Sexta, 21 de março de 2025




FALE COM O EDITOR:
jlprevidi@gmail.com





ACREDITO NOS ANIMAIS
(DE OLHOS FECHADOS)






DOIS MINUTOS
COM  PRÉVIDI

- QUER DIZER QUE NÃO EXISTE UMA PESSOA
EM TERRITÓRIO GAUDÉRIO QUE NÃO TENHA
MEDO DO "GRUPO" RBS?
 

  


nesta sexta,
a cesta do
j.p. da fontoura

TEXTOS DE
JOÃO PAULO
DA FONTOURA*






As Revoluções Russas de 1917

Ei, russos!
Pescadores do universo,
Na rede da aurora colhendo o céu –
Troai como trompas!
Sob a charrua do raio
Ruge para a terra.
Rompe os penhascos a auridente
Relha.
Novo semeador
Erra pelos campos
Novas sementes
Arroja aos sulcos.
Um satélite-luz
Vem num carro.
Corre entre as nuvens
Uma água
Sela da água –
Azul.
Sinos da sela –
Estrelas.

Poema escrito em 1917, no contexto e ambiente da revolução, por Sierguéi Iessiênin – tradução de Augusto Campos.



Ocorrida em 1917, a Revolução Russa (ou como Revoluções Russas de 1917) foi o evento histórico responsável por transformar a agrária Rússia na primeira nação socialista do mundo.


A primeira revolução ocorre em março (pelo calendário gregoriano), apeando do poder à dinastia autocrática dos Romanov que estava despoticamente no poder já há mais de 300 anos.


A história aponta Kerensky como o líder, ou um dos líderes, desse movimento libertário, que não conseguiu manter-se no poder por vários motivos: a guerra contra a Alemanha, a insatisfação popular pela desordem econômica, os grevismos patrocinados pelos comunistas leninistas, etc.


A segunda, a que vale mesmo, a que durou quase 73 anos, ocorre também pelo calendário gregoriano, em novembro.

 



Duas curiosidades



1)     Alexander Kerensky, que viveu até 1970, teve seu nome ligado a uma frase chistosa, sem honra, sempre que alguém – um político ou grupo – negava-se a servir de 'ponte' a outro para obter poder: ... ' eu não serei um Kerensky para esses arrivistas, esses...';


2)     Kerensky e Lênin, os dois líderes, os dois inimigos políticos, os dois ferozes rivais na luta pelo poder do império russo, ora vejam só a ironia, eram velhos conhecidos desde a infância : amigos. (...) o encontro dos dois advogados de Simbirsk não é, pois, apenas um incidente extraordinário, mas resume os extremos, a polarização de dois espíritos radicalmente diferentes, tendendo, no caso de Lênin, a ir além de seu tempo, de sua classe, para criar um novo mundo político e social, enquanto o espírito de Kerensky reflete simplesmente as melhores qualidades de sua classe de origem, brilhando unicamente por sua cultura, suas competências, pelo simples fato de pertencer a um meio e a uma época. (...) o encontro Lênin-Kerensky não é um simples 'acidente', é, ao contrário, o símbolo de um enfrentamento fatal, que supera os dois homens, seu tempo, sua sociedade, suas ideias, para atingir os limites de uma tragédia.


(*Insertos, páginas 104/105, do livro A Rússia Durante A Revolução De Outubro – do escritor Jean Marabini.)


Origens do estado russo



O estado Kievita (de Kiev), precursor da Rússia moderna, cresceu ao longo do sistema fluvial que ligava o mar Báltico ao mar Negro, a uma distância de quase dois mil quilômetros de terras e rios (principalmente o Dnieper, mas também o Prípiat e Desná) que forneciam aos locais – os escravos orientais – uma espécie de artigos como peles, couros, âmbar da região do Báltico, mel, cera de abelhas, peixes, produtos esses que, pela rede fluvial que ligava o lago Ladoga ao rio Dnieper, eram comercializados com o Império Bizantino e sua exuberante capital Constantinopla. Isso se desenvolve entre aproximadamente meados do século VII e finados do século IX.


Aos eslavos do leste, somaram-se ao longo dos anos um amálgama de vários matizes culturais e minorias, incluindo povos escandinavos, bizantinos e, bem depois, os mongóis e os tártaros aparentados dos mongóis.


