Quarta, 9 de janeiro de 2019 - parte 2




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ONYX PROCESSA RBS/ZERO HORA



Notícia do jovempan.uol.com.br:


O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou, em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, que processará o grupo RBS, que controla e edita o jornal Zero Hora, por conta de publicação que o acusa de usar notas de empresa de amigo para recebimento de verba de gabinete.

“Essa matéria do Zero Hora é uma não matéria, porque todos os dados estão publicados no site da Câmara. A empresa que me assessorou durante todos esses anos existe, não estamos falando de empresa fantasma (…) Se essa empresa tem pendências, isso não diz respeito a mim. A única ação que se buscou com isso [a matéria] é desgastar minha imagem”, criticou o ministro.

Onyx Lorenzoni ressaltou ainda que nunca processou uma empresa de comunicação, mas que desta vez já autorizou sua defesa a entrar com uma ação na Justiça do Rio Grande do Sul.

“Tenho 24 anos [de vida parlamentar] sem um arranhão, sem um processo. Nunca processei uma empresa de comunicação, mas vou processar a RBS, porque é uma barbaridade o que fizeram. Vou entrar com ação buscando o ressarcimento da minha imagem. Eu vivo de imagem”, disse.

O caso
O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), usou 80 notas fiscais de uma empresa de consultoria pertencente a um amigo de longa data para receber RS 317 mil em verbas de gabinete da Câmara dos Deputados entre os anos de 2009 e 2018. As informações foram reveladas pelo jornal Zero Hora na manhã desta terça-feira (08). Entre as 80 notas, 29 foram emitidas em sequência, o que indica que Lorenzoni teria sido o único cliente da firma.

A empresa chamada Office RS Consultoria Sociedade Simples pertence a Cesar Augusto Ferrão Marques, técnico em contabilidade filiado ao DEM, o partido de Lorenzoni. Marques também trabalhou em campanhas políticas do parlamentar. O jornal gaúcho informa, ainda, que Marques não tem registro no Conselho Regional de Contabilidade. Ele é o responsável pela contabilidade do DEM no Rio Grande do Sul – e também trabalhou em campanhas políticas do parlamentar.

A empresa está inapta na Receita Federal por omissão de valores ao fisco e tem R$ 117 mil em dívidas tributárias. Entre janeiro de 2013 e agosto de 2018, não recolheu impostos, apesar de ter emitido 41 notas a Onyx Lorenzoni.


Quarta, 9 de janeiro de 2019




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HISTÓRIAS DA URCA - 3

(continuação de terça, 8 de janeiro de 2019)


Ah, por que Praia Vermelha?
Simples, a areia era avermelhada - hoje não é tanto.
Meu sonho foi sempre estudar no Andrews, o colégio que meu irmão fez o primário. Antes, ele tinha sido interno no Colégio São Bento, por um ano - não me pergunte o motivo, não tenho a menor ideia. Lá nós íamos buscá-lo toda sexta-feira. Os freis diziam que estavam me esperando e eu nem olhava para a cara deles.
Quando era adolescente e me diziam que a vida é feita de pequenas recordações eu não conseguia entender. O tempo me mostrou que isso é uma verdade maravilhosa.
Neste tempo da rua Octavio Corrêa lembro que todo dia passava um sujeito vendendo aquelas bananadas no palito, cobertas com açúcar cristal. Eu era alucinado pelo doce, mas nem sempre podia comer por causa das diarreias. Tinha também as carrocinhas da Kibon.


Gostava muito dos picolés, mas a minha fissura era as "balas com furinho no meio". É óbvio que tinha que enrolar muito para ganhar um pacotinho, porque, como já disse, vivia com diarreia (eu dizia disarreia). Aquelas balas que vem enroladas e geralmente se comprava nas portarias dos cinemas. Também gostava das jujubas.


