Sexta, 2 de julho de 2021

 


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especial

Nesta sexta, uma cesta 
de 
Thomas Sowell! 


O guru do
pensamento liberal




Embora a grande palavra da esquerda seja ‘compaixão’, a grande agenda da esquerda é a dependência.



Um dos tristes sinais de nossos tempos é que demonizamos aqueles que produzem, subsidiamos aqueles que recusam produzir e canonizamos aqueles que reclamam.




iii


A questão mais básica não é o que é melhor para todos, mas quem deve decidir o que é melhor.



Thomas Sowell nasceu em 30 de junho de 1930 na Carolina do Norte (Gastonia), mas cresceu em Harlem, Nova York. Largou a universidade e foi servir na Marinha dos Estados Unidos durante a Guerra da Coréia. Graduou-se em Economia na Universidade Harvard em 1958 e depois fez mestrado em Economia pela Universidade Columbia. Em 1968, recebeu seu doutorado pela Universidade de Chicago. É atualmente membro sênior do Instituto Hoover na Universidade de Stanford.

Como intelectual, ganhou notoriedade por opor-se a ações afirmativas, como cotas raciais. Escreveu mais de 30 livros e lecionou em Cornell, California, UCLA, Stanford, entre outras universidades. Colaborou com The Wall Street Journal e as revistas Forbes e Fortune. Em 2002 recebeu a Medalha Nacional de Humanidades.

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A retórica não substitui a realidade.

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Jo Kwong escreveu:

Nesses anos em que muitos argumentam que a identidade racial determina a ideologia política, Thomas Sowell nos desafia a reexaminar muitas suposições amplamente aceitas sobre esse tema. Em seus escritos, ele oferece informações valiosas sobre as divisões que polarizam nossa cultura política.

Sowell avalia as percepções populares sobre o papel da opressão e da discriminação na limitação do sucesso de certos grupos, por meio de uma combinação entre história e economia. Dessa forma, ele mostra como as melhores oportunidades para todas as pessoas são criadas a partir de muito trabalho e esforço aplicados de forma livre e pelo livre mercado.

Embora seja muito conhecido por seus escritos sobre raça e cultura, a ênfase de Sowell nos aspectos do mercado aberto aparece é também consistente em seu trabalho. Em cada estudo, ele transforma questões emocionais complexas em análises facilmente compreensíveis dentro de uma perspectiva global e histórica, abordando economia e política social.


Em plena Grande Depressão, Sowell nasceu pobre e foi criado no Harlem, onde aprendeu a natureza da responsabilidade e do esforço próprio em primeira mão. Embora tenha saído de casa antes de finalizar o ensino médio, ele concluiu a graduação de bacharel em economia por Harvard em 1958. A conquista do mestrado pela Universidade de Columbia aconteceu no ano seguinte e 10 anos depois, Thomas Sowell já era doutor pela Universidade de Chicago.

...

O fato de que muitos políticos de sucesso são mentirosos, não é exclusivamente reflexo da classe política,é também um reflexo do eleitorado. Quando as pessoas querem o impossível somente os mentirosos podem satisfaze-las.

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Talvez, raça e cultura sejam os tópicos mais polarizantes com os quais Sowell lidou. Suas obras contribuíram amplamente para a compreensão de questões relacionadas à discriminação e aos direitos civis. Nos lembra que muitas declarações incendiárias sobre raça, cultura e até sobre inteligência podem e devem ser resumidas a questões empíricas, ao invés de conclusões precipitadas.

Os fatos que ele expõe em suas muitas publicações mostram como políticas públicas baseadas em falsas suposições, frequentemente, se mostram prejudiciais às mesmas pessoas que pretendiam ajudar. Além disso, ele demonstra essa noção sobre a legislação dos direitos civis, a política educacional, entre outras, que enfraquecem o valor da responsabilidade individual e do esforço próprio.

...

A educação não é apenas negligenciada em muitas de nossas escolas hoje, mas é substituída, em grande medida, por doutrinação ideológica.

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É comum a abordagem de Sowell levar a descobertas que se mostram contrárias à sabedoria convencional. Mas, igualmente importantes, elas ilustram como essas visões se tornaram ortodoxas. Além de seus muitos livros, os escritos de Sowell apareceram em revistas de economia, direito e outras áreas acadêmicas.

