as maquininhas.

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  3. Votei no Collares para prefeito e governador.
    PT massacrou o governo dele, ele e a Neuza.
    Anos depois arrumou uma boquinha no PT, mesmo tendo várias aposentadorias.
    Não merece meu respeito.
    Que siga em paz.
    Murilo

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    1. Quem merece teu respeito?????
      Milico que não faz poha nenhuma
      com nossa grana?Collares vive!

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    2. Vou responder ao anônimo covarde.
      1. Não sou militar
      2. Colares , depois de ter sido massacrado, se vendeu ao PT.
      Não teve honra, pouco vale!
      Murilo

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  4. Pé Grande e Madame Conká, na rádio do Almirante....pqp, que dupla enjoativa!!!!!!

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  5. O Collares foi um símbolo, um exemplo da velha política... A política que se alimentava dos caudilhos, dos líderes populares de uma cartilha não escrita, de onde vieram o Perón, o Getúlio, o Brizola, o Tancredo, entre outros. Aqueles que cativavam o povo, eram carismáticos e se tornavam os "caciques" dos partidos. Esses caudilhos são fenômenos da política latino americana. Na argentina temos os "peronistas", aqui no Brasil os brizolistas, trabalhistas, getulistas, etc... Eles estão acabando. Essa "velha" escola faz parte do passado. Agora (basta ver a própria história política recente do RS) a política ficou mais dependente dos marqueteiros, das redes sociais, poderíamos dizer mais "profissional", mas está diferente. Não existe mais lugar para essa maniera de fazer política dos tempos do Colares..

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    1. Nenhum dos citados tinha um projeto de prosperidade para o País. Isso é um dos ingredientes que explicam nossas mazelas atuais.

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    2. 22:20-FALOU GROSELHA,TIO.

      00:12 TEM RAZÃO,SIM.

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  6. Quem perdeu a Zero Hora de “sesta-feira” aguarde a de “cegunda “ ! Sensacional a tripulação do Almirante Nelson, rumo ao naufrágio!

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    1. Fui conferir hahahahahaha havia um tempo em que a única informação confiável de um jornal era a data, mas acabaram de "zerar"

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    2. E não é que é verdade? Misericórdia. O jornal virou um zero à esquerda, em todos os sentidos.

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    3. 21:27-Quanta burrice:a rádio
      preferida do Almirante Nelson
      deu espaço pro Bozo falar
      groselhas e a rádio virou
      gozação nacional.A ZH é um
      jornal de direita-mandou o
      peteba do Veríssimo pra rua
      e trocou pelo JR Guzzo-o
      jênio reaça.kkkkkkkkkkkkk

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    4. O 20:56 tem que aprender interpretação de texto ! Anda lendo muito o referido jornal pelo jeito.

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    5. 17h30, o indivíduo atende por Sr. K*K*K*, célebre por não dizer coisa com coisa e gargalhar das próprias besteiras ao final de seus comentários.

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    6. Sr. kkk provavelmente é um moleque acometido da gonorreia ideológica esquerdista que muitos passam. Mas esse não obteve a cura.

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    7. O KKK é mais um desses perdedores que atribuem aos outros a causa de seu próprio fracasso.

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  7. ZH edição final de semana 32 pgs R$ 14,00 100comentários

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