Segunda, 21 de outubro de 2013

LOUCO, EU?

Paulo Motta

Os caras do Clínicas, como bem disse o Juarez Fonseca, nunca foram tão azucrinados por um impaciente que nem eu, duvido! E sentirão a minha falta, eu acho. A Ana Maria Madeira estava aguardando, numa sala de espera com outros familiares de pacientes - esperando na sala de espera já é uma rebundância - quando surgiu uma moça de jaleco azul, entupida de novidades, e a Ana perguntou por mim, olha o que a abusada respondeu: "Ah, é o cabeça branca que não cala a boca, mesmo anestesiado? Tá tudo bem, mas ele não pára de falar!".
Só faltou me internarem num manicômio, coisa de louco! Taquilálico eu sou. O Altemar Dutra não era sentimental demais? Pois eu sou falador demais.
Um dia depois da cirurgia eu conseguia me movimentar e já prevaricava normalmente, apesar dos trâmites, então convidei o José Nazareno e Seu Olavo - ou não lavo - meus amiguinhos de quarto (ia falar amiguinhos de leito, mas sempre tem um bagaceiro que entra na sacanagem) pra fazer uma sessão do copo. Não tinham ideia do que fosse, aí expliquei e montei a mesa, copo, papel com alguns rabiscos, tudo direitinho.
Aí comecei a inventar, sussurrando, concentradíssimo: Olaaavo Scheidt, tem alguém aqui que me parece do mesmo sangue teu, é um jovem com uma ferramenta, parece. E o Seu Olavo pulou: "É meu sobrinho que faleceu de desastre ano retrasado! É ele!".
Comecei a me sentir meio canalha de levar aquele abuso à ingenuidade dos dois adiante. Parei alegando que isso é muito perigoso e tal. O Olavo já tinha contado a história do sobrinho colono, de Estrela, que morreu acidentado, pra uma das técnicas de enfermagem, só que não sabia que eu tinha escutado. Melhor parar de brincar com coisa séria!
Pensava, agora, se a biografia no meio dessa lambança, fosse a do Delfim Netto, por exemplo. Duvido que algum artista fosse se manifestar contra liberar biografia não-autorizada do gordo. Como diria Tio Demêncio: Duvido e faço pouco!
Boa noite a vocês, meninos e meninas. Ah, lá em cima é rebundância, mesmo, tá legal? Beijinhos!


Um comentário:

  1. O Paulo Motta é fenomenal! Gostei muito do "taquilálico" e da "rebundância"!!

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