Quarta, 16 de junho de 2021

 

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ESPECIAL

ALFREDO OCTÁVIO - O MAIOR JORNALISTA DO BRASIL

EM CUBA

Não se falava mais nada,
a não ser em Jango e Brizola

 

– Acompanhei da redação do jornal a chegada ao Brasil de João Goulart para tomar posse como presidente da República. Muita gente contente e festejando a vitória sobre os militares golpistas que não queriam a Legalidade de Brizola. Senti que não haveria vencedores, porque os de farda não admitiam perder – basta conferir a História do Brasil para concluir isso.

Falei com o Turcão e com o doutor Roberto que estava indo embora para o Sul, para terminar a faculdade. Foi um período muito legal da minha vida.

Porto Alegre estava um inferno. Todos muito felizes, havia um ar de baderna nas ruas. Não se falava mais nada, a não ser em Jango e Brizola. Sempre achei muito mais importante o atentado sofrido por Che Guevara, no Uruguai – poucos dias antes da Campanha da Legalidade.

Só te digo que Guevara tornou-se o meu primeiro ídolo. Ao ponto de botar na cabeça que iria fazer a minha primeira grande entrevista com ele. Uma loucura. Mais uma vez larguei a faculdade e comecei a montar a minha estratégia para chegar a Cuba. Não sei se sabes, mas o passaporte brasileiro não permitia o ingresso no país de Fidel.

– Mas...

– Como cheguei lá? É uma longa história de aventuras.

Para resumir te digo que pisei na ilha depois de horas de balsa ou bote, sei lá. Levava algumas roupas e muitos dólares. E louco para beber rum!

– Mas tu conseguiste conversar com o Che?

– Rapazinho, tudo lá foi difícil, porque eles me consideravam um espião ianque. Quase, por muito pouco não desisti. Chegar a Havana foi marcante demais, um pesadelo. Mas consegui, graças aos dólares que levei. Aí começou uma nova gincana – encontrar Che. Tinha comigo uma foto com Brizola governador e pretendia mostrar ao meu ídolo, como prova da minha intenção positiva.

– Uma estratégia interessante.

– Foram quase três meses de negociações, até que consegui. Comprei um gravador de rolo e me levaram ao seu encontro. Fui completamente no escuro com os olhos vendados. Horas depois, quando me tiraram da escuridão, tomei um choque quando vi meu ídolo sentado na minha frente, com a mão estendida. Um tímido sorriso.

Não sei o porquê, mas me lembrei do Cantinflas...


Mas confesso que Guevara jamais disse isso,
porque ele não tinha nada de “terno”

 

– Minha primeira entrevista de fôlego foi sensacional. Correu o mundo. Mais de 150 publicações a reproduziram em todos os continentes. Para ele topar, fiz várias concessões. Os chefes da Revolução iriam ler antes de o material ser enviado para fora do país. E que eu não venderia – a entrevista teria um caráter de propaganda revolucionária.

– Que loucura!

– Outra muito boa. Uma frase que consta como de Che é famosa até hoje:

“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. Mas confesso que Guevara jamais disse isso, porque ele não tinha nada de “terno”. Eu precisava de algo interessante para um título geral. E construí a frase que sonhadores com a revolução socialista não cansam de repetir até hoje.

– Tu és o responsável por esse monte de camisetas com uma frase falsa?

– Quantas camisetas foram feitas com a minha frase? Não cobrei royalties! Ernesto confiava em mim, a cada dia que passava. A espionagem cubana descobriu que os ianques não permitiriam que eu entrasse no país do Norte. 

– Imagino...

– Numa tarde estava tomando uns drinques numa bodeguita genérica quando um emissário de Che me encontrou. Queria falar comigo. Fui correndo ao seu encontro. Estava radiante. Os americanos sentiram o golpe, me disse, pela primeira vez, dando uma gargalhada. A partir daí jogamos partidas intermináveis de xadrez. Era um exímio enxadrista. Aprendera com seu pai. Adorava poesias, devorava livros de Sartre.

– Bah!!

– Fui ficando por lá. Só sentia muita saudade de minha mãe. Não havia uma forma de me comunicar com ela. Mas eu não poderia desistir. Tinha que viver alguma aventura com o meu mais novo amigo ídolo. Como era “Amigo da Revolução” tinha amplos direitos, que somente os amigos de Che e Fidel tinham. Desse tempo, não consigo precisar, até 1965 vim várias vezes a Porto Alegre. Mamãe não reclamou, porque sabia que a situação do nosso país era terrível. “Filho, compra um palacete para nós em Havana!”, choramingava ela.

 

9

 

Tenho a certeza de que acreditava que seus
planos dariam certo, por causa da vitória em Cuba

 

– Em 1965 – não me peça detalhes como dia e mês! – acompanhei Che e um grupo de cubanos que foram lutar no Congo. Foi um fracasso, porque ele acreditava que a revolução se fazia em qualquer parte do mundo, do mesmo jeito. Na África Central as coisas não funcionam como na América.

Fracassou redondamente.

– Na real, era um aventureiro.