Ele também foi comentarista político popular, aparecendo em jornais, revistas e artigos online. Contudo, ele não escreve mais, pois se aposentou em 2016, após quase duas décadas assinando colunas semanais que podem ser lidas aqui.

Recebeu o prêmio Francis Boyer do American Enterprise Institute. Atualmente é membro sênior da Hoover Institution em Stanford, na Califórnia.

LIVROS TRADUZIDOS

2011 - Os Intelectuais e a Sociedade

2011 - Conflito de Visões - Origens ideológicas das lutas política

2016 - Ação Afirmativa ao Redor do Mundo - Um estudo empírico sobre cotas e grupos preferenciais

2017 - Fatos e falácias da economia.

2018 - Economia Básica: um Guia de Economia Voltado ao Senso Comum (Volume 2)

2018 - Economia Básica: um Guia de Economia Voltado ao Senso Comum (Volume 1)

2019 - Discriminação e disparidades


O fato mais fundamental sobre as idéias da esquerda política é que eles não funcionam. Portanto, não devemos ficar surpresos ao encontrar a esquerda concentrada nas instituições onde as idéias não têm de trabalhar para sobreviver.



SOWELL:
AFINAL, QUEM SÃO OS RACISTAS?

Alguns anos atrás, uma pessoa disse que, de acordo com as leis da aerodinâmica, um abelhão não pode voar.  Mas os abelhões, alheios às leis da aerodinâmica, vão em frente, contrariam os dizeres dos especialistas, e voam assim mesmo.

Algo semelhante ocorre entre as pessoas.  Enormes e tediosos estudos acadêmicos, bem como melancólicos e sombrios editoriais de determinados jornais, são produzidos às pencas lamentando o fato de que a maioria das pessoas pobres e negras não consegue ascender socialmente, e que isso seria uma fragorosa demonstração de discriminação. 

O curioso é que, em vários países ao redor do mundo, inclusive naqueles países chamados de terceiro mundo, vários imigrantes extremamente pobres, principalmente oriundos da Ásia, não apenas conseguem prosperar mesmo sendo de uma cultura totalmente distinta, como também conseguem enriquecer sem jamais recorrer a favores especiais e a políticas de ação afirmativa.

Normalmente, estes imigrantes asiáticos chegam a um novo país praticamente sem nenhum dinheiro, sem nenhum conhecimento do novo idioma e sem nenhuma afinidade cultural.  Eles frequentemente começam trabalhando em empregos de baixa remuneração.  Mas trabalham muito.  A norma é trabalharem em mais de um emprego.  Trabalham tanto que conseguem poupar e, após alguns anos, utilizam esta poupança para empreender. 

Muitos abrem um pequeno comércio, no qual continuam trabalhando longas horas e ainda continuam poupando, de modo que se tornam capazes de mandar seus filhos para a escola e para a faculdade.  Seus filhos, por sua vez, sabem que seus pais não apenas esperam, como também exigem, que eles sejam igualmente disciplinados, bons alunos e trabalhadores.

Vários intelectuais já tentaram explicar por que os imigrantes asiáticos são tão bem-sucedidos tanto em termos educacionais quanto em termos econômicos.  Frequentemente chega-se à conclusão de que eles possuem algumas características especiais.

Isso pode ser verdade, mas seu sucesso também pode ser atribuído a algo que eles não têm: "líderes" e autoproclamados porta-vozes lhes dizendo diariamente que são incapazes de prosperar por conta própria, que o sistema está contra eles, que eles não têm chance de ascender socialmente caso não sigam os slogans repetidos mecanicamente por estes líderes e sociólogos, e que por isso devem se juntar sob o rótulo de "vítimas do sistema" e exigir políticas especiais e tratamento diferenciado.

Vá a qualquer país, seja ele rico ou em desenvolvimento, e pesquise sobre a existência de "líderes" e de grupos de interesse voltados para a promoção de políticas de ação afirmativa para os asiáticos.  Você não encontrará.  Você não encontrará sociólogos dizendo que os imigrantes asiáticos, por serem minoria e por estarem culturalmente deslocados, estão em desvantagem e que por isso o governo deve criar leis de cotas para ajudá-los a ascender socialmente.