Na praia, naquela ao lado da TV Tupi, tinha o delicioso Chá Mate Leão e os Biscoitos de polvilho Globo, doce e salgado. Até hoje nas praias cariocas se toma Mate com os Biscoitos Globo.
Minha mãe fez uma tentativa de me colocar em uma escolinha. Maternal. Tenho a impressão de que era dentro do Forte São João. Não durei muito lá.
Passávamos o dia sentado e brincando em uma mesa. Lembro de uma menina que sempre estava ao meu lado e brincávamos de médico. Sério, e eu estava sempre aplicando injeção nela e ela até colaborava. Juro que me lembro disso. Até que a professora nos separou.
Fiz seis anos em maio de 1960. Levamos esta vida na Urca até o final de 1959. Eu praticamente não conhecia outros bairros - só o que estava ali perto, como Botafogo e Flamengo, além de Copacabana, Leme. E o centro da cidade, onde era o escritório do meu pai. Ah, e o Aeroporto Santos Dumont, quando ia com meu pai, todo dia, buscar "a correspondência", que vinha de Caxias do Sul e São Paulo pelos aviões da Varig.

Fomos morar num edifício recém construído, na Rua das Laranjeiras, 130 (foto). Meu pai comprou o apartamento 201 e em todos os andares viviam famílias com crianças. No prédio haviam mais de 40 crianças. Era uma festa. Tinha um espaço que poucas pessoas conheciam, um playground.
Gostava muito de lá, até porque fui estudar - Pré-Primário - num colégio bem pertinho, o Franco-Brasileiro.
Íamos muito a Copacabana, mas jamais deixamos de ir na Praia Vermelha.
Em 1966 meu irmão já estava estudando em Porto Alegre, novamente interno no Colégio Champagnat, e nós íamos todo final de semana na Praia Vermelha.
Em julho desse ano fomos buscar na rodoviária o meu irmão que vinha passar as férias.
Lembro que no dia 15 estávamos jantando e meu pai disse que ia parar de trabalhar no Eberle, já tinha acumulado dinheiro suficiente para abrir um negócio. Estava com 48 anos. Antes disso, iria fazer uma viagem com a minha mãe, por todo Brasil.
No dia seguinte, enquanto dormíamos, ele saiu para ir na Igreja no Largo do Machado, conversar com um padre amigo. Tínhamos combinado de ir a praia com o Tio Juca, que estava no Rio. 
Quando meu irmão e eu acordamos minha mãe estava preocupada porque o Waldemar ainda não tinha voltado da Igreja. Minha mãe conversou com o Tio Juca sobre a demora e ele foi na Igreja. Ele tinha saído pouco depois das 9 horas e já era quase meio-dia.



Não lembro do que fiquei sabendo, até que chegaram lá em casa o meu Tio com um médico chamado Silvio Brauner, que tinha uma clínica e era amigão do meu pai. Minha mãe abriu a porta para eles e os dois estavam chorando.
O Waldemar tinha se afogado. Exatamente na Praia Vermelha (foto) .
Presumiu-se que ele acreditou que estava atrasado e foi direto para a praia. É possível que tenha tido uma forte câimbra e não conseguiu nadar - era bom nadador, treinava no Fluminense, mas sempre tinha fortes câimbras, como eu até hoje.
Aí viemos morar em Porto Alegre e a minha vida mudou completamente.
Mas isso é outra história. Ou outras...

Amanhã voltamos ao normal

Terça, 8 de janeiro de 2019




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Cumpro pedido da Laís Legg Da Silveira Rodrigues


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HISTÓRIAS DA URCA - 2

(continuação de Segunda, 7 de janeiro de 2019)





Minha mãe já dirigia e levávamos todo dia o meu irmão Paulo César no Colégio Andrews, na época na Praia de Botafogo. Meu sonho era estudar lá, mas ainda não tinha idade nem para o Jardim de Infância. Mas as vezes entrava e ficava brincando na gangorra com a minha mãe.

(clica em cima que amplia)



Não lembro quando começamos a ir na prainha do Forte São João (foto abaixo) - claro que na Urca. Lembro que os moradores do bairro podiam entrar no Forte e desfrutar da praia.
Bastava fazer uma carteirinha. No final de semana ia toda a família.
Não sei se os militares proibiram a entrada, mas começamos a ir em outras prainhas da Urca. A que eu mais ia com a minha mãe era ao lado do prédio onde funcionava a TV Tupi. Antes, ali funcionou o Cassino da Urca.
Meu passeio favorito era na Praia Vermelha. Me diziam que ali os portugueses desembarcavam das caravelas. Tem até lógica, porque não tem ondas e poucos passos um adulto fica "sem chão". 
Para quem não conhece, na Praia Vermelha as pessoas tomam o bondinho para os Morros do Pão de Açúcar e da Urca. Muitos prédios militares, como a Escola de Guerra Naval, a Escola Superior de Guerra e o Instituto Militar de Engenharia.