– Posso dizer que sim. Aí o acompanhei até a Bolívia. Ernesto era turrão. Colocava uma tese na cabeça e não tinha jeito de rever. Sabe qual era o plano dele? “Simples”: iria unificar os países da América Latina, de onde partiria para invadir a Argentina. Só isso. Tenho a certeza de que acreditava que seus planos dariam certo, por causa da vitória em Cuba.

– Cuba foi uma exceção, não?

– Pois bem, não vou entrar em detalhes. Mas te digo que não conseguiu gerar nenhum sentimento de confiança com os camponeses que viviam na região que escolheu para o acampamento e, pior, não tinha como se comunicar com os índios locais, por causa da língua. Foi capturado em outubro de 1967. E assisti quando foi assassinado. Claro que estávamos muito bem escondidos, sem resistir. O que ele não admitiu – tentou enfrentar o exército boliviano.

– Que loucura!

– Adivinhe de quem é a única foto de Ernesto Guevara morto? Modestamente, calo-me.

 

10

 

Fiquei mal em Porto Alegre quando chegou a notícia
de que tinha ganho o Prêmio Pulitzer, de Fotografia Especial

 

– Deixei baixar a poeira e voltei para Porto Alegre. A milicada estava em polvorosa, fazendo de tudo para que o regime fechasse ainda mais. E eu no meio disso tudo. Ainda bem que mamãe e eu sabíamos por onde andei.

– Devia ser um horror, mesmo.

– Fiquei mal em Porto Alegre quando chegou a notícia de que tinha ganho o Prêmio Pulitzer, de Fotografia Especial. Sim, meu amigo, a foto de Che morto. Aí a foto foi publicada em todos os continentes, com o meu nome. Repórteres de todo o mundo querendo saber como a foto foi feita, tal e coisa. E eu não era suficientemente louco para dar detalhes, como o de que eu estava com Che, na Bolívia. Era impossível eu ficar em Porto Alegre. Avisei a mamãe e fui para São Paulo. De lá para Paris, antes que confiscassem o meu passaporte. Paris estava pior, uma bagunça geral – mas ao menos poucas pessoas me conheciam.

– Ainda bem...

– Sempre tive a “sorte de repórter”. Em maio de 1968 eu estava em Paris!

Um dia depois de me instalar em nosso apartamento, fui acompanhar uma manifestação comandada por Daniel Cohn-Bendit. Todos que o escutavam ficavam apaixonados, com o ineditismo de suas doces palavras – jamais vou esquecer desta frase: "O mundo nos pertence, somos capazes de governar nossas vidas e o planeta de forma diferente".

– Conhecia esse pensamento.

– Daniel falava que tudo girava em torno do desejo de liberdade. A grande matriz era o espírito da liberdade e independência. Um negócio muito diferente para a época. Nesse dia, quando voltava para casa, tomei mais uma decisão: iria entrevistar Daniel, ou melhor, Dany, le Rouge.

– Missão impossível!

– Em tese, sim, mas aí tive que me tornar um manifestante. Comprei roupas adequadas, passei a frequentar o  Quartier Latin, onde jamais tinha colocado os meus pés. E fui me inteirar de tudo na Université Paris-Sorbonne (Paris IV). Lá fervia! Descobri que para chegar em Dany deveria ter a confiança de outros dois líderes, Alan Geismar e Jacques Sauvageot. Foi o que fiz. Não foi difícil me aproximar dos dois, porque me apresentava como jornalista brasileiro free-lancer, exilado em Paris.

– Que imaginação!!!

– Foi uma conversa que colou, mas não fiquei com a consciência pesada por ter mentido – afinal, eu não era exilado. Mas realmente tinha fugido do Brasil e da casa de minha mamãe. Me perguntavam sobre exilados e eu disfarçava, não tinha contato com essa gente. Mas discorria sobre a censura imposta aos brasileiros e os movimentos contrarrevolucionários. 


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Estou lendo pela segunda vez as memórias do inigualável Alfredo Octávio. O autor tem razão: Como não invejar o profissional retratado no livro?( Flávio Pereira)

...Em formato de entrevista-depoimento, transformou-se numa novela eletrizante. (Tibério Vargas Ramos)

...Devorei o livro numa tarde noite de sábado e confesso, fiquei com a sensação de quero mais... (Gustavo Victorino)

...Divertido, tem uma graça envolvente. Parabéns! (Anonymus Gourmet)

...meu querido colega AO que me foi apresentado pelo autor da biografia numa tarde qualquer no Tuim. Leiam o livro!! (Rogério Mendelski)

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JOSÉ LUIZ GULART PRÉVIDI
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3 comentários:

  1. E em terras tupiniquins um bandido quer ser Presidente apoiado pela imprensa marrom e a esquerda "caviar"! Vergonha.

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  2. Prévidi,
    Já havia dito, repito, excelente livro. Parabéns.

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  3. O gambá lacrador continua defendendo que deve haver uma ruptura no Inter. A ruptura ocorreu, ora bolas, e não deixou pedra sobre pedra.
    A hora é de reconstrução, mas a atual direção só sabe destruir.

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