Infelizmente, é exatamente esta linha de raciocínio, só que em relação aos negros, que vem sendo diariamente propagada por acadêmicos e sociólogos irresponsáveis.  Eles são a versão humana das leis da aerodinâmica, que dizem precipitadamente que determinadas pessoas não podem ascender e prosperar a menos que haja um empurrão do governo.

Aquelas alegações morais que foram feitas no passado por gerações de genuínos líderes negros — alegações que acabaram por tocar a consciência de várias nações e que viraram a maré em prol dos direitos civis para todos — hoje foram desvalorizadas e apequenadas por uma geração de intelectuais, sociólogos e autoproclamados "líderes" de movimentos raciais que tratam os negros como seres abertamente incapazes de prosperar sem a ajuda destes pretensos humanistas, os quais agem abertamente de acordo com uma agenda política de escusos interesses próprios.

O que é perfeitamente perceptível é que, ao longo das gerações, as pessoas que dizem falar em prol do "movimento negro" sofreram uma mutação de caráter: se antes possuíam uma alma nobre, hoje não passam de charlatães descarados.  Após a implantação definitiva de políticas de ação afirmativa nos EUA, esses charlatães perceberam que era muito fácil ganhar dinheiro, poder e fama ao redor do mundo ao simplesmente se dedicarem à promoção de ações e políticas raciais que são totalmente contraproducentes aos interesses das pessoas que eles próprios dizem liderar e defender.

No passado, vários outros grupos de imigrantes também representavam minorias que tinham tudo para ser consideradas oprimidas e discriminadas, pois chegavam a outros países quase sem nenhum dinheiro, com pouquíssima educação e com total desconhecimento da cultura local, mas que não obstante ascenderam por conta própria, muito provavelmente porque não foram "privatizadas" por líderes raciais.  Imigrantes e outras minorias que nunca tiveram "porta-vozes" e "líderes" raramente dependeram de subsídios do governo e quase sempre apresentaram altos níveis educacionais obtidos com o esforço próprio.

Grupos que ascenderam da pobreza à prosperidade raramente o fizeram por meio de líderes étnicos ou raciais.  Ao passo que é fácil citar os nomes de vários líderes do "movimento negro" ao redor do mundo, tanto atuais quanto os do passado, quantos são os lideres étnicos que defendem os interesses dos asiáticos ou dos judeus em países em que eles são a minoria?

Ninguém pode negar que há anti-semitismo e que já houve discriminação aos asiáticos.  Sempre houve.  Mas eles nunca seguiram "líderes" cujas mensagens e atitudes serviram apenas para mantê-los presos à condição de bovinos.

Essa postura de dizer aos seus "seguidores" que eles são mais atrasados, tanto econômica quanto educacionalmente, por causa de outros grupos "opressores" — e que, portanto, eles devem odiar estas outras pessoas — tem paralelos na história recente.  Essa foi a mesma motivação utilizada pelos movimentos anti-semita no Leste Europeu no período entre-guerras, pelos movimentos anti-Ibo na Nigéria na década de 1960, e pelos movimentos anti-Tamil, que fizeram com que o Sri Lanka, outrora uma nação pacífica e famosa por sua harmonia intergrupal, se rebaixasse, por influência de intelectuais, à violência étnica e depois se degenerasse em uma guerra civil que durou décadas e produziu indescritíveis atrocidades.

Será tão difícil entender, mesmo com todos os exemplos históricos, que o progresso não pode ser alcançado por meio de líderes raciais ou étnicos?  Tais líderes possuem incentivos em demasia para promover atitudes e políticas polarizadoras que são contraproducentes para as minorias que eles juram defender e desastrosas para o país.  Eles se utilizam das minorias para proveito próprio, atribuindo a elas incapacidades crônicas que supostamente só podem ser resolvidas por políticas que eles irão criar.  Eles são os verdadeiros racistas.