Era muito legal a pracinha da Praia Vermelha. Especialmente porque tinha a Pipoca do Bené. Era uma delícia e sempre que como a pipoca, da carrocinha que fica na esquina das avenidas Salgado Filho com Borges de Medeiros, me lembro da Praia Vermelha.
Desde a mais "tenra idade" que tenho dois problemas sérios: câimbras e diarreia. Por várias vezes ia direto para a carrocinha do Bené e minha mãe me cortava - "Você está tomando sopa branca e quer pipoca? Não senhor!". Sopa branca era apenas com arroz, batata e extrato de carne, que era comprado apenas em uma loja de importados, no centro da cidade.
Aí eu disfarçava. Começava a correr e quando ela descuidava eu ia na carrocinha do Bené e ele enchia as minhas duas mãos de pipoca ainda quente. Gostava mesmo quando aparecia o Dirceu, irmão de minha mãe e meu padrinho. Ele desconhecia as ordens da minha mãe para que não me desse nada. Sempre me dava o maior pacote de pipoca doce e logo depois um ou dois picolés. Minha mãe ficava furiosa e meu pai apenas ria. O tio Dirceu morava em Porto Alegre e ia ao Rio para conversar com o seu primo, como ele dizia, João Goulart, que casualmente era o vice-presidente da República e depois presidente por pouco tempo. Minha mãe, fã de Carlos Lacerda, não admitia esse parentesco.
Os familiares e amigos gaúchos de meus pais que nos visitavam conheciam a Praia Vermelha. Era um passeio obrigatório. E eu imitava a pose pensativa de Chopin. Todos riam muito e nunca soube o motivo.
Mas, por que uma estátua fantástica do compositor pensativo na frente da Praia? O que ele tem a ver com uma praia?
Vale a pena ler o motivo:




No dia 1º de setembro de 1939 as tropas nazistas atacavam a pacífica Polônia. O ataque foi tão devastador que três semanas depois os soldados alemães colocavam seu tacão em Varsóvia. Dentre as muitas barbaridades praticadas pelos invasores, uma das primeiras foi a de destruir o monumento ao compositor romântico polonês Frédéric Chopin existente naquela cidade. 
Quando a notícia chegou ao Brasil, a comunidade polonesa residente nno Rio resolveu reagir, organizando uma vaquinha para angariar fundos com o objetivo de erguer um monumento a Chopin no Rio de Janeiro. Encomendaram a estatua ao escultor Augusto Zamoyski. Com 2,5 metros de altura e todo em bronze, o monumento ficou pronto ainda em 1939. Entretanto, a politica dúbia do governo brasileiro, oficialmente neutro, mas relativamente simpático aos alemães, adiou sua instalação por alguns anos.
Com o torpedeamento de navios brasileiros e a posterior declaração de guerra do Brasil aos países do Eixo, desengavetou-se a ideia da estátua. Em 1º de setembro de 1944, no quinto ano da invasão da Polônia, foi inaugurado o monumento a Chopin na Praça Floriano, defronte ao Teatro Municipal. Lá ficou em paz por exatos quinze anos.
Em fins de 1959, o barítono Paulo Fortes iniciou uma campanha para erguer na Praça Floriano um monumento ao maestro e compositor Carlos Gomes. Conseguida rapidamente a estatua em bronze do maestro brasileiro, começou então uma campanha para dali remover a homenagem a Chopin, por considerarem incompatíveis os dois monumentos. Um outro grupo de intelectuais não via problemas na homenagem aos dois compositores na mesma praça, mas Paulo Fortes não pensava assim e, usando de sua influencia, conseguiu a remoção. Em 15 de Janeiro de 1960, o monumento a Chopin foi retirado à noite por funcionários da Prefeitura, sendo levado para um depósito. No dia 16, pela manhã, estava em seu lugar o maestro brasileiro.
Depois de algum tempo esquecido num depósito, o monumento foi colocado na Praia Vermelha em 1964.
Chopin foi retratado em posição de quem medita e escuta. No final das contas, a romântica Praia Vermelha acabou se tornando a moldura perfeita para o mestre do romantismo. A estátua tem 2,5 metros e está sobre um pedestal de granito com um metro de altura.

Que história, hein?


(continua amanhã)