Classicamente, afirma-se que a Rússia de Kiev ocorre no século IX, ano 989, quando o grão-príncipe Vladimir casa-se com a princesa Ana, irmã do imperador bizantino Basílio II, e aceita como dote a religião cristã ortodoxa bizantina da sua jovem esposa.


Essa decisão marca o ápice de um processo de construção da nacionalidade Russa (podemos dizer: o seu nascimento). O principado de Kiev é uma emergência da Rússia. Essa decisão marcou também o olhar da Rússia para a Europa em contrapartida ao Oriente Médio Islâmico, mas também o afastamento da igreja católica de Roma e do Papa.


Quando, já no século XII, esse principado se desintegra, suas terras são divididas em vários pequenos estados feudais, fazendo com que a Moscóvia assuma a hegemonia e a liderança no processo de reunificação e da luta de independência contra as hordas inimigas invasoras.


Lá por 1147 a cidade de Moscou torna-se a mais importante e a capital do grão-principado moscovita.


Moscóvia, gradualmente, reuniu os principados russos e passou a dominar o legado cultural e político da Rússia de Kiev.


Por volta do século XVIII, o país teve grande expansão territorial através da conquista, anexação e exploração de vastas áreas, tornando-se o 'Império Russo' entre 1721 e 1917, o terceiro maior império da história, estendendo-se da Europa Polônia, até o atual estado estadunidense do Alasca.


1721 e 1917 são marcos importantes na história da nação eslava.


1721 é, marcadamente, o século de Pedro, O Grande.


Foi esse Czar que se retirou e transpôs – a fórceps – uma Rússia (quase) medieval à condição de grande potência com os europeus.


Pedro teve tamanho destaque no contexto da história e emergência da Rússia, que está colocado no índice das 100 Maiores Personalidades da História, livro do americano Michael H. Hard – na destacada posição 88.


Abaixo escrevo um pouco sobre esse personagem, antes de pular 200 anos e entrar propriamente no tema deste ensaio, as duas revoluções de 1917.


 Possíveis origens do nome Rússia 


O nome Rússia tem algumas explicações para a sua origem. Citarei duas, as principais e talvez mais prováveis:


1ª) deriva do nome 'Rurik', um dos três irmãos varegues que se estabeleceram em Novgorod lá pelo século IX, conhecido como 'Rus' e a região de 'terra dos Rus', que , em séculos posteriores, seria latinizada para Rússia;


2ª) também pode ter vindo da palavra finlandesa 'Ruotsi' e da estoniana 'Rootsi', ambas derivadas de 'Ródr', significando remadores.

 

Pedro, O Grande


Filho único do czar Alexis e de sua segunda esposa, Natália Naryshkina, Pedro nasceu em Moscou em nove de junho de 1672. É geralmente aceito pelos historiadores como o melhor de todos os czares russos. Sua política de ocidentalização (brutal, a ponto de, entre outras decisões autocráticas, obrigar seus súditos a cortarem suas barbas, pois homem sem barba simbolizava o homem ocidental), foi fator decisivo na transformação de sua Rússia em grande potência.

Assumiu o czarado russo, depois de lutas dinâmicas e quase ser morto por boiardos fiéis a sua meia-irmã, regente, em 1689, conjuntamente com seu meio-irmão Ivan V. De fato, só cinco anos depois, em 1694, aos 22 anos, assumiu poderes plenos.

Entre 1697 e 1698, Pedro fez uma longa viagem de aprendizado à Europa com uma delegação de 250 pessoas, aprendendo, ele mesmo como carpinteiro, a 'construir barcos de guerra'. Quando do seu retorno, iniciou uma série de reformas de longo alcance em tudo: introduzindo tecnologias novas, incentivando o comércio e a indústria, enviando jovens russos para estudarem na Europa, importando especialistas em diversas áreas da Europa; remodelou o exército segundo padrões europeus, fez mudanças na administração civil da burocracia – elevando a importância do desempenho, modernizou o calendário juliano (um avanço, mas ainda deixou de lado o gregoriano, por questões religiosas) etc., etc.

Com o exército e a marinha preparada, promoveu guerras expansionistas, muitas delas, vitoriosas.