ANTÍDOTO CONTRA O CRETINISMO

Texto de Luciano Trigo (29/04/2017)

O Brasil dos últimos anos é a prova viva das consequências desastrosas de uma política econômica equivocada, na qual teimosamente se insistiu durante anos, mesmo quando o abismo já estava logo ali. Pior: ainda hoje se assinam manifestos propondo como solução para a crise exatamente as mesmas medidas nocivas e destrutivas que provocaram a pior recessão de nossa história. Por isso mesmo, a leitura de “Fatos e falácias da economia”, de Thomas Sowell (Record, 336 pgs. R$ 49,90), deveria ser obrigatória em todos os nossos cursos de graduação e por todos aqueles interessados em participar do debate sobre os rumos do país, especialmente intelectuais e artistas que se mostram incapazes de sair do cercadinho ideológico onde vivem. O livro é um antídoto contra a estupidez e o cretinismo.

Sowell, professor da Universidade Stanford e autor de mais de 40 livros - incluindo “Os intelectuais e a sociedade”, “Conflito de visões” e “Ação afirmativa ao redor do mundo” (todos lançados no Brasil pela É! Realizações) - não está sequer interessado em desconstruir ideologias. Sua preocupação é demonstrar uma verdade óbvia: que a realidade, a matemática e a lógica sempre e inevitavelmente triunfarão sobre qualquer narrativa, seja de esquerda ou direita. Ele demonstra, nesse sentido, como dados econômicos e as crenças populares são fabricados de forma tendenciosa pelo senso comum, reforçados pelo discurso político e divulgados pela mídia. E tenta desfazer crenças amplamente difundidas sobre problemas urbanos, desigualdade de renda entre homens e mulheres e questões relacionadas às diferenças entre as raças e os países em desenvolvimento.

Falácias nem sempre são ideias malucas, o autor adverte. Elas costumam ser plausíveis, mas lhes falta alguma coisa, geralmente uma definição clara. “Palavras vagas têm poder na política, especialmente quando invocam algum princípio que envolva as emoções das pessoas”, ele escreve na introdução. “Justiça”, por exemplo, é uma dessas palavras. Quem pode ser contra a justiça? Em termos econômicos, este é um conceito vago, porque impreciso, podendo ser entendido de formas muito diferentes; mas, politicamente, é uma palavra poderosíssima: o campo político que se apropriar da “justiça social”, da “igualdade”, do “progressismo” levará uma vantagem imensa sobre seus adversários - ainda que, na prática, seus projetos estejam destinados ao fracasso.

Sowell investiga mitos como a falácia da “soma zero”, que vende a ideia de que, na economia, só é possível ganhar quando o outro perde. No Brasil, especialmente, essa falácia tem levado acadêmicos e outros formadores de opinião a desprezar a importância da geração de riquezas e a pregar seu confisco arbitrário e sua realocação segundo a vontade e os caprichos dos políticos no poder - políticos que geralmente desconhecem os rudimentos mais básicos da teoria econômica e só estão interessados em votos. A falácia da soma zero é uma das mais perniciosas e frequentes do mundo atual.

A “falácia da composição” também é particularmente perversa. É aquela que leva governos a “ajudar” empresas, setores ou grupos específicos da sociedade, sem levar em conta os custos, as exterioridades negativas e os efeitos colaterais dessa “ajuda” para o restante da economia e da população. Mesmo deixando de lado a corrupção escandalosa, no Brasil essa falácia foi extremamente danosa, com a política de “campeões nacionais” e de câmaras setoriais para fixação de preços protegendo cartéis e sindicatos às custas do cidadão e do consumidor. As consequências desse experimentalismo irresponsável, ainda que fossem bem intencionado, seriam necessariamente ruins. A conta sempre acaba chegando, e quem paga é o cidadão. 

Todas essas falácias dependem, para prosperar, da desinformação de quem as toma como verdadeiras - e, frequentemente no Brasil, da ingenuidade ou da desonestidade intelectual de quem as propaga. O exame cuidadoso dessas falácias que nos cercam é um exercício indispensável para qualquer indivíduo minimamente dotado de consciência crítica.