Dos vários legados fornecidos por Pedro, O Grande, vou destacar dois que a mim me toca por singulares: um físico e permanente, a construção de São Petersburgo, a cidade de Pedro, que logo após foi tornada capital do Império; outro, metafísico e também permanente nos bancos das escolas de psicologia e antropologia, o filicídio do czarevich Alexei, torturado até a morte a mando do seu pai, o czar Pedro. (Interessante, vá se entender a mente humana ou a mente dos tiranos!, que ao mesmo tempo em que mata seu próprio filho, joga-se no gelado Nievá para salvar um seu marinheiro servidor, e por isso morre em 1725, aos 53 anos.)

+ Continua na Cesta da próxima semana +

 *joão paulo da fontoura é escritor e historiador diletante, membro da ALIVAT – Academia Literária do Vale do Taquari, titular da cadeira nº 26.

26 comentários:

  1. Lembro-me Alexandre, O Grande. Parabéns pelo artigo.

    ResponderExcluir
  2. Alô Prévidi, tenho um problema de vesícula e esta semana precisei vomitar algumas vezes para expelir a bílis. Então, na 5a.feira li a coluna de Rosane de Oliveira em ZH e hoje ouvi uns minutos da rádio CBN(sistema GloboLixo). Dito e feito, não só vomitei muito como também c*guei horrores.

    Recomendo seguir essa receita infalível a quem estiver com o mesmo problema.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mas então é contagioso, pois é o que a colonista faz diariamente.

      Excluir
  3. A abertura nesta semana dos arquivos da CIA sobre a morte de JFK por tabela apresentou mais dados a se somarem a tantos outros que comprovam que o velho caudilho gaúcho era um verdadeiro traste e um dos maiores responsáveis pelos deletérios acontecimentos que culminaram nos eventos de 1964 e cujos efeitos criaram falsos vilões e falsos mocinhos, transformando o Brasil nesse ambiente caótico e desalentador em que se encontra.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A intervenção americana é plenamente criticavel sob a perspectiva do direito internacional, especialmente pela autodeterminação dos povos.
      Porém vou agradece-la até o fim dos meus dias pelo seu papel aniquilador de qualquer possibilidade comunista por aqui.

      Excluir
    2. Infelizmente o intervencionismo americano virou a chave depois de várias administrações do partido Democrata. Para citar um exemplo recente, o governo Biden influenciou de forma decisiva a eleição do atual presidente brasileiro.

      Excluir
    3. Verdade, 21:21. Tanto é que o Partido Democrata está preparando aquela deputada de origem latina, uma Luciana Genro americana, como candidata a presidente. A radicalização do partido está em curso. Vão tentar ressuscitar o socialismo como ideologia nos EUA, embora por enquanto isso seja esotérico entre os americanos.

      Excluir
    4. Trata-se da Alexandria Ocasio-Cortez, a popular AOC, uma pupila do velho comunista Bernie Sanders, e ainda mais limitada cognitivamente do que a Kamala Harris, mas não menos perigosa.

      Excluir
  4. ‘A abertura nesta semana dos arquivos da CIA sobre a morte de JFK por tabela apresentou ...’

    * A abertura desses arquivos, em relação à morte do JFK ,em 22 de novembro de 1963, dificilmente aparecerá alguma surpresa, pois o relatório Warren – 8 mil páginas – rastreou tudo o que podia ser rastreado, de fatos a fofocas, nada ficou para trás.
    O caso que aparece nos arquivos das ofertas de ajuda (militar) da União Soviética, da China e de Cuba ao nosso caudilhão Leonel de Moura Brizola, não é nada novo, todos sabiam, mas – evidentemente, a esquerda da época negava e vão continuar negando, pois esses arquivos produzidos pela Cia não têm ‘carimbos de cartórios’ atestando veracidade. Todos também sabem que o Brizola negou essa intervenção ( hipotética), pois a reação americana seria absolutamente certa.
    Há registros de o Kennedy (democrata) em finais de 1962 – depois do caso do misseis em Cuba – ter pensado em Invadir o Brasil.
    Kennedy e Goulart, encontraram-se em abril de 1962 – na Casa Branca ( tinham quase a mesma idade, Kennedy era de 1917 e Goulart de 1919) e parece que o presidente americano não achou o achou ‘comunista’.
    Goulart não era comunista, no máximo ‘na linha do social democrata’. E sofreu muito pois o seus cunhado o pressionava por não fazer as reformas, ser muito de direita, e o Lacerda, do outro lado, por ele ser muito de esquerda, comunistão, bonchevista, etc., etc.
    O Trump, isso eu li, afirmou que vai cuidar da América, que o Problema da Europa, é dos Europeus ( ou seja: Rússia vs Ucrânica, que a França, a Inglaterra e a Alemanha resolvam!) e do do problema do oriente é da China, pois lá sua zona de influência. Mas não abriria mão da América! É a volta da ‘Doutrina Monroe’, do início dos anos 1800!
    E é o que teremos, que viver, verá!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A influência americana em nosso país é uma antiga realidade. O que muda periodicamente é o seu matiz ideológico.

      Excluir
    2. Gostem ou não, a posição de Trump é extremamente lógica.

      Excluir
    3. Os abutres já tinham identificado a fragilidade psíquica de Jango, e lutavam entre si para ver quem teria a prevalência de controlá-lo.

      Excluir
    4. A influência americana a partir da década de 1960 foi eficaz somente no Chile e na Colômbia. Nos outros países da AL no máximo houve alianças conservadoras para barrar o comunismo. O caso brasileiro é típico: apoiaram o golpe para evitar um mal maior, pois as relações diplomáticas foram tensas na maior parte dos governos militares. Depois, só piorou, especialmente pela irrelevancia da AL depois da guerra fria.

      Excluir
    5. O anti-americanismo latino é diretamente proporcional ao nível de pobreza do país.

      Excluir
    6. Barraram uma possível revolução socialista, mas não o comunismo como doutrina, que continuou vicejando nas universidades e na imprensa, preparando o terreno para uma futura e orgânica tomada de poder. O curioso é que o conservadorismo e a direita em si saíram tão enfraquecidos desse período do regime militar que quase se tornaram inexistentes. Passaram-se décadas para que houvesse o seu ressurgimento, e ainda assim de forma não muito organizada.

      Excluir
  5. Bah o RBS Notícias desse sábado não ter dado uma vírgula sobre a presença da Rayssa Leal em Porto Alegre se limitando a mostrar imagens do trânsito complicado na região da Orla por causa de "um evento esportivo" foi pra matar! Até cheguei a pensar em direitos de alguma rede concorrente da Globo mas em seguida o JN apresentou uma matéria sobre o campeonato incluindo uma entrevista com a ex-fadinha. Já o noticiário local achou que interessaria mais aos gaúchos dedicar bons minutos a um evento de música em Santa Maria com o som do palco deixando a voz do repórter quase inaudível e ao Carnaval de Uruguaiana com direito a nominar cada escola com o seu respectivo horário de entrar na avenida... Ah outra pauta "importantíssima" que o diretor achou que nteressaria mais aos gaúchos que uma medalhista olímpica em ascensão competindo em Porto Alegre foi o início das obras para o tal do Summit (acho que é isso) que só vai acontecer no mês que vem...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Só chupim, as imagens de trânsito eram do waze, da orla

      Excluir
  6. O show dos esquerdóides radicais 'Caetano e Bethânia', sábado na Arena do Grêmio, teve público de 38 mil pessoas, que pagaram absurdos 400,00 de ingresso, no ticket médio.

    Era uma oportunidade singular de a Direita do Brasil esvaziar o evento dando um soco nos dentes da fedorenta Esquerda, mas o tamanho do evento mostra que a Direita não tem vigor, nem vergonha na cara.

    Pobre, país!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Querias que o distinto público pagasse pra ver o Gustavo Lima ou alguma outra porcaria sertaneja da direita??

      Excluir
    2. Se vc observar com atenção perceberá que não existe direita neste país, nem conhecemos o que é isto.

      Excluir
    3. Prefiro pensar que o pessoal foi ao show pela música em si, e não por questões políticas. De qualquer forma, concordo com o 11:04 -- o país é uma pobreza.

      Excluir
    4. A esquerda não junta 38 mil pessoas para um comício. Então, vamos com calma.

      Excluir
    5. Só a numerosa comunidade colorida de POA já explica esse público.

      Excluir
  7. João Bucecha, acima 11:04, quiz dizer que nem por um pote de ouro 24 quilates, a Direita deveria ter ido ao show,(prestando ele, ou não), eis que essa era uma magnífica oportunidade de fazer uma ação de repercussão mundial contra a esquerdalha. Infinitamente maior e melhor que juntar 30 mil pessoas no Parcão.

    Difícil entender isso, pessoal???

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esse tal de Bucecha evidentemente fala só por ele mesmo, e já é muita coisa, pois não juntou lé com cré.

      Excluir