Nos capítulos seguintes, Sowell se dedica a uma análise mais detalhada de fatos e falácias urbanos, de gênero, acadêmicos, relacionados à renda, raciais e relativos ao Terceiro Mundo. Nem sempre seus argumentos são convincentes ou politicamente corretos, particularmente no capítulo sobre as falácias masculinas e femininas - ainda que ele só escreva verdades. E as questões acadêmicas dizem respeito apenas ao leitor americano, já que são bem diferentes das nossas. Mas o que importa realçar é que, em qualquer campo, nenhuma política econômica dará certo se tomar como alicerce não a realidade dos fatos, mas interpretações arbitrárias, presunçosas e estereotipadas que só existem dentro da cabeça das pessoas.

Thomas Sowell lembra que a primeira lei da economia é: os recursos são escassos, e nunca haverá quantidade suficiente de qualquer coisa para satisfazer a necessidade ou a vontade de todos. Mas acrescenta: “A primeira lei da política é desprezar a primeira lei da economia”. Especialmente no Brasil.


SOBRE IGUALDADE



SOBRE DECISÕES



Nas escolas e nas faculdades a intelligentsia alterou o papel da educação, que é de equipar os alunos com o conhecimento e as habilidades intelectuais para que possam avaliar as questões e alcançarem independência mental, transformando a educação em processo de doutrinação, com as conclusões já fornecidas pelo intelectual ungido. 


AS COTAS RACISTAS


Texto de Rodrigo Constantino (30/06/2009)

“Os fatos são teimosos, e nossos desejos, nossas inclinações ou o imperativo de nossas paixões, quaisquer que sejam, não podem mudar o estado dos fatos e das evidências”. Com esta frase de John Adams, Thomas Sowell começa seu livro “Ação Afirmativa ao Redor do Mundo”, onde faz estudo empírico do efeito das cotas em vários países. O alerta vem à mente quando lemos alguns artigos em defesa das cotas que, não obstante as boas intenções dos autores, têm permitido que as paixões fiquem acima da frieza dos dados.

Esses autores têm utilizado estatísticas pontuais para mostrar que cotistas apresentam desempenho médio equivalente ao dos demais estudantes, além de menor taxa de evasão. Ora, levando a lógica ao extremo – de que permitir o acesso às vagas de alunos menos preparados mantém a média –, pode-se concluir que fornecer cotas para todos não iria prejudicar o padrão de qualidade das universidades. Ou seja, se os alunos com as piores notas fossem aceitos no lugar dos alunos com as melhores notas, as universidades não perderiam qualidade, o que é, evidentemente, uma conclusão absurda. A estatística pode ser a arte de torturar números até que eles confessem qualquer coisa.

Sowell levanta importantes questões em seu livro. Ele lembra que “os asiático-americanos são um claro embaraço para os que usam os argumentos costumeiros em defesa da ação afirmativa”. Afinal, este grupo costuma apresentar desempenho médio maior que o dos brancos, principalmente em matemática. No livro “Fora de Série”, Malcolm Gladwell mostra que fatores culturais podem explicar esta diferença. O fato é que os “amarelos” apresentam, na média, melhor desempenho. Por isso esse grupo étnico acaba ignorado nas estatísticas. Serão as maiorias brancas “vítimas” das minorias japonesas? É importante não confundir correlação com causalidade.

Outro erro comum é a utilização de casos específicos para provar uma regra. Por exemplo, citar alguns famosos beneficiados pelas cotas para afirmar a possibilidade de sucesso do modelo. Seria bastante fácil encontrar contra-exemplos. Mas apontar casos isolados de fracasso ou sucesso das cotas não prova nada. Em qualquer experimento desse tipo, alguns casos de sucesso sempre ocorrerão. O importante é verificar a tendência geral. E nesse caso, o resultado é negativo para as cotas, como demonstra Sowell. A redução da miséria entre negros americanos, por exemplo, foi mais acelerada antes da política de ação afirmativa do que depois. De 1967 a 1992, os 20% de negros mais pobres tiveram seus rendimentos reduzidos numa proporção duas vezes maior que seus equivalentes brancos. Eis o resultado quando se está arrombando as portas de entrada das universidades com base não no mérito, mas no critério da cor da pele.

Até aqui, restringi o foco ao aspecto da eficiência das cotas. Mas há um fator muito mais importante que não deve ser ignorado: o moral. Quando indivíduos passam a ser segregados com base na “raça”, concedendo-se privilégios para um grupo em detrimento de outro, o próprio racismo está sendo fomentado. Alguns autores acreditam que esta ameaça não tem sido expressiva no país, mas ainda não há dados suficientes para se ter uma perspectiva histórica. Esses efeitos levam tempo. O livro de Sowell deixa claro que a ameaça é significativa, e em alguns casos, como no Sri Lanka, acabou até em guerra civil. O próprio conceito de “raça” é uma criação humana, não um dado da natureza. Quando políticas do governo instituem o critério racial para separar os indivíduos, o racismo está sendo alimentado. Isso vai contra o sonho de Luther King, de um país onde as pessoas fossem julgadas “não pela cor da pele, mas pela firmeza do caráter”.

O último ponto a ser analisado é o argumento de “dívida social”. Em primeiro lugar, é preciso lembrar que nem mesmo um filho pode herdar dívida líquida do pai, já que não tem culpa de seus erros. Mesmo assim, para ser minimamente justo, seria necessário julgar cada caso isolado, para saber se aquele indivíduo é herdeiro de um dono de escravos ou de um escravo, ou nenhum dos dois. Afinal, a cor da pele não prova nada, já que negros foram donos de escravos, como o próprio Zumbi, e nem todos os brancos eram donos de escravos. Portanto, quando dizem que muitos bolsistas do ProUni são descendentes de escravos, com base na cor da pele, é impossível saber se isto é ou não verdade. A probabilidade é que seja falso. E reparar uma injustiça passada criando uma nova injustiça está longe de ser um bom critério de justiça.


18 comentários:

  1. Embora a grande palavra da esquerda seja ‘compaixão’, a grande agenda da esquerda é a dependência.

    Meu parente que está estudando naquela universidade e virou um militante precisa ler um livro desse senhor.

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  2. Na realidade, o seu parente deveria ler os livros deste senhor e também aqueles outros lá. E aí, a partir disto, tecer suas reflexões. Este é o papel de uma Universidade: apresentar caminhos para se construir as próprias idéias. Será mesmo que não é assim? Agora, se a pessoa tende para um lado, é "militante" ou "doutrinado". Se tende para o outro, aí se "iluminou". O que se precisa é respeitar as escolhas, não é mais fácil?! Isso vale para qualquer ponto de vista. Mas é isso, daqui a pouquinho um dos democratas de plantão vai vir com duas pedras para cima de mim... Rsrsrs

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    1. Concordo plenamente. Não posso ler só o que me agrada. Devo analisar o conjunto e daí tirar minhas conclusões. E me considero de Extrema Direita, se ser honesto e liberal for isto. Abraço

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    2. O problema é que a universidade interdita um lado.

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    3. Tu é militante de esquerda?

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    4. Teoricamente essas bonitas palavras na vida real não funcionam.

      Pois ninguém é obrigado a respeitar alguém que se afastou da mãe por causa de política.
      Que se tornou militante (atuante em campanhas) tentando catequizar os familiares a ponto de querer discutir todos dias sobre politica.
      Estragou um grupo de whats da família por não ter noção e respeito pelos outros familiares que pensam diferente dele.
      Que zomba de familiares por eles estudarem em faculdade a distancia.
      Realmente, respeitar as ideias dos outros é o que ele menos faz...

      Eu torço sempre para que nenhuma família passe por essa situação onde um ex-carismatico se tornou um verdadeiro sem noção.

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    5. Não entendi pra quem é a conversa do das 04:38, só sei que foi pesado ...

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    6. O mais triste é que não é um caso isolado. É até bastante convencional.

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  3. Imprensa gaudéria elogiando a "atitude" do Milk ("terceira via") é realmente o fim da várzea!

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    1. Finalmente eu entendi o que quer dizer "terceira via".

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  4. Ponto máximo desse "glorioso dia" foi Diego da Band'China' entrevistando o Holyday!

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    1. Bah...q fim de poço.

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    2. O Diego virou a Vergonha da Band e o vira casaca máximo da imprensa gaudéria.

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  5. Agora devemos chamar de Governador, GovernadorA, ou GovernadorX? Ó dúvida cruel.

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  6. Marshal te conhecemos de outros carnavais.

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    1. Com certeza. E ele acha que engana... usou a tática de sempre, atirou e já se vitimizou antecipadamente.


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  7. Caro Prévidi, lendo o texto sobre o pensador negro Sowell, tomo a liberdade de algo que escrevi sobre a Escravatura, os escravos...
    Acho que é interessante. Se puder publicá-lo, ótimo, contrário, continuamos amigo. Abraços.


    Slavus, Adonkes, Escravos
    Caros amigos, amigas, há pouco mais de um ano recebi o livro Escravidão – volume I, do consagrado (1808, 1822 e 1889) escritor Laurentino Gomes. Li de pronto e avidamente, reli-o então mais demoradamente uns três meses após, e, neste exato momento, o estou relendo novamente, beleza pura.
    O livro, um projeto de fôlego do escritor, constará de três volumes. Neste exato momento, li na rede, ele está lançando o volume II. Cada livro, em torno de 500 páginas.
    O que descreverei abaixo é muito desse livro, mas também buscado e obtido em outras fontes a meu dispor.
    Associar o substantivo (ou adjetivo) escravo aos negros é algo moderno em termos de história da humanidade. Um homem servo de outro e tratado como mercadoria (compro, vendo, jogo fora) vem de tempos imemoriais. Já na época dos gregos e dos romanos era praxe corrente. Na época de Cristo, a Itália possuía uma população de 7,5 milhões, dos quais, 3 milhões (40%) eram escravos. Quem não lembra do mítico escravo Spartacus e sua rebelião (74 aC) na qual foram dizimados pelos centuriões do exército romano 70 mil rebeldes, sendo que seis mil crucificados. Dizem, o número é incrível, que César trouxe das suas vitórias na Gália, qualquer coisa próxima de um milhão de escravos. A origem do termo escravo, absolutamente nada tem a ver com o negro, ele vem dos ‘eslavos’ que eram aprisionados pelos suecos em suas razias pelo interior da Rússia e vendidos como escravos a vários povos, entre eles os turcos otomanos que os transformavam em eunucos. Para que fique bem claro, mais uma informação inconteste, até uns 300 anos atrás, havia na Europa muito mais escravos brancos que negros. Antes eles eram apenas ‘estrangeiros’. Laurentino nos aponta uma tribo em Gana que os chamava por ‘adonkes’ (estrangeiros). É somente a partir do século XVI, com a famigerada escravidão aqui nas Américas, que o termo escravo passa a ter conotação e ideologia racista, étnica, inferior, cor de pele, etc.
    A escravidão era tão corrente em tempos de antanho, tão moralmente aceita, que até mesmo a bíblia justificava-a: frase de Noé, capítulo nove, livro de Gênesis, ‘maldito seja Canaã. Que se torne o último dos escravos de seus irmãos’. O filósofo grego Aristóteles era senhor de escravos; o autor da declaração da Independência americana Thomas Jefferson, também; o nosso Tiradentes tinha seis escravos; John Newton, ora vejam!, o reverendo autor da icônica ‘Amazing Grace’ (aquele do: segura a mão de Deus, segura...) era capitão de navio negreiro; John Locke, a rainha Elizabeth, e pararei por aqui, pois a lista é grande.
    Finalizando, eu entendo as razões do vereador Gomes da Câmara de Porto Alegre que criticou a parte do nosso Hino Rio-grandense que diz, ‘povo que não tem virtude acaba por ser escravo’, mas não concordo. O autor, Francisco Pinto da Fontoura, o ‘Chiquinho da Vovó’, meu antepassado, evidentemente não teve a menor intenção em relacionar escravo com negro. O Gomes tem que saber, por exemplo, que os migrantes italianos e alemães que vieram formar o nosso estado, também, dói dizer, vieram em condições análogas à escravidão. Aqueles alocados nas plantações de café no interior de São Paulo, tinham ‘zero’ direitos e milhões de obrigações com seu feitor. Se à época existisse o Ministério Público do Trabalho, uma fiscalização botaria na cadeia os donos desses cafezais! Concordo que aqui em terras brasilis nossos irmãos negros foram jogados à própria sorte após a Lei Áurea de 1888. Mas, caro vereador, serei eu um malvado feitor com chicote à mão quando digo à minha amada, ‘tu és escrava do meu amor’